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Crítica | Preacher – 02×06: Sokosha

Depois da fraca interrupção com Dallas, a segunda temporada de Preacher toma outro desvio nos minutos iniciais de Sokosha. Porém, se na semana passada estavamos diante de um backstory para algo que já sabemos, aqui somos instigados pelo mistério, já que conhecemos personagens estranhos e uma situação que não nos fica clara até a metade final do episódio.

Abrimos com um homem japonês (James Kyson, de Heroes) falando com um casal, e pelo contexto entendemos que ele os convence a doar alguma coisa em troca de pagamento, e que o procedimento é bem complicado. Quando o sujeito aceita, o homem tira abre um equipamento bizarro e, em uma sequência particularmente agonizante, usa uma agulha para retirar um determinado líquido de um dos testículos do “cliente”. Ele entrega um cheque e segue com a vida, parando em uma luxuosa casa para entregar o líquido para uma família rica, agora brilhando dentro de um frasco. O japonês coleta um pagamento milionário, seguindo então para uma van blindada com inscrições asiáticas na porta. Começam os créditos.

Curioso, pra dizer o mínimo. Confesso que, não fosse a identidade visual já bem estabelecida da série, cheguei a questionar se estava realmente assistindo a série certa. Porém, voltamos ao núcleo principal com Jesse (Dominic Cooper), Cassidy (Joseph Gilgun) e Tulipa (Ruth Negga) finalmente reunidos e jogando conversa fora, agora discutindo sobre reality shows na cozinha de Denis (Ronald Guttman) enquanto tomam um belo café da manhã. Mas a felicidade dura pouco quando o Santo dos Assassinos (Graham McTavish) chega até o apartamento com a ajuda de Alison (Stella Allen) e inicia mais uma chacina pela procura do Pastor – vale destacar o ótimo plano plongée onde vemos o sangue pintando a soleira da porta de um dos apartamentos.

O trio consegue fugir antes que o Santo exploda suas cabeças, mas felizmente o roteiro de Mary Laws faz com que os personagens resolvam enfrentar o cowboy, e não entrar em um loop eterno de fugir de sua cruzada. Assim, o trio aprende sobre o passado do Santo dos Assassinos em uma biblioteca, com direito a livros, gibis (incluindo as páginas da graphic novel de Garth Ennis e Steve Dillon) e até um “tour” via gravação de áudio. Uma interrupção nada sutil para esparramar exposição pela mesa e para o espectador – que já sabia de boa parte das informações -, mas que traz algo novo à jogada ao nos revelar que o cowboy precisa de uma alma para entrar no Paraíso, dando a Jesse a ideia de uma negociação.

Voltando ao apartamento, encontramos o Santo ameaçando matar o indefeso Denis, que começa a passar mal pela ausência de um remédio. Jesse então começa a argumentar com o implacável perseguidor, oferecendo a ele uma barganha: ele o ajuda a conseguir uma alma para entrar no Paraíso, justificando que Deus está desaparecido, na condição de que ele pare de persegui-lo e deixe seus amigos em paz. A partir daí, o episódio divide os núcleos e acompanhamos paralelamente a busca de Jesse enquanto Tulipa, Cassidy e Denis aguardam com o ameaçador cowboy. Pouco sai desse núcleo, apenas a bombástica revelação de que Denis é o filho de Cassidy, o que já torna o vampiro um personagem ainda mais complexo e interessante.

As coisas ficam mais interessantes com Jesse, e o enigmático prólogo enfim faz sentido ao termos a realização do produto que o homem japonês negocia: almas. Sim, o líquido retirado dos genitias do homem na abertura eram fragmentos de sua alma, nos apresentando a um mercado negro onde pessoas podem vender porcentagens de suas almas em troca de dinheiro, e confesso que estou impressionado pela criatividade que esse universo louco vem trazendo a cada semana. Após uma acelerada resolução, que envolve Jesse usando o Gênesis em um policial para forçar a abertura do carro forte, Jesse acaba oferecendo 1% de sua própria alma para levar ao Santo, visto que neste negócio sujo, as almas também precisam ser compatíveis ao cliente.

Após uma sequência tensa de montagem paralela, onde a música do sempre excepcional Dave Porter atinge níveis memoráveis, Jesse retorna ao apartamento e entrega a alma para o Santo. Porém, é aí que o roteiro nos surpreende e revela que era tudo uma armadilha do Pastor: com o Santo agora tendo um fragmento de alma dentro de si, Jesse é capaz de controlá-lo com o Gênesis, e enfim neutraliza o cowboy. Ao invés de enviá-lo para o Inferno (visto que ele tem um pouco de Jesse consigo), o protagonista o trancafia na van blindada dos japoneses e a despeja no pântano. Mesmo sendo uma vitória triunfal, claramente os showrunners estão guardando o antagonista para o futuro. Uma sábia decisão.

Este sexto episódio foi uma viagem rápida e eficiente. Sem oscilar entre os demais núcleos de Cara de Cu, Graal ou qualquer coisa do passado dos personagens, tivemos 45 minutos de dinamismo, conceitos interessantes e uma expansão ainda maior para o mundo fantástico de Preacher. Uma boa mudança de ritmo após a semana passada, e agora deixa espaço livre para que Herr Starr finalmente faça sua estreia…

Preacher – 02×06: Sokosha (EUA, 2017)

Criado por: Sam Catlin, Seth Rogen e Evan Goldberg, baseado na obra de Garth Ennis e Steve Dillon
Direção: David Evans
Roteiro: Mary Laws
Elenco: Dominic Cooper, Ruth Negga, Joseph Gilgun, Ronald Guttman, Noah Taylor, Ian Colletti, Amy Hill, Frankie Muniz, Graham McTavish, James Kyson
Emissora: AMC
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 45 min

Confira AQUI nosso guia de episódios da temporada

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Publicado por Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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