» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter para saber todas as notícias sobre cinema «

“Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”.

A clássica frase de Hamlet, icônica peça trágica de William Shakespeare, já serviu de inspiração para diversas e quase incontáveis obras que dançam entre a lucidez e a insanidade. É claro que grande parte dessas narrativas mergulha profundamente no escopo contraditório entre ciência e sobrenatural – e é a partir disso que Monstro do Pântano insurgiu, prometendo entregar ao fiel público da DC Universe uma competente e arrepiante série. Por enquanto, o show criado por Mark Verheiden e Gary Dauberman se restringiu a uma infeliz zona de conforto que ousou em pouquíssimos momentos. Não tiro mérito da ambiência corajosa e ambiciosa promovida pelos showrunners, mas é inegável dizer que a entrega final deixou um pouco a desejar.

Depois de complicadas iterações nas duas últimas semanas, a série retornou ao seu auge com Drive All Night. Jogando-se de cabeça no aspecto divinal encarnada por seu personagem-título, o quinto episódio da primeira e única temporada, escala degraus surpreendentes e reviravoltas que sutilmente foram construídos nas investidas anteriores. Abandonando os fillers predecessores, Verheiden e Dauberman supervisionam a volta do protagonismo de Abby Arcane (Crystal Reed) e a criatura/Alec Holland (Andy Bean), aproveitando o fértil terreno para realizar revelações de extrema importância para a conturbada organicidade da obscura cidade de Marais.

Basicamente, a dupla supracitada, em colaboração com o roteirista Franklin jin Rho, resolve varrer para debaixo do tapete as quase convincentes forças que assolaram o pântano e canalizar o foco para os podres que se escondem na profundeza das águas – incluindo os segredos mortais que a família Sutherland insiste em esconder dentro de quatro paredes. Afinal, Avery (Will Patton) já provou que não tem escrúpulos no tocante a conseguir o que quer, arquitetando planos malignos para tirar cada um de seus obstáculos de circulação; Maria (Virginia Madsen) permanece vivendo dentro de uma mentira e, clamando por sua falecida filha, utiliza a jovem Susie (Elle Graham) como receptáculo para uma diabólica Shawna (Given Sharp).

É interessante observar como as tramas em segundo plano são transpostas para nossa principal atenção, ao mesmo tempo que expande progressivamente a mitologia de Marais: Maria se vê num estado de quase morte quando segue o espírito de Shawna para dentro do pântano, eventualmente arrastada para se juntar a ela de uma vez por todas. Em contrapartida, seu marido se vê num ciclo de constante negação e se recusa a abrir os olhos para os perigos que espreitam a densa floresta – o que, pelo que podemos imaginar, pode ter consequências bastante graves num futuro próximo.

O episódio traz consigo pouquíssimas falhas – e os erros em questão são pelo potencial desperdiçado de uma das sequências mais intrigantes. Logo nos primeiros minutos, o irreverente Daniel (Ian Ziering) entra em seu carro e dirige em alta velocidade para os limites da cidade, mas para momentos antes de cruzar a fronteira. Por quê? Bom, ao que tudo indica, Monstro do Pântano resolveu pegar alguns elementos da fantasiosa Once Upon a Time, criando uma espécie de barreira invisível que impede seus habitantes de saírem antes do grand finale. E, como já ficou bem claro, Abby é a força-motriz para que tudo se revele num frenesi alucinante e irreversível – mesmo que ainda não saibamos de que forma ele irá se desenrolar.

Por enquanto, a série ainda está relativamente longe de seu final, e esse talvez seja o motivo principal para que as pontas soltas tenham exponencialmente se multiplicado: não sabemos o motivo exato de Alec ter sido “escolhido” para se transformar em uma criatura protetora da natureza; desconhecemos o objetivo de Shawna em relação à sua precoce morte, ainda que nos tenha sido revelado que ela foi arrastada por algo quando caiu no rio; Avery torna-se uma incógnita por contar com frases ambíguas como irá recuperar seu poder; e Madame Xanadu (Jeryl Prescott), a vidente de Marais, comentou há algum tempo que uma tempestade se aproxima da cidade e de cada um de seus habitantes. O que isso quer dizer? Só o tempo dirá – ou ao menos é o que esperamos.

Numa perspectiva mais generalizada, são esses múltiplos cliffhangers que nos mantêm atentos semana após semana. O único problema, entretanto, é pensar de que forma os arcos irão se concluir sem ceder aos apressados clichês de final de temporada – e sem eliminar sumariamente os personagens. Pelo menos Verheiden e Dauberman estão no caminho certo em escolher momentos significativos para revelar a verdadeira natureza dessas personas (Lucilia Cable, interpretada por Jennifer Beals, foi a escolhida da semana).

Monstro do Pântano finalmente nos deu as graças de um episódio competente do começo ao fim, aumentando as expectativas dos telespectadores para os próximos eventos. Agora, é necessário uma paciente espera para que as coisas se desenrolem da forma mais natural possível: sem finalizações corridas e deus ex machinas formulaicos.

Monstro do Pântano  – 01×05: Drive All Night (Swamp Thing, 2019 – EUA)

Criado por: Mark Verheiden, Gary Dauberman
Direção: Greg Beeman
Roteiro: Franklin jin Rho, baseado nos personagens de Len Wein e Bernie Wrightson
Elenco: Andy Bean, Derek Mears, Crystal Reed, Maria Sten, Jeryl Prescott, Virginia Madsen, Will Patton, Henderson Wade, Kevin Durand
Emissora: DC Universe
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 53 minutos

Comente!