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Crítica | Scream Queens – 2×03: Handidates

nota-4,5

O Massacre de Halloween do Hospital da Nossa Senhora do Eterno Sofrimento é a grande base para a matança que ocorre nesta temporada, e no terceiro episódio de Scream Queens – intitulado Handidates -, finalmente somos apresentados a mais respostas sobre quem o assassino pode ser. Claro, há muitas piadas que não necessariamente se relacionam com o fato, mas fique ligado para a trágica morte de um personagem essencial. E aqui vamos nós, continuando da morte do pobre Tyler.

Nos primeiros minutos deste novo episódio, Chanel pula de seu insight sobre mais um assassino em série estar solta para culpar Chanel #5 sobre todos os acontecimentos dos últimos dias. E antes que uma discussão se apodere da cena do crime, Munsch entra e logo resolve o que fazer com o cadáver: para não chamar a atenção dos outros funcionários e dos pacientes, resolve jogar o corpo no pântano e deixar que a própria natureza se encarregue de acabar com qualquer evidência – nos lembrando muito de Norman Bates em Psicose, para dizer a verdade. Fica claro, a partir daqui, que o alvo do serial killer são os pacientes do C.U.R.E.

Em uma das cenas mais sanguinolentas até hoje, o amigo de Chad diagnosticado com estresse pós-traumático agudo parece ter se curado de forma voluntária e quase entra em pranto ao se sentir assim. À medida eu celebra, vai procurar os médicos ou seu amigo para contar as boas novas, quando o elevador se abre e o Diabo Verde aparece, calmamente caminhando na direção de sua próxima vítima. E isso não seria Scream Queens sem um diálogo superexpositivo contrastando com o assassinato – principalmente quando o antagonista dilacera seu peito e ele grita alegremente o quanto aquilo dói. Ao menos ele aproveitou sua cura – ainda que por dois minutos.

Uma das melhore sequências do episódio, no entanto, envolve o retorno de Munsch, Chanel e suas “minions” à cela de segurança máxima na qual Hester está encarcerada. Elas precisam de respostas – e a prisioneira as possui. Utilizando-se de sua incrível ironia ácida, a personagem interpretada por Jamie Lee Curtis atende à exigência de Hester ao dar uma cópia do filme A Room with a View (Um Quarto com Janela, em tradução literal). Ela, por sua vez, diz várias vezes que as pistas estão bem ali, na frente de todas, e que elas estão sendo estúpidas por não se atentarem aos fatos. O diálogo, carregado com o humor negro próprio das criações de Ryan Murphy, é um dos bem mais construídos da série – fazendo referências inclusive a Hannibal Lecter, de O Silêncio dos Inocentes.

Outras subtramas também pegam os ganchos dos episódios anteriores: Chad e Dr. Brock continuam a disputar o coração de Chanel – a qual não se importa muito com a rivalidade, contanto que aprisione a atenção dos dois. Como visto em Warts and All (2×02), o ex-namorado da protagonista descobriu que seu novo pretendente passou por um transplante de mão e que, de algum modo, as conexões neurais do doador estão interferindo na própria personalidade do doutor – o qual justifica algumas ações duvidáveis com a ocorrência de “espasmos”.

Dr. Cassidy e Chanel #3 trazem ainda mais química para a tela ao cuidar de uma nova paciente, Sheila (participação especial de Cheri Oteri), diagnosticada com a Síndrome da Excitação Sexual Persistente – cujo principal sintoma é a ocorrência de orgasmos em intervalos de tempo curtíssimos. Vários segredos de ambos os lados são revelados, consumando a relação entre os dois em meio a falas aceleradas e uma composição digna dos famosos dramas médicos como Grey’s Anatomy e E.R.

Chamberlain e Zayday, apesar de não trazerem consigo a faísca romântica dos outros supostos casais da série, são alvos de cenas muito importantes inclusive para o conexão passado-presente de Scream Queens. Em dado momento, o assassino faz mais uma jogada e acaba por ferir o personagem de James Earl. Zayday, por sua vez, sai intacta do ataque inesperado, nos levando a suspeitar de uma possível relação desconhecida entre ela e o serial killer – afinal, o Demônio Vermelho da primeira temporada possuía uma estranha obsessão com a personagem.

Apesar de Handidates pecar em alguns pontos – principalmente no excesso de personagens coadjuvantes e na sutil perda de ritmo – o crédito maior vai para o roteiro de Ian Brennan: veja, Scream Queens é uma série tragicômica que usa o trash como base. E neste episódio em especial, todos os clichês, explicações absurdas e resoluções improváveis foram utilizados a favor da trama principal. O nonsense corre solto, seja nos planos holandeses muito bem construídos para captar o tom claustrofóbico e sobrenatural do hospital, ou nas conversas autoexplicativas entre os personagens.

Ora, Chanel, alguns minutos antes do episódio, é pedida em casamento por seu ex-namorado de forma cínica e completamente inesperada – e no dia seguinte resolvem fazer a celebração. Chad, por sua vez, por começar a trabalhar no C.U.R.E., sente-se apto para aprender e realizar uma operação de transplante. E Cassidy está (alerta de spoiler) morto!

Scream Queens mantém seu ritmo frenético neste mais novo episódio, trazendo mais informações novas sobre o passado conturbado das personagens principais e resolvendo pedaços do mistério principal. A série, aqui, já ganhou uma identidade mais sólida – e cada vez mais se afasta de sua caracterização como “simulacro às avessas” de American Horror Story.

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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