Convenhamos, falar de Homem-Aranha é sempre um prazer em qualquer época do ano. O maior herói da Marvel não precisa do lançamento de um novo filme para ter material publicado sobre sua vasta história nos quadrinhos, televisão e no cinema. Entretanto, com a ajudinha do hype de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, o momento é mais que propício para relembrar a gloriosa história do personagem nas HQs.

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Pelo montante absurdo de histórias excelentes que marcam toda a jornada do Homem-Aranha nos quadrinhos, tivemos o árduo trabalho de selecionar as 15 mais impactantes, as 15 histórias icônicas do herói que são adaptadas e readaptadas em tantas outras mídias.

15 – Homem-Aranha Superior (2013)

Ok, por essa pouca gente esperava. Mas na verdade, após eu perder um baita preconceito com toda a ideia proposta pelo corajoso Dan Slott, acabei encontrando uma excelente fase que durou 31 edições. Para quem desconhece a proposta insana dessa HQ, prepare-se. Slott teve a ideia de chutar o vespeiro com aquela bicuda de trivela do Tsubasa de Super Campeões ao decidir que o Homem-Aranha não seria mais Peter Parker, mas sim Otto Octavius – sim, o nosso querido Doc Ock.

Em uma de suas parafernalhas tecnológicas insanas, Dr. Octopus consegue atrair Peter para uma armadilha, aprisionando seu corpo. Notando que sua saúde está péssima e que a morte se aproxima, Octavius decide transferir sua consciência para o corpo saudável de Parker, jogando a mente do herói para o seu. Porém, mesmo com as consciências trocadas, Peter consegue acompanhar todas as ações de Otto que, obviamente, acaba gostando muito da ideia de ser um Homem-Aranha… Superior.

Slott conduz toda a fase com muita coragem propondo mudanças drásticas no modus operandi do amigão da vizinhança. Isso inclui matar inimigos que voltarão a causar problemas, delegar tarefas para assistentes tecnológicos, terminar com Mary Jane para protegê-la do perigo e ser muito mais obstinado em acabar com o Sexteto Sinistro. Os debates que Slott desenvolve são excelentes mostrando esses contrastes de diferenças entre a violência que Otto age, gerando até uma crescente popularidade do Aranha enquanto conhecemos ainda mais sobre o passado traumático do vilão. Abandone o preconceito e dê uma chance para essa fase inteira. Garanto que em poucas edições, estará completamente envolvido pela insanidade do autor.

14 – O Nascimento de Venom (1988)

Não restam dúvidas da importância infernal que Venom possui para Peter Parker. O simbionte maldito que veio do Espaço tentou seduzir Peter e, a muito custo, o herói conseguiu se desfazer da união venenosa da criatura com seu uniforme, voltando ao normal. Mas claro que essa presença retornaria para se vingar de Parker.

Nisso, entra a sacada de David Michelinie e do artista Todd McFarlane em criar Venom. O simbionte se une a outra pessoa que detesta Peter Parker, Eddie Brock (após os eventos que contemplam o arco de A Morte Jean DeWolfe). Com os dois sedentos por vingança, Peter terá que enfrentar a força bestial da criatura.

13 – Homem-Aranha: O Reino (2006)

Eis aqui o nosso Logan de Peter Parker. Situado em um futuro distópico, O Reino bebe na fonte de O Caveleiro das Trevas de Frank Miller, inclusive copiando propostas vitais. Mas nada disso realmente importa quando começamos a ler essa perturbadora história. Com Nova Iorque totalmente segura e sem liberdade, Parker aposenta o Homem-Aranha. Já consideravelmente velho, vive o resto dos seus dias como florista no Queens.

Sofrendo pela morte prematura de Mary Jane, não há muita coisa para Peter comemorar. Porém sua vida muda quando J. Jonah Jameson surge com o antigo uniforme do herói, clamando por mudança. O restante é pesado e devastador. Uma história emocionante sobre a última luta de Peter Parker contra o sistema.

 

12 – Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2001)

Apesar de ter o mesmo nome do novo filme do Cabeça-de-Teia, poucas semelhanças são compartilhadas nos roteiros da HQ com nova produção da Sony. O Aranha vinha de uma fase beeeem sem-graça dos anos 1990. A Marvel queria ressuscitar a importância do herói para o novo milênio e o homem responsável para isso foi ninguém menos que J. Michael Straczynski em parceria com Romitinha na arte.

Apesar da Marvel também ter conseguido implodir o trabalho de Straczynski na metade de sua fase, o primeiro arco batizado de De Volta ao Lar é muito eficiente. Aqui, Parker é confrontado por um homem chamado Ezekiel que também possui os mesmíssimos poderes do Aranha. Ele subverte toda a mística radioativa da aranha que o picou indicando que existem razões sobrenaturais para Peter ter recebido esses poderes.

