Chefe da Bethesda diz que empresa vai se reorganizar em torno das ‘franquias mais fortes’
Jill Braff, chefe da Bethesda, confirmou reestruturação da empresa em torno de franquias como Fallout, Doom e Elder Scrolls após cortes na Xbox.
A Bethesda também sentiu o peso do reset da Xbox
Um dia depois da Xbox confirmar o corte de 3.200 empregos e a saída de cinco estúdios da empresa, como já detalhamos em cobertura anterior, a chefe da Bethesda, Jill Braff, enviou um comunicado próprio aos funcionários da publisher de Elder Scrolls e Fallout detalhando mudanças estruturais significativas. Segundo o IGN, a Bethesda foi atingida “de forma particularmente dura” pelos cortes, com funcionários de vários estúdios de desenvolvimento já informados sobre demissões ou enfrentando futuro incerto.
Braff foi direta sobre a motivação por trás das mudanças: “os cortes e a mudança de estratégia refletem as realidades da nossa indústria e do nosso negócio, e nossa responsabilidade de garantir que a Bethesda esteja operando a partir de uma base mais estável.”
O modelo que definiu décadas de trabalho está mudando
Durante anos, a Bethesda organizou seu negócio em torno dos roteiros individuais de seus estúdios de desenvolvimento, cada um operando de forma amplamente independente, apoiado por equipes centralizadas de publicação e corporativas. Segundo Braff, esse modelo permitiu à empresa criar algumas das franquias mais queridas da indústria, mas expectativas crescentes dos jogadores, complexidade cada vez maior de desenvolvimento e um mercado mais competitivo mudaram a economia do setor.
“Para posicionar melhor a Bethesda para o crescimento futuro, estamos mudando de um modelo de planejamento centrado principalmente no que vem a seguir para cada estúdio independente, para um que foca nas nossas franquias mais fortes e determina o roteiro de conteúdo que melhor atende nossos jogadores e a Bethesda como um todo”, escreveu a executiva. A partir dessa priorização, a empresa vai então alinhar talento, tecnologia e recursos certos em toda a organização.
As franquias que devem concentrar os investimentos
Segundo reportagem anterior da Bloomberg, a Bethesda vai focar em cinco franquias principais: Fallout, The Elder Scrolls, Doom, Quake e Wolfenstein. Outras propriedades importantes do catálogo da empresa, como Starfield e Indiana Jones and the Great Circle, não constam explicitamente nessa lista prioritária, o que levanta questões sobre o futuro de longo prazo desses títulos dentro da nova estrutura.
A Microsoft já havia confirmado, no mesmo anúncio de segunda-feira, que a Arkane Studios, responsável por Dishonored e Deathloop, será desinvestida da empresa. É um dado que reforça a lógica de concentração: mesmo franquias aclamadas pela crítica, mas sem o volume comercial das cinco prioritárias, estão sendo reavaliadas dentro do novo modelo.
A ironia de cortar justamente quem sustenta as franquias priorizadas
O anúncio de Braff sobre focar nas “franquias mais fortes” soa contraditório diante do que já reportamos: segundo relatos de ex-funcionários nas redes sociais, incluindo o fundador da 3D Realms Scott Miller, a Id Software, criadora justamente de Doom e Quake, duas das cinco franquias supostamente priorizadas, sofreu um número significativo de demissões, com a maioria de seus programadores afetados.
A contradição aparente ilustra a natureza do momento: mesmo estúdios que trabalham diretamente nas franquias que a Bethesda diz querer priorizar não ficaram imunes aos cortes gerais da reestruturação da Xbox.
O que Braff prometeu que não vai mudar
Apesar da reorganização estrutural, a executiva fez questão de reforçar que a identidade criativa dos estúdios da Bethesda permanece intacta. “Isso não muda a importância do trabalho criativo excepcional, do savoir-faire e da inovação, que é o que torna a Bethesda especial. As identidades, talento e expertise dos nossos estúdios e equipes seguem essenciais para o nosso sucesso”, escreveu.
“O que muda é como alinhamos essas forças, reunindo-as em torno das nossas franquias e propriedades intelectuais, para posicionar a Bethesda para crescimento de longo prazo e investimento contínuo no nosso futuro.” A frase, ainda que cuidadosamente formulada em linguagem corporativa, confirma o que a semana já vinha deixando claro: a era dos estúdios operando com relativa autonomia dentro do guarda-chuva da Bethesda está chegando ao fim, substituída por um modelo centralizado em torno de um número reduzido de apostas consideradas seguras.