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Crítica | Bela Vingança – A Vendetta perfeita

Com Spoilers

É de conhecimento de todo cinéfilo que muitas produções audiovisuais costumam colocar com alguma frequência mulheres em alguma situação de risco, na maioria das vezes para representar abusos e agressões que sofrem no dia a dia. Em Bela Vingança (Emerald Fennell) há uma quebra no jeito que essa história é contada e apresentada.

Cassie (Carey Mulligan) é uma mulher que é mostrada, em um primeiro momento, como uma mulher dependente e que tem total noção do que está fazendo, no caso, dar lições em homens que imaginam que ela esteja sozinha em baladas e bares e que por supostamente estar bêbada acabam por tentar abusar dela.

Porém, tudo se mostra uma estratégia de Cassie para dar uma lição nos abusadores, e assim decide, em algumas situações, como irá agir em relação ao abuso que está sofrendo. Essa é a premissa inicial do longa, mas que muda bastante com o decorrer da narrativa e da trajetória da personagem;

Emerald Fennel (The Crown) que além de escrever o roteiro também dirigiu o longa, e mesmo não tendo muita experiência na direção, já que a maioria de seus trabalhos foram como atriz, acaba por se sair muito bem no trabalho. O resultado final, que pode ser visto na tela, é satisfatório e mostra que Emerald tem sim muito futuro como diretora. Ao apresentar a protagonista e os traumas do passado de Cassie acaba por fazer com que o espectador siga sua trajetória e também tentar descobrir o segredo que Cassie guarda para si, mas que em breve irá voltar para assombrá-la.

Roteiro Original

A direção de Emerald Fennel acaba ficando em segundo plano pelo bom trabalho feito com o roteiro, não à toa lhe concedeu o Oscar de Melhor Roteiro Original no ano de 2021, justamente por tratar de um tema atual e por dar uma abordagem a história que outros filmes geralmente não acabam por seguir. Produções como Doce Vingança e Vingança apresentam suas protagonistas sofrendo abuso sexual e fazem com que elas acabem por ir atrás de uma vingança particular contra os criminosos.

Em Bela Vingança ocorre algo diferente em relação a outras produções do gênero. No longa, Cassie já começa dando lições nos abusadores e depois que se descobre a respeito do acontecimento envolvendo sua amiga Nina, e sobre a protagonista ter largado a faculdade de medicina devido a esse trauma pessoal, que o filme realmente apresenta ao público o que realmente quer mostrar.

Cassie pensa em se vingar contra todos que praticaram o abuso contra Nina, e também contra aqueles que acobertaram a situação. O roteiro constrói a vingança de um jeito bastante inteligente, dando destaque para cada passo que a personagem irá dar. Mesmo carregando um drama pessoal o longa não emociona, e provavelmente não era essa a ideia, e sim a de mostrar como seria a vingança da protagonista.

Os plot twists

Como todo bom roteiro é comum que tenha os famosos plot twits, aquelas reviravoltas que acontecem em um ponto crucial de um filme e que servem para surpreender o espectador. Em Bela Vingança não há apenas um, mas dois plot twists. O primeiro acontece quando a personagem de Carey Mulligan é morta, algo que pega a todos de surpresa, pois por qual razão o roteiro iria matar sua protagonista?

Quando nos damos conta que fomos surpreendidos por tal acontecimento, pensando que a vingança pessoal de Cassie havia dado errado e que as pessoas que cometeram o crime contra a sua amiga Nina iriam sair impunes, e é aí que somos pegos de surpresa uma segunda vez com a explicação dos fatos.

Desta vez com um segundo plot twist, em que Cassie havia montado todo um plano para poder concluir sua vingança pessoal. Nesse plano incluía sua própria morte, como um sacrifício, para assim conseguir o que finalmente queria, que era o de prender os criminosos que causaram tanto mal para sua amiga e também para a própria protagonista. Na realidade, é um plot que não agrega muito ao filme, está ali apenas para surpreender e dar uma noção de que a personagem já estava morta por dentro, devido ao acontecimento envolvendo Nina.

Carey Mulligan em Ótima Atuação

Em uma de suas melhores atuações, Carey Mulligan (Vida Selvagens) entrega o que o público queria ver (não à toa foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2021). Ao dar vida a Cassie, Mulligan se joga na personagem, dando uma maior leveza para cenas dramáticas e se transforma em uma femme fatale a tal ponto de realmente causar o sentimento no público de tensão.

Carey é bastante conhecida por ter feito muitos papéis dramáticos, alguns sem sal e outros que poderiam ser mais bem trabalhados. É muito provável que este papel a tenha dado novos direcionamentos em relação a escolha de personagens e que também serve para a própria indústria cinematográfica olha a atriz com outros olhos e ter a sabedoria de que ela pode sim fazer outros tipos de personagens.

Quanto ao filme Bela Vingança, fica o sentimento de que o trabalho no longa foi bem feito, com uma trama construída em torno da protagonista e pensando qual caminho a personagem iria tomar desde o início, diferente de outras produções que não sabem bem o que vão fazer com a história. É interessante ver que um filme sobre vingança e que discute os abusos que muitas mulheres sofrem acabou se tornando um dos grandes filmes lançados em 2021.

Bela Vingança (Promising Young Woman, 2020 – EUA)

Direção: Emerald Fennell
Roteiro: Emerald Fennell
Elenco: Carey Mulligan, Adam Brody, Bo Burnham, Christopher Mintz-Plasse, Connie Britton
Gênero: Crime, Drama, Thriller
Duração: 113 min

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Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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