Nesse arco, o autor também deixa a vida profissional de Peter menos conturbada ao virar professor de Ciências de seu colégio. Mas toda a calmaria é cancelada com a chegada do vilão Morlun, um ser implacável que drena toda a força vital de suas vítimas. O personagem é quase indestrutível gerando uma das melhores lutas da história do Aracnídeo.

11 – Best of Enemies: Espetacular Homem-Aranha #200 (1993)

O embate final mítico entre o Duende Verde de Harry Osborn contra o Homem-Aranha. A edição praticamente contempla a luta inteira dos dois, mas em uma reviravolta surpreendente, Harry salva a vida de Peter ao atirá-lo para longe de uma explosão.

Porém, já muito debilitado e com a mente destruída, Harry encontra seu fim. É justamente nesse pequeno segmento de roteiro que a tradicional emoção que domina as histórias do Aranha surge com força. No último diálogo, com Peter segurando as mãos de Harry enquanto a ambulância parte para o hospital, o herói pergunta por que o vilão salvou sua vida. E a resposta final, devastadora, esclarece tudo: “Porque você é meu melhor amigo. ”.

10 – Amazing Fantasy #15 (1962)

Uma das melhores, se não a melhor, história de origem de um super-herói da Marvel. Em estado de gênio, Lee e Ditko criaram a memorável origem do Homem-Aranha que já estamos bastante cansados de saber. Até hoje é intocada pelo nível de excelência. A história da luta livre, do bandido e da morte de tio Bem. Tudo está aqui, impulsionando a motivação genuína de Parker e sua eterna lição de moral: Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades.

9 – A Morte do Capitão Stacy (1970)

Outro arco triste e trágico do Homem-Aranha. Ninguém esperava que o pai de Gwen Stacy morreria durante uma perseguição do herói contra Dr. Octopus. Com o vilão jogando entulho de prédios para baixo, Stacy se joga para proteger uma criança desatenta. O ato heroico, infelizmente, lhe custa a vida. Com o Homem-Aranha chegando logo depois, Lee cria um dos diálogos mais ternos que a revistinha já havia visto até então. Stacy revela que sabia desde sempre que Parker era o vigilante mascarado e clama para proteger Gwen, pois ela o ama muito. Palavras finais que marcam e assombram Peter pelo resto de sua vida por conta de eventos posteriores.

 

8 – A Morte de Jean DeWolff (1985)

A fase sombria e violenta que marca o período do Uniforme Negro do Aranha rendeu histórias sublimes. Uma delas é A Morte de Jean DeWolff. Sem nenhuma cerimônia, a amiga policial de Peter é assassinada rapidamente pelo maníaco Sin Eater. Quando descobre do assassinato, o herói perde o controle emocional e parte para uma jornada de vingança e violência.

Para ajudá-lo no caminho e, também servindo de contraponto, o autor Peter David sabiamente insere a presença de Demolidor que faz de tudo para impedir Parker de cruzar a linha que nenhum herói deve flertar: a morte dos seus oponentes. Ao longo da narrativa assustadora com a disposição doentia do Aranha, David consegue mostrar muitas camadas de cinza no custo da vida de vigilante e do heroísmo em si. História imprescindível.

7 – Homem-Aranha: Se Esse for o Meu Destino (1965)

Uma das partes mais famosas da fase Lee-Ditko. Foi adaptada em diversas animações e até mesmo recebe uma bela homenagem no novo longa De Volta ao Lar. Aqui, Peter segue em busca de um remédio para tia May sobreviver a uma grave doença, mas logo é confrontado por Dr. Octopus que acaba destroçando todo o lugar onde está o que o herói busca.

Aprisionado pelos pesados destroços e preocupado em alcançar o remédio para salvar tia May, Peter precisa buscar forças que vão além do poder físico para se livrar do concreto que o esmaga enquanto mantém a calma para não se afogar na água que inunda todo o lugar. Em uma das sequências visuais mais célebres das História da Nona Arte, Ditko realiza um trabalho magistral para mostrar o herói conseguindo se livrar da morte certa e afirmando sua vontade como Homem-Aranha. É histórico, é brilhante.

6 – Homem-Aranha: Nada Pode Deter o Fanático (1982)

O nêmese mutante chega para abalar as fundações heroicas de Peter Parker. Não é carregada de emoção, mas contém doses cavalares de ação que tornam essa uma sensacional história de super-herói. A mando de outro vilão, Fanático é enviado para capturar Madame Teia com o intuito de usar seus poderes psíquicos para deter os X-Men.

Obviamente que o Homem-Aranha não deixará isso acontecer, mas acaba descobrindo que parar o Fanático é um dos desafios mais difíceis que já encarou em sua carreira de vigilante. Todos nós sabemos como essa história acaba, mas traz um dos retratos mais vulneráveis do Cabeça-de-Teia até então, além de conferir real senso de ameaça e perigo mortal nas lutas entre os dois.

