Se você não assiste ou não sabe o que é Fargo, certamente está perdendo uma das melhores séries de TV da atualidade. A adaptação de Noah Hawley do filme homônimo dos irmãos Joel e Ethan Coen para o FX é uma verdadeira obra-prima, com três temporadas no formato de antologia nos entregando uma série de situações imprevisíveis e divertidas, além de oferecer um senso de humor e aprofundamente que raramente encontramos no meio audiovisual.

E, claro, os personagens. Cada ano da série trouxe sua leva significante de figuras carismáticas, bizarras e dignas do legado dos Coen. Para aproveitar o êxtase da terceira temporada, preparamos aqui nosso ranking pessoal dos melhores personagens da série até o momento.

Confira:

15. Betsy Solverson (Cristin Milioti)

Dentre todos os personagens nesta lista, a eposa de Lou Solverson provavelmente é a que menos apareceu, e não desempenhou lá um grande papel relevante durante os eventos da segunda temporada. Porém, Cristin Milioti eleva o material e transforma Betsy em uma figura extremamente simpática e divertida, seja por sua esperteza ao encontrar uma pista importante na cena do crime ou quando tranquilamente arma-se com uma espingarda ao encontrar sua porta de casa aberta. Tudo isso enquanto enfrenta um câncer mortal, o que lhe rende um dos monólogos mais bonitos de toda a série.

14. Karl Weathers (Nick Offerman)

Um dos muitos coadjuvantes de luxo do segundo ano, Karl é o típico amigo que conta histórias enaltecedoras sobre si mesmo na mesa de bar, sendo um grande amigo de Lou. Só suas tiradas e o jeito de “durão forçado” que Nick Offerman faz tão bem já valeriam a inclusão, mas Karl ganha os holofotes no episódio em que é capaz de convencer sozinho toda a frota armada da família Gerhardt a bater em retirada, utilizando de suas habilidades como advogado. Menção honrosa também para sua reação ao conhecer Ronald Reagan.

13. Dodd Gerhardt (Jeffrey Donovan)

O que seria um núcleo de família mafiosa sem o filho esquentado? Se os Corleones têm Sonny, os Gerhardt têm Dodd, o mais velho dos filhos do patriarca, e que desesperadamente tenta assumir o comando e iniciar uma guerra com a facção de Kansas City. O sotaque pesadíssimo adotado por Jeffrey Donovan ajuda a trazer uma canastrice acertadíssima para Dodd, que ao mesmo tempo nos provoca admiração e repúdio graças a seu comportamento impulsivo – o que dizer da impagável cena em que ele espanca capangas em uma padaria enquanto escolhe um doce?

12. Gus Grimly (Colin Hanks)

O underdog definitivo, Gus Grimly tem um dos arcos mais safisfatórios e catárticos da primeira temporada, como o policial fracassado que está sempre um passo atrás, falha ao capturar o bandido inúmeras vezes e até atira acidentalmente em sua parceira durante uma nevasca. Porém, Colin Hanks traz muito charme a admiração ao personagem, que também beneficia-se de ótimas cenas com sua filha e a protagonista, Molly Solverson. Vê-lo triunfar ao final da primeira temporada é uma grande justiça.

11. Ray Stussy (Ewan McGregor)

Ewan McGregor é um espetáculo na terceira temporada, sendo capaz de criar duas personas distintas com os irmãos Stussy. Mas, claro, nossa admiração sempre vai para o fracassado que sonha em sair da fossa, o que nos leva ao agente de condicional Ray. Apaixonado por uma mulher que certamente o está usando, Ray é um homem ingênuo que lentamente vai abraçando seu lado sombrio, mas que nunca se vê como o vilão da história.

10. Peggy Blumquist (Kirsten Dunst)

Sem dúvida alguma o melhor papel da carreira de Kirsten Dunst, Peggy Blumquist tem o arco mais poderoso da segunda temporada. Uma metáfora anacrônica para o feminismo, temos o conto de uma mulher entediada com a vida e o casamento monótono, e que acaba encontrando no assassinato acidental um novo e fantasioso sentido para sua vida. É divertido ver como Peggy muda a persona da “simpática mocinha” para algo próximo de uma psicopata lunática, como vemos durante o cativeiro de Dodd. O embate verbal com Lou no carro policial no season finale é a síntese perfeita de seu arco.

9. Molly Solverson (Allison Tolman)

Não é fácil seguir a Marge Gunderson de Frances McDormand no filme original, mas a Molly Solverson de Allison Tolman foi uma substituta à altura. É o clássico papel da policial que precisa enfrentar a burocracia e teimosia de seu departamento, mas que é simplesmente simpática e educada demais para apelar para recursos violentos. Molly tem charme e carisma, mas também é eficiente ao tomar as rédeas da história e fechar o cerco em seu suspeito.

8. Floyd Gerhardt (Jean Smart)

Quantas vezes já tivemos um papel desses? Com a morte de seu marido mafioso, Floyd Gerhardt é forçada a assumir as rédeas da família e da organização, e Jean Smart simplesmente destrói. Floyd é forte e determinada, mas também age de acordo com uma estratégia mais cerebral e não tão explosiva quanto a de seus filhos, mas nunca subestimem a capacidade da matriarca em provocar o caos. Os laços afetivos com a família são os elementos que a tornam tão especial.

