Games

Petição contra o fim dos discos no PlayStation passa de 165 mil assinaturas

A petição "Don't Kill the Disc", contra o fim da produção de discos físicos da Sony, ultrapassou 165 mil assinaturas, e a PlayStation segue sem responder.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
5 min de leitura

Uma reação que não para de crescer

A petição “Don’t Kill the Disc: Tell Sony to Keep Physical PlayStation Games”, criada no Change.org horas depois do anúncio da Sony sobre o fim da produção de discos físicos a partir de janeiro de 2028, ultrapassou 165 mil assinaturas. O crescimento tem sido constante desde o lançamento em 1º de julho: 16 mil assinaturas no primeiro dia, 100 mil em quatro dias, 124 mil em menos de uma semana, e agora mais de 165 mil, com novos apoiadores aparecendo a cada poucos segundos, segundo o próprio site.

A campanha foi criada por Jade Pearce, CEO da PNP Games, pequena rede varejista canadense com três lojas físicas especializadas em jogos novos e usados. Não é a única petição em circulação: pelo menos 15 campanhas semelhantes já foram identificadas pedindo que a Sony reconsidere a decisão, mas a de Pearce se tornou, de longe, a mais popular.

O argumento central da petição

O texto de Pearce não se opõe ao formato digital em si, mas à eliminação de qualquer alternativa a ele. “Um disco é um jogo de verdade que você possui. Você pode emprestá-lo, trocá-lo, revendê-lo, presenteá-lo, colecioná-lo ou passá-lo para seus filhos. Uma caixa com apenas um código de download não é a mesma coisa. É uma licença digital numa embalagem plástica. Você não a possui. Você está alugando um acesso que pode ser revogado, e as pessoas já tiveram filmes comprados deletados de suas bibliotecas e jogos retirados de venda semanas após o lançamento”, diz o texto.

A petição também aponta o impacto econômico da decisão sobre uma cadeia inteira de empregos: “Isso também é sobre empregos. Jogos físicos sustentam uma indústria inteira que um futuro totalmente digital apaga silenciosamente: varejistas, distribuidores, fabricantes, armazenamento e logística, o mercado de usados e trocas, e a comunidade de colecionadores e preservação. São milhares de empregos e inúmeras pequenas empresas.”

A ironia que a própria Sony criou há treze anos

O argumento mais afiado da campanha de Pearce recupera um momento histórico específico: em 2013, no E3, a Sony conquistou uma geração inteira de jogadores prometendo que, ao comprar um jogo de PlayStation, o consumidor poderia trocá-lo, vendê-lo, emprestá-lo a um amigo, ou simplesmente “mantê-lo para sempre”. A empresa chegou a produzir um vídeo satírico zombando dos planos então vigentes da Microsoft de exigir conexão constante à internet para o Xbox One. “A ironia é difícil de ignorar”, escreve Pearce. “Treze anos depois, a Sony é quem está tirando isso.”

O silêncio incomum da PlayStation

De forma atípica para uma conta que costuma publicar conteúdo quase diariamente sobre jogos futuros, o perfil oficial da PlayStation no X permaneceu em silêncio total desde o anúncio de 1º de julho, com exceção de um único post compartilhando links para as próprias notícias oficiais sobre o fim dos discos e o fechamento das lojas de PS3 e Vita. Nenhuma resposta pública foi dada às críticas, às petições ou aos comentários de figuras influentes da indústria.

A Sony já havia esclarecido, em comunicado separado a desenvolvedores, que jogos lançados antes de janeiro de 2028 ainda poderão receber novas remessas de discos após essa data, mas isso não altera o fato de que nenhum jogo novo terá versão física real a partir daquele ponto, como já detalhamos em cobertura anterior.

Publicidade

Precedentes que alimentam (ou não) a esperança dos fãs

Casos anteriores de campanhas de fãs bem-sucedidas circulam como referência entre os signatários. Em 2012, uma petição com quase 100 mil assinaturas teria influenciado a decisão da Bandai Namco de lançar uma versão para PC de um jogo até então exclusivo de console. Após a repercussão negativa do final de Mass Effect 3, a BioWare lançou o DLC gratuito Extended Cut, adicionando cenas e contexto extra sem reescrever completamente o desfecho original.

Mas o cenário atual é estruturalmente diferente. Como já revelamos em reportagem anterior sobre a fábrica de Thalgau, na Áustria, a Sony já investiu €30 milhões em equipamentos para reconverter sua maior planta de produção de discos para fabricar microlentes ópticas, com funcionários já sendo retreinados. A decisão foi planejada com meses, possivelmente anos, de antecedência, o que torna um recuo dramaticamente menos provável do que nos precedentes citados pelos próprios manifestantes.

O que os signatários estão dizendo

Os comentários deixados na petição refletem frustração que vai além da questão prática de posse de mídia. “Sem mídia física, eu simplesmente não vou comprar outro console”, escreveu um usuário identificado como Nelson Ricardo. “Não confio mais na Sony, e o PS5 provavelmente será o último console que vou ter antes de migrar de vez para o PC.”

Outro signatário, identificado como Tony, descreveu ter migrado para o ecossistema PlayStation durante a geração do PS4 depois de jurar nunca trocar de marca, investindo tempo e dinheiro significativos na plataforma, com a expectativa de ser um cliente de longo prazo. Para esse perfil de consumidor, o anúncio representa não apenas uma mudança de política, mas uma quebra de confiança construída ao longo de anos.

Tags: #Playstation
Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp