Finalmente chegou a hora de ver o que aconteceu de melhor para o cinema em 2017!

» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter para saber todas as notícias sobre cinema «

Em uma mistura agradável de blockbusters gigantescos, filmes de gênero e as “sobras” de uma temporada de prêmios realmente memorável, os lançamentos comerciais deste ano trouxeram grandes surpresas. Grandes nomes do cinema de autor, continuações improváveis

Confira aqui a seleção do Bastidores para os melhores filmes do ano, além de algumas saudosas menções honrosas!

corra filme spoilers

10. Corra!

Corra! certamente é um filme divisivo. Caso o espectador não esteja disposto a aceitar a simples proposta de Jordan Peele de se divertir com o gênero com elegância e olhar de forma mais atenciosa valorizando a crítica social, a obra pode não passar, aparentemente, de um raso e previsível conjunto de clichês que carece de contemplação e uma história mais aprofundada. Entretanto, para aqueles que se encantaram com o conceito e se pegaram imersos antes do desbandar para o escapismo, o longa, além de entretenimento relevante, serve como um exemplo de estudo de manipulação e agilidade de estrutura na tentativa de misturar elementos de gêneros vizinhos com sucesso. Há tempos eu não via uma estreia de diretor fora de sua zona de segurança tão precisa, arriscada e, ao mesmo tempo, confortável. (Leandro Konjedic)

9. It: A Coisa

É maravilhosa a sensação de se assistir a um filme de gênero tão eficiente. Esta nova versão de It: A Coisa não só é infinitamente superior à adaptação de 1990, como também merece destaque como um dos melhores longas de terror dos últimos tempos, capturando os elementos mais tradicionais de uma escola oitentista com elementos modernos e eficientes. Uma aventura sombria que emociona e envolve, resultando em um dos melhores filmes de 2017, já nos deixando ansiosos para a vindoura segunda parte. E nem preciso mais dizer como o Pennywise de Bill Skarsgard veio para se imortalizar na iconografia do cinema morderno. (Lucas Nascimento)

8. Z – A Cidade Perdida

Z – A Cidade Perdida, o filme, é o sonho de James Gray, mais até do que o do explorador Percy Fawcett. É um ensaio ficcional que o diretor encontra para falar sobre fé, ainda que com um fundo racional. Esse Z é como diz Fawcett, a peça que falta no quebra cabeça (puzzle) da humanidade. Z traz em si toda uma carga misteriosa que possibilita ao diretor fazer uma abordagem intimista do seu personagem e de sua complexidade. Gray, como um bom narrador neoclássico, sabe que é preferível obter a complexidade de um ponto do que gastar um filme com abordagens superficiais. E sempre com muita elegância. (Henrique Artuni)

7. Manchester À Beira-Mar

A turbulência para o dramaturgo Kenneth Lonergan é convertida em ironia, quer na cena muda na igreja, em slow-motion leve, quer quando toca-se ópera em cenas sérias (o melodrama sonoro é estranho à melancolia dos corpos deslocados na tela), quer, ainda, no final pouco otimista. Filmes como esse são raros no cinema americano de hoje. Movido por uma performance sensacional de Casey Affleck e um roteiro impecável que constrói seres humanos tridimensionais e situações palpáveis, o drama oscarizado ainda fica forte na memória. (Henrique Artuni)

6. Em Ritmo de Fuga

Em sua estreia no cinema americano, Edgar Wright oferece a maior diversão do ano com Em Ritmo de Fuga, uma obra que só pode ser descrita como um musical de perseguições de carro. Embalado pela playlist mais variada e criativa de 2017, o filme sobre o piloto de fuga que leva a vida com trilhas sonoras é uma explosão de originalidade, e novamente demonstra o talento do diretor para criar cenas de ação, planos sequência e um humor afiado que brinca bem com os clichês do subgênero heist. Em uma indústria dominada por reboots, super-heróis e continuações infinitas, esse é o tipo de filme que o cinema americano precisa cada vez mais. (Lucas Nascimento)

5. O Estranho que Nós Amamos

Polêmicas à parte, O Estranho que Nós Amamos pode facilmente se consolidar como o melhor filme de Sofia Coppola. É uma história lenta, sem frenesi, com momentos precisos de reviravolta e agitação. É um daqueles filmes com que nos envolvemos facilmente, primeiro por sua beleza e então por seus mistérios. Um drama histórico que nos estimula a desvendar o destino de cada um dos personagens e nos recompensa quando prestamos a devida atenção – já que tudo está dito desde o início, se não em palavras, em imagens. (Débora Fernandes)

4. Silêncio

Silêncio é a demonstração máxima entre os extremos mais opostos de uma pessoa, em especial, de um fiel: a intolerância brutal e o sacrifício em amor ao próximo. Através do poder de suas imagens espetaculares, profundamente carregadas de significado, do trabalho sonoro estupendo, do design de produção fidelíssimo e, principalmente, pelo trabalho incansável de seu elenco, Martin Scorsese cria sua obra-prima religiosa. É o filme que melhor a trabalha como um todo e deverá se manter assim por um bom tempo. Imprescindível. (Matheus Fragata)

3. La La Land: Cantando Estações

Com apenas dois filmes no currículo, Damien Chazelle estabelece-se desde já como um dos nomes mais fortes do atual cinema americano. La La Land: Cantando Estações é um filme absolutamente apaixonante e otimista, servindo como uma carta de amor aos musicais da Velha Hollywood e uma ode à incrível capacidade humana de perseguir seus sonhos. Em tempos tão sombrios, filmes como são esse são a rara joia que nos motivam a seguir em frente, e eu só consigo agradecer por existir. (Lucas Nascimento)

