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Sim, tenho ciência de que já fazem duas semanas desde que a última crítica de Scream Queens foi postada no site. E não, nesta semana não tivemos um episódio duplo da série, mas resolvi unir dois textos em um só. O motivo? De forme generalizada, posso dizer que um episódio complementou o outro, mesmo que o sétimo tenha sido extremamente superior ao sexto.

Em Blood Drive, transmitido no dia 27 de novembro, somos apresentados a uma ironia um tanto quanto interessante dentro das instalações do C.U.R.E.: apesar do assassino estar deixando um rastro de destruição e fervor por cada quarto que visita, o hospital está sofrendo com uma falta crítica de sangue, principalmente do tipo O negativo, para deixar bem claro. Para suprirem essa necessidade, Chanel (Emma Roberts) decide criar uma competição – e cuja ideia é aceita de forma sem precedentes por Munsch (Jamie Lee Curtis). Nem mesmo durante os treze episódios de sua temporada de estreia, tivemos uma concordância mútua entre as duas personagens, as quais mostraram uma evolução no quesito profissionalismo sem abandonar as características bizarras que fazem parte de sua personalidade.

Mas os momentos de alegria duram pouco quando todos resolvem se voltar contra Chanel. A dona do hospital entra em conluio com a Dra. Hoffel (Kirstie Alley) para acabar com a reputação da assassina de sua irmã. Sim, descobrimos que Ingrid é irmã da falecida e ex-empregada da fraternidade Kappa Kappa Tau, Agatha Bean, cujo destino encontrou um fim nas mãos da personagem de Roberts.

Além de tais revelações, descobrimos também que Dr. Cascade (Taylor Lautner) é um dos serial killers. E basicamente é isso que ocorre no sexto episódio. Muitas viradas, mas nenhuma com o clímax que desejávamos. Nem mesmo os trâmites entre personagens tão diferentes entre si conseguiram o esperado ou deram o resultado que aguardávamos desde o episódio de estreia em setembro. E o grande problema aqui foi a estruturação do roteiro, o qual, invés de seguir o padrão dos outros e transformar todos os clichês em pontos fortes para a caracterização da série, tornou-se um deles e negou a estética transgressora típica de uma criação de Ryan Murphy.

As suspeitas sobre Cassidy Cascade já haviam emergido desde o episódio anterior, mas mantê-lo dentro da subtrama antagonista não foi uma jogada muito sábia: seu arco narrativo não é um dos melhores da série, e sua unilateralidade o torna alguém monótono. Sabemos de seu passado psicossomático e de sua autoidealização como um cadáver médico – uma caracterização que faz jus ao tom mórbido de Scream Queens; entretanto, ainda não o bastante para podermos nos conectar a ele. Além disso, Hoffel decide embarcar nesta jornada sanguinária – e aqui não temos um, nem dois, mas três assassinos. Duas coisas podem acontecer: a temporada ter consciência de sua duração e utilizar artifícios de eliminação sumária para encolher o vasto elenco secundário, ou cair num abismo de círculos sem fins e explicações mal formuladas.

Uma das histórias que mais interessaram o público neste segundo ano foi a trama que envolvia o transplante de mão de Dr. Holt (John Stamos). Tivemos uma leve preview nos episódios anteriores de situações constrangedoras e assustadoras envolvendo o órgão, mas The Hand, como o próprio nome indica, foi o capítulo destinado para sua exploração mais profunda. A aposta nesta linha narrativa interessou-me desde o começo, principalmente por tratar do tema membro-fantasma com uma sátira ácida e fluida ao mesmo tempo.

Sabemos que a mão direita do chefe da cardiologia não lhe pertence, mas foi doado após a morte de um jogador de squash homicida que foi responsável pela morte de mais de seiscentas pessoas. E, como é do feitio de Murphy, suas consequências psicológicas em Holt superam as cabíveis no mundo da medicina: o órgão ganha vida própria diversas vezes e neste capítulo ganha até uma voz subconsciente.

Naturalmente, alguém com as condições do médico seria automaticamente colocado na lista de suspeitos primária, mas o roteiro de Brad Falchuk consegue superar a mediocridade do de Ian Brennan em Blood Drive, entregando-nos talvez não o melhor capítulo deste novo ano e que possa fazer conexões muito profundas, mas uma história tragicômica sobre superação e vitória que envolve todos os nossos personagens favoritos dentro de uma sala de cirurgia – e cujo pano de fundo envolve uma separação de gêmeos feito com uma mão só (pois é. Meu nível de incredulidade passou do limite, também).

A análise vem comparando os dois episódios. Blood Drive e The Hand podem funcionar como um capítulo só; afinal, sozinhos, nenhum agrega tanto valor assim à segunda temporada, mas suas linhas narrativas secundárias são colocadas num pedestal maior para nos afastar do que realmente está acontecendo. Os assassinos estão à solta, e seu complô pode trazer a ruína aos nossos protagonistas de forma muito mais brutal que o ocorrido na temporada de estreia. Até agora, os pacientes e as Chanels secundárias reforçaram uma das leis do gore de eliminação do elenco de apoio – e todos ali sabem disso. Murphy diz mais de uma vez para nos relembrarmos de toda a essência de