5 – Homem-Aranha Nunca Mais (1967)

Adaptada com primor para as telas em Homem-Aranha 2, ainda uma obra-prima insuperável do gênero de super-heróis, Homem-Aranha Nunca Mais traz debates valorosos sobre a ação que a vida de vigilante inflige nas relações pessoais de Peter Parker. Após receber duas notícias péssimas: tia May está ficando mais doente e suas notas na faculdade estão péssimas.

Percebendo que ser o Homem-Aranha só faz sua vida pior, Peter Parker desiste de vez da sua vida como super-herói mascarado. No clássico desenho de John Romita, sentimos o impacto da decisão de Peter ao jogar o amado uniforme no lixo. Aqui, há a epítome da genialidade de Stan Lee em demonizar a vida de suas criações. Um arco existencial importantíssimo para compreender Peter Parker.

4 – O Garoto que Colecionava Homem-Aranha (1984)

Essa é uma história simples, sem ação e de escopo intimista. Peter descobre a existência de seu maior fã, segundo o Clarim Diário, Timmy Harrison. Descobrindo onde o menino está, o Aranha resolve fazer uma pequena visita ao menino, contando a história da origem de seus poderes, sobre o tio Bem e, em momento raríssimo na história das HQs, retira sua máscara revelando que é Peter Parker para o garoto.

Tudo isso tem um motivo nobre. Na mais triste das reviravoltas, é revelado para o leitor que Timmy tem leucemia e não sobreviverá por muito tempo. Fechando com a frustração de Parker ao perceber que nunca vencerá o câncer, a historinha virou um marco dentro da editora pela sensibilidade ímpar que separa o Aracnídeo de tantos outros heróis.

3 – Homem-Aranha: Azul (2002-2003)

Na melhor fase da dupla Jeph Loeb e Tim Salle, verdadeiras obras-primas surgiram da “trilogia das cores” da Marvel. Azul é uma delas. Toda a narrativa se concentra em explorar a fundo o amor dos sonhos que Parker viveu com Gwen Stacy ao recordar da falecida namorada no Dia dos Namorados. Igual a todas as grandes histórias do herói, a melancolia e a beleza do engrandecimento moral e ético, marcam profundamente a história de Azul. Para quem adora esse aspecto íntimo da vida de Peter, é imperdível.

 

2 – A Última Caçada de Kraven (1987)

Pessoalmente, essa é a minha história favorita de todos os tempos do herói. A Última Caçada é uma daquelas histórias que já te prende nas primeiras páginas te obrigando a concluir tudo em apenas uma lida. Marcando o ponto mais alto e tenebroso da relação de Peter com o traje negro, J.M. DeMatteis e Mike Zeck atingem a genialidade com a história sombria favorita dos fãs do herói.

A história marca o limite da paciência de Kraven em não conseguir derrotar o Aracnídeo. Nisso, o vilão decide capturar o herói, droga-lo com diversos tranquilizantes e enterrá-lo vivo. Com Parker fora de ação, Kraven decide se tornar um Homem-Aranha melhor do que Peter jamais sonhou. Mas obviamente o herói não morre tão fácil e, tão logo, caça Kraven. Aqui, a genialidade se concentra em subverter papéis ao explorar a fundo as motivações de Kraven e na retratação de um Aranha maligno.

1 – A Morte de Gwen Stacy (1973)

Mesmo com A Última Caçada sendo fantástica, há de se reconhecer a importância dessa história corajosa que afetou a vida de Peter Parker para sempre. Marcando seu maior fracasso, A Morte de Gwen Stacy elenca a máxima “grandes poderes, grandes responsabilidades” ao limite.

Sequestrada pelo Duende Verde, Gwen é jogada durante a luta do vilão contra o Cabeça-de-Teia, mas as coisas dão terrivelmente mal no resgate da amada. Combinando N fatores, o efeito chicote causado pela parada abrupta de Gwen em atingir a água, o pescoço dela se fratura, levando ao óbito da amada. A ambiguidade do desenho força o leitor a considerar que foi Peter quem matou a namorada ao segurá-la no meio de uma queda brusca através da teia.

A decisão de matar Gwen não foi impensada. Tudo caminhava para um casamento e os editores não queriam aposentar o herói de maior sucesso da Casa das Ideias com tanta facilidade. Logo, optaram pela maior tragédia da vida do personagem para mantê-lo na ativa. Essa HQ é revolucionaria por dar origem a tantas histórias violentas, chocantes e corajosas que marcariam as décadas de 1970 e 1980 em quadrinhos posteriores de Frank Miller.

Bom, essa é a nossa lista. Gostaram? Qual é a sua HQ favorita do Aranha? Diga nos comentários!

 

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