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Crítica | Predadores Assassinos – A hora dos jacarés brilharem

Sendo uma experiência rápida e com ótimos momentos de suspense, Predadores Assassinos é uma surpresa agradável em um ano

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
13 de setembro de 2019 · 4 min de leitura
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Crítica | Predadores Assassinos – A hora dos jacarés brilharem

Quando Steven Spielberg lançou Tubarão em 1976, víamos a popularização de um tipo de história não cinema que já era seminal na literatura: o homem contra uma fera incontrolável. Ao longo dos anos, os antagonistas evoluíram de tubarões para leões, ursos, crocodilos e literalmente qualquer tipo de animal que apresente uma ameaça à dominância da cadeia alimentar. Provando que ainda é possível explorar esse tipo de conceito, Predadores Assassinos chega de forma bem discreta entre outros lançamentos maiores de 2019, sendo eficiente ao colocar jacarés na posição de antagonistas – garantindo boa diversão.

A trama joga o espectador no meio da Flórida, onde um furacão catastrófico traz inundações e muita destruição para uma pequena cidade. Nesse cenário, a nadadora Haley (Kaya Scodelario) precisa adentrar sua casa antiga para resgatar seu pai (Barry Pepper), que ficou preso alguns momentos antes do alerta de furacão. Esse é o menor dos problemas, já que a inundação trouxe um grupo de jacarés mortais para o porão da casa, e agora a missão de Haley de salvar seu pai fica ainda mais perigosa e intensa.

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Direto ao ponto

Predadores Assassinos sabe exatamente o que quer fazer. Em menos de 90 minutos de projeção, somos jogados a uma simples história de sobrevivência, onde o roteiro básico e batido dos irmãos Michael e Shawn Rasmussen serve apenas para que o diretor Alexandre Aja possa testar suas habilidades como condutor de tensão. A dupla até tenta trazer um discurso motivacional e desenvolver a relação entre Haley e seu pai, apelando para flashbacks e – claro – uma assimilação entre a sobrevivência real com o esporte da natação (é um foreshadowing óbvio, mas divertido, que Haley nade para uma equipe batizada justamente de “Gators”, Jacarés), mas o resultado não é nem de longe tão eficiente ou profundo quanto o desejado – ficando bem abaixo de, para citar um exemplo no mesmo gênero, o ótimo Águas Rasas.

Quando chegamos ao filé da projeção, o diretor Alexandre Aja faz valer o investimento. Limitando-se à mesma locação por quase boa parte da narrativa, o cineasta ajuda a tornar cada canto daquele porão inundado familiar, sendo um belo exercício de ambientação, que possibilita os sustos e tensões que virão a seguir. Por mais que os jacarés sejam claramente criações digitais, Aja é inteligente ao escondê-los nas sombras por boa parte dos ataques, ao passo em que o design sonoro é o grande responsável por torná-los tão assustadores. Os jump scares estão bem presentes aqui, mas são bem construídos e orgânicos, já que os ventos e batidas do furacão estão sempre bem mixados ao fundo.

O problema, porém, volta para o roteiro dos Rasmussen. Por mais que seja uma narrativa linear e bem simples, a dupla se atrapalha na busca por justificativas para manter os personagens presos dentro da casa. Quando estamos diante de uma possível solução ou fuga para Haley e seu pai, o texto inventa alguma forma de prolongar a duração por mais alguns minutos. É uma tática que se torna repetitiva e pouco inspiradora, principalmente na porção final do longa, e posso apenas imaginar que essas poderiam ter saído de observações do estúdio para “prolongar” a tensão – algo escancarado pela cena em que cortamos para um grupo de ladrões em um barco à frente da casa de Haley.

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A hora de Kaya

E se comentei acima que o design sonoro era o grande responsável por tornar as criaturas assustadoras, vai aqui um pequeno retcon: é mesmo Kaya Scodelario quem realmente nos convence de seu perigo. A atriz, inclusive, traz uma grande presença de cena e mostra-se bem capaz de assumir o papel da “final girl” que foi tão bem representado, novamente, por Blake Lively em Águas Rasas. Scodelario domina o filme todo praticamente sozinha, sendo bem auxiliada por um Barry Pepper mais discreto, mas carismático.

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Sendo uma experiência rápida e com ótimos momentos de suspense, Predadores Assassinos é uma surpresa agradável em um ano onde todo filme de Hollywood precisa ser o maior evento possível. O terror de Alexandre Aja tem seus excessos, mas é um bom exercício de tensão com uma história simples, e que praticamente demanda mais papéis assim para Kaya Scodelario. Mesmo imperfeito, é ótimo que esse tipo de filme ainda seja lançado nos cinemas.

Predadores Assassinos (Crawl, EUA – 2019)

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Direção: Alexandre Aja
Roteiro: Michael Rasmussen e Shawn Rasmussen
Elenco: Kaya Scodelario, Barry Pepper, Morfydd Clark, Ross Anderson, Jose Palma
Gênero: Suspense, Aventura
Duração: 87 min

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Tags: #Alexandre Aja #Barry Pepper #Kaya Scodelario #Morfydd Clark
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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