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Crítica | 24 Frames – O adeus de Abbas Kiarostami

24 Frames é um projeto que parte de uma grande ideia, mas cuja execução fica aquém.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
23 de outubro de 2017 · 3 min de leitura
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*Este filme foi visto na 41º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

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24 Frames é um projeto que parte de uma grande ideia, mas cuja execução fica aquém. Último longa-metragem do mestre Abbas Kiarostami, o filme é composto de pinturas e fotografias que foram digitalizadas e animadas para ilustrar aquilo que o diretor imaginou que acontecera antes e depois dos instantes registrados pela câmera fotográfica e pelo pincel. Quase artesanal, esse é o conceito por trás dos 24 segmentos que constituem a duração total do filme. Cada um deles tem aproximadamente cinco minutos e não possui uma narrativa propriamente dita.

Teoricamente, a idealização de Kiarostami é perfeita. Além de ser um retorno mais que bem-vindo às primeiras imagens produzidas pelo cinematógrafo dos irmãos Lumière, é um mergulho no coração do cinema, à conceituação mais simples e fundamental: a das imagens em movimento. Tematicamente, se transformou em uma variação de alguns temas caros ao cineasta. A maioria dos episódios se concentra em animais (os pássaros são os que mais aparecem) e versam sobre a liberdade e o caráter predatório da natureza e dos homens. Geralmente, o centro é ocupado por alguma espécie e, quase sempre através do extra-campo, ouvimos ou surge algo capaz de ameaçar a vida.

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Infelizmente, o resultado é muito irregular. Ao passo que alguns dos frames chamam a atenção pela beleza plástica (como aquele em que vemos um grupo de pessoas olhando para a Torre Eiffell), pelo conceito (o episódio em que a volúpia do mar simboliza a vida que se fortalece dentro de uma vaca), pela denúncia (o segmento em que acompanhamos o desmatamento) e a defesa da liberdade (muitas imagens partem da perspectiva de quem está dentro de uma casa, impossibilitado de sair), o restante impressiona pela falta de criatividade e repetição, tanto imagética quanto temática. Os efeitos são impressionantes e quase todos os capítulos são profundamente atmosféricos, mas a maioria é esquecível e descartável.

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No entanto, o frame final é de uma beleza tão arrebatadora que a vontade é de perdoar todo o resto. Ao som da linda canção “Love Never Dies“, de Andrew Lloyd Webber, o diretor filma uma garota adormecida, com um computador à sua frente e no qual é exibido os últimos segundos de Os Melhores Anos De Nossas Vidas. Ilustrando todos os elementos que estão em jogo, é com essa imagem que o cineasta se despede do cinema e da vida, porém, não em um tom desesperançoso, cínico ou resignado, e sim através de uma mensagem de esperança e amor. O choro é inevitável, assim como o sorriso no rosto.

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Depois disso, só nos resta dizer: descanse em paz, Abbas Kiarostami.

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24 Frames (Idem, Irã – 2016)

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Direção: Abbas Kiarostami
Roteiro: Abbas Kiarostami
Gênero: Drama
Duração: 120 minutos

Tags: #41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo #Cinema #crítica #Filme
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