2. Blade Runner 2049

Denis Villeneuve e o time dos sonhos entregaram uma obra perfeita para ser vista nos cinemas. O ritmo é lento quando comparado aos filmes contemporâneos, mas como discutimos, os roteiristas sabem tornar cada cena um verdadeiro festival de relevância. São forças diversas que tornam Blade Runner 2049 uma obra magnífica que parece estar destinada a sofrer muitas das dores históricas que seu antecessor sofreu. Mas, pelo menos, já é possível afirmar a pergunta que tantos estão fazendo: certamente há algo em Blade Runner 2049. Aquele algo que acaba consolidando clássicos no decorrer da História. (Matheus Fragata)

1. Dunkirk

A cada filme, Christopher Nolan rejuvenesce. Parece mais apaixonado do que nunca em realizar grandes feitos cinematográficos, filmes que desafiam a própria condição da linguagem, que consigam transcender a bidimensionalidade do exercício de assistir a um longa-metragem. Em Dunkirk, o pacote é completo e aprimorado. O domínio é assustador. O coletivo é louvado. Todas as peças desse enorme jogo têm função primordial – principalmente os elementos sonoros que andam tão chutados e mastigados pela grande indústria em usos acovardados na encenação.Pelo grande Cinema, pelas grandes histórias, nós nunca nos renderemos. (Matheus Fragata)

Hors Concours

Crítica com spoilers star wars os ultimos jedi

Star Wars: Os Últimos Jedi

Já podendo ser considerado o filme mais divisivo da saga, Os Últimos Jedi é um triunfo. A reinvenção que Star Wars tanto precisava, sendo ao mesmo tempo uma quebra de paradigmas radical, onde Rian Johnson não tem medo de tomar decisões arriscadas e literalmente destruir as expectativas dos fãs em prol de uma dramaturgia ousada, mas também um filme que tem o ritmo e o feel de um Star Wars genuíno – mais do que qualquer um da fase Disney até agora. Com cenas de ação impressionantes, humor certeiro e um elenco afiadíssimo, o Episódio VIII é facilmente um dos melhores da saga, e o tempo fará justiça a esse trabalho impecável. (Lucas Nascimento)

Planeta dos Macacos: A Guerra

Eis que a tal dita maldição sobre o terceiro filme de uma trilogia ser sempre o pior é completamente desvalidada com esse soberbo terceiro exemplar da nova trilogia da saga Planeta dos Macacos. Que não só consegue ser talvez o melhor entre os três, como também faz grande jus ao legado de sua velha franquia ao vermos o talentosissímo Matt Reeves se sacrificando de certos padrões de blockbuster de ação, e entrega um filme de fortes e pesadas camadas dramáticas e complexas. Ao levar esse último capítulo da história do já clássico César, com outra performance estrondosa de Andy Serkis, em uma escala íntima e uma jornada de redenção de seu espírito e salvação de sua espécie. Um final épico e digno para uma das melhores trilogias dessa década! (Raphael Klopper)

Logan

É difícil no final de Logan não sentir que uma geração parece ter chegado ao fim. Em um filme que ainda ousa distorcer convenções do seu gênero de super-heróis de quadrinhos quase saturado hoje com megalomanias e repetições, e entrega um verdadeiro estudo de personagem, coberto por um forte tom dramático e manchado por uma aura de tragédia inevitável, em um cenário que aspira fortes elementos do cinema faroeste revisionista e dos filmes road-movies existencialistas dos anos 70 de forma perfeita. E de sobra ainda entrega um espectáculo de violência gráfica, finalmente permitindo o herói soltar toda sua fúria, e deixando a jovem Dafne Keen brilhar como a jovem X-23. E talvez contendo a melhor performance de Patrick Stewart como o velho professor Xavier, e claro do próprio Hugh Jackman no seu icônico papel. Que no final nos faz ter certeza do porquê o Wolverine e Logan serão para sempre inesquecíveis. (Raphael Klopper)

Raw

Raw é uma obra que dificilmente sai de nossas memórias, nos trazendo um coming-of-age de suspense e terror, que se diferencia da grande maioria de longas do gênero. Com um olhar praticamente inédito sobre o canibalismo o longa de Julia Ducournau é deliciosamente perverso, utilizando claras e violentas metáforas para simbolizar o amadurecimento da personagem central, vivida por Garance Marillier, que nos traz uma atuação que nos mergulha dentro da narrativa. Ela é, ao mesmo tempo, o perfeito retrato da inocência e da sombria tentação, como um predador que se disfarça perfeitamente na sociedade. Sem dúvidas uma das inesquecíveis obras lançadas em 2017. (Guilherme Coral)

Mãe!

Com uma carreira de apenas uma ponta solta, Darren Aronofsky mostra porque é um dos diretores mais interessantes da atualidade. Em mãe! o diretor mostra que não é apenas um talento acima da média, mas que pensa completamente fora da curva. Fazendo uma analogia ousada com um texto igualmente ousado, ele consegue fazer um filme incômodo que se mostra consistente e ainda tira ótimas atuações do seu elenco, com destaque para Jennifer Lawrence em um de seus melhores papéis. (João Pedro Gibran)
Seu filme preferido do ano não saiu na lista? Comente abaixo!

Comente!