Cinema

Crítica | O Primata é ideia de terror simples com realização competente

Embora seja extremamente violento (o que pode incomodar espectadores mais sensíveis), O Primata é um exercício de gênero despretensioso

Daniel Moreno
Daniel Moreno Redação
4 min de leitura
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O Primata é um filme de terror despretensioso que usa a velha fórmula de “animal assassino” com esmero. Sem precisar de mais de 90 minutos para contar sua história, é uma boa opção para quem não está muito interessado em polêmicas vazias artificialmente criadas em torno de franquias de filmes intermináveis. É apenas um filme de gênero realizado com competência que mira não só o fanático do gênero, mas também o espectador comum.

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Quando não havia redes sociais e os cinemas estavam lá, abertos o dia todo, esperando pelo público, muitos filmes dispunham de poucos mais que um cartaz grudado na parede e seis fotos de divulgação para convencer o espectador a comprar seu ingresso. Não havia 20 teasers anunciando o filme seis meses antes, nem “comunidades” de fãs antecipando a trama do filme antes mesmo de ele ficar pronto. Era um jogo em que o público realmente “escolhia” o que queria ver – diferente de hoje, quando parece que são os filmes (através dos algoritmos) que “escolhem” a audiência.

Embora lançado em 2026, O Primata parece um filme dessa época. Não que ele seja antiquado na realização ou no tom – mas sim porque ele é um filme tipicamente de gênero e que parece depender apenas de seus atrativos naturais e qualidades para atrair o público. Não há muitos subterfúgios por trás da proposta e é nessa espécie de “honestidade estética” onde reside sua maior qualidade.

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Na trama, a jovem Lucy (Johnny Sequoyah) está retornando da faculdade para a idílica casa de sua família no Havaí acompanhada de uma dupla de amigas da mesma idade. Seu pai é um escritor de sucesso e tem como animal doméstico o chimpanzé Ben (Miguel Torres Umba), que eventualmente contrai raiva, tornando-se extremamente agressivo e obrigando o grupo de universitárias a encontrar maneiras de sobreviver enquanto alguma ajuda não chega.

Sem muito espaço para “originalidade” dentro do formato, a proposta do filme dirigido pelo experiente Johannes Roberts é se sair bem dentro de um jogo de expectativas típico ao gênero: é preciso manter o suspense, tornar crível a situação toda e fazer com que o macaco seja assustador o bastante, sem contudo apelar para exageros como torná-lo uma “máquina de matar” com poderes sobrenaturais ou QI 150. O enredo não apela a isso em momento algum, assim como abre mão de outras alternativas que seriam fáceis ou até mesmo esperadas (como erotizar o elenco feminino). Da mesma forma, a verossimilhança é mantida em grande parte do tempo. Apenas em duas ocasiões os personagens parecem agir de maneira relativamente estúpida para que a narrativa continue, o que é um placar bem modesto numa época em que todo tipo de patetice é aceita em nome da artificialidade do efeito que se pretende provocar na plateia.

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A parte da interação do macaco com os atores é muito bem realizada, mantendo realismo e permitindo até mesmo uma performance do ator que dá vida aos movimentos digitalizados do animal. O espetáculo se divide entre o “filme de criatura” e o “filme de cativeiro”, visto que as meninas não conseguem sair da casa. Três ou quatro cenas são dirigidas e editadas com bastante precisão, os momentos alternados de ação e espera funcionam bem e até mesmo o silêncio (esse “personagem” meio sumido de Hollywood ultimamente) contribui para a construção do suspense.

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Embora seja extremamente violento (o que pode incomodar espectadores mais sensíveis), O Primata é um exercício de gênero despretensioso, competente, ligeiro e eventualmente assustador. Nada mal se você estivesse passando por uma sala de cinema de rua em meados dos anos 1990 e decidisse entrar no ar condicionado para fugir de uma tarde de calor. Mas funciona também em 2026, num sábado à noite no cinema do shopping ou mesmo daqui a algumas semanas, quando aparecer nas plataformas de streaming.

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Tags: #Cinema
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