7. Ohanzee Dent (Zahn McClarnon)

O personagem preferido de muita gente, Ohanzee Dent – ou simplesmente Hanzee – é uma figura que lentamente vai ganhando destaque conforme a segunda temporada vai decolando, agindo como o “caçador” pessoal da família Gerhardt. Silencioso, apático e inteligente, Hanzee vai formando suas próprias decisões e rapidamente assume a trama pela garganta, rendendo ótimas cenas de ação e reviravoltas sensacionais. Porém, quando olhamos fundo em sua alma ao vê-lo pedir um novo corte de cabelo, enxergamos ali uma dimensão inacreditável. Zach McClarnon diz muito com pouco.

6. Gloria Burgle (Carrie Coon)

Com todo ano sendo apresentados a uma variação de Frances McDormand, é de se temer que Noah Hawley acabe repetindo arquétipos e simplesmente traga versões recicladas da mesma personagem. Felizmente, não só Gloria Burgle tem sua própria identidade e personalidade, como também destaca-se como uma das melhores “figuras da Lei” até então. Burgle traz a mesma determinação de suas antecessoras, mas com um charme mais forte e também uma divertida piada com a personagem ser incapaz de responder a dispositivos eletrônicos. Junte isso à performance adorável de Carrie Coon, e temos aí uma grande heroína.

5. Lou Solverson (Patrick Wilson)

Já tinhamos visto o personagem de Lou Solverson na primeira temporada, como um simpático idoso que cuidava de seu restaurante e também da filha, Molly. Porém, no ano dois voltamos no tempo para vê-lo no auge e com as feições de Patrick Wilson, assumindo as rédeas como o policial que tenta resolver todo o marasmo dos Gerhardt durante a segunda temporada. Lou é o típico policial durão e inteligente, sem medo de encarar sujeitos mais fortes e sempre com frases de efeito impagáveis. Porém, é no último episódio em que Lou realmente nos conquista, ao compartilhar uma história de guerra inacreditável e fazer o espectador se encantar com sua própria reação ao relembrá-la. Mais um grande trabalho do subestimado Wilson.

4. V.M. Varga (David Thewlis)

Eu ainda não sei o que diabos V.M. Varga quer, ou o quê exatamente ele representa, mas é um prazer absoluto e desagradável ver seu comportamento a cada novo episódio. David Thewlis surge monstruoso e incomodante na pele do misterioso investidor que acaba engolindo Emmit Stussy e sua empresa de estacionamentos, agindo sob uma conduta misteriosa e repleta de analogias criativas e um profundo conhecimento de política, economia e… culinária. O antagonista da nova temporada, Varga é desde já uma das figuras mais fascinantes de toda a série.

3. Lester Nygaard (Martin Freeman)

Poucas vezes um personagem tão desprezível foi capaz de gerar tanta empatia, e todo o tempo o espectador se via torcendo para que Lester Nygaard pudesse, de alguma forma, escapar do cerco que lentamente ia se fechando. É um personagem que sofreu toda sua vida ao ser rebaixado, e que transforma-se em uma pessoa perigosa e imprevisível ao cometer assassinato, e Martin Freeman faz um trabalho excepcional ao balancear essa postura de “bom moço” com a nova personalidade de Lester. Até hoje, a imagem de Lester sorrindo ao martelar a cabeça de sua mulher permanece marcante.

2. Mike Milligan (Bokeem Woodbine)

Ah, Mike. Quem dera todo mafioso fosse tão bem escrito e interpretado quanto esta pérola do ator Bokeem Woodbine. Representante direto da máfia de Kansas City, Mike Milligan sempre mantém a elegância e a eloquência em sua fala, com metáforas elaboradas e citações poéticas e literárias prontas para serem liberadas a todo o instante. Quase nunca vemos o personagem fora do controle da situação, e é inacreditável como nunca o vemos levantar a voz – nem mesmo quando é necessário sujar as mãos. Só não é o melhor personagem da série por conta de…

1. Lorne Malvo (Billy Bob Thornton)

Não poderia ser outro resultado. A personificação da maldade, o predador perfeito… Billy Bob Thornton entrega uma das melhores performances de sua carreira com Lorne Malvo, o destemido vilão da primeira temporada que soa como uma versão mais carismática e engraçada de Anton Chigurh, sendo um caçador impecável, um mestre dos disfarces e sempre com alguma história ou alegoria perfeita na ponta da língua. Três anos depois, e ainda não tivemos ninguém que superasse Malvo. Um dos melhores personagens da História da Televisão.

Menção honrosa

Todas as duplas de capangas

Em toda temporada temos aquele indispensável leque de personagens que age como força bruta de um antagonista. Na primeira temporada, tínhamos a dupla formada por Sr. Numbers e Sr. Wrench, que divertia pela dinâmica e o fato de um deles ser mudo e surdo. Na segunda, tínhamos os gêmeos irmãos Kitchen, que não trocavam uma palavra, mas marcavam presença ao lado de Mike Milligan. Finalmente, a terceira temporada nos apresenta a Yuri e Meemo, um par igualmente fascinante e perigoso. 

E você? Qual o seu personagem preferido da série?

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