No dia 05 de novembro de 1983, às quatro da madrugada, o veículo semi-submarino Byford Dolphin passava por um dos maiores acidentes marítimos de toda a História. Ainda que os números não tenham sido chocantes, a explosão em seu interior definitivamente causou um grande alvoroço quanto às técnicas de extração de gás natural e petróleo, além de comover grande parte da comunidade britânica.

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Localizada em Hamilton, nas Bermudas, a plataforma – subsídio da Fred. Olsen Energy – já havia sido palco de um acidente em 1976, quando o equipamento principal encalhou e obrigou a tripulação a evacuar o recinto. Entretanto, foram sete anos mais tarde que a companhia sofreria um impacto gigantesco.

Durante a extração de gás no campo de Frigg, no setor norueguês do Mar do Norte, quatro mergulhadores estavam em um sistema de câmara submarina atada a uma pequena passagem para um diving bell, uma espécie de transporte para os funcionários que liga os múltiplos compartimentos da plataforma. O grupo era formado por Edwin CowardRoy LucasBjorn Giaever BergersenTruls Hellevik, auxiliado por outros mergulhadores, Crammond e Saunders.

Hellevik estava prestes a fechar a porta entre a passagem e a câmara quando houve uma descompressão explosiva, na qual a pressão interna passou de nove atmosferas para uma atmosfera. Um dos auxiliares, William Crammond, e todos os outros quatro mergulhadores morreram instantaneamente. Saunder, por sua vez, teve ferimentos bastante graves, mas permaneceu vivo.

O resultado foi desastroso: segundo investigações médicas, as quais encontraram uma grande quantidade de gordura nas artérias e veias restantes, os corpos sofreram embolia após a descompressão, formando uma rápida bolha nos complexos lipoproteicos das células, tornando-os insolúveis. A morte de três deles foi bem rápida, visto que a circulação parou imediatamente. O quarto foi desmembrado e mutilado pela força da água, empalando-o contra uma das frestas da porta aberta.

Hellevik, tendo sido exposto quase totalmente à explosão, foi forçado por uma pequena passagem de sessenta centímetros de diâmetro. O choque expeliu os órgãos de seu tórax e de seu abdômen, com exceção da espinha torácica e da traqueia.

O incidente teve explicações baseadas em falhas técnicas e uma gigantesca negligência por parte da equipe de engenharia. Afinal, segundo a investigação, o sistema de mergulho da Byford Dolphin estava obsoleto, sem equipamentos de proteção ou válvulas de escape de pressão, os quais teriam prevenido que a câmara fosse aberta enquanto o sistema permanecesse ligado.

Além das mortes, a Assossiação de Mergulhadores do Mar do Norte e seus parentes processaram a companhia e, em fevereiro de 2008, receberam a notícia de que a real causa foi falha estrutural e de equipamentos. 

Basicamente, todo o desastre aconteceu por conta da geração do Efeito Delta P, invisível e impossível de sentir até ser tarde demais. Por causa disso que muita gente recomenda que ninguém se aproxime de ralos de piscinas. A força de equiparação dos volumes de água é sempre muito forte e, no caso de Byford Dolphin, foi extrema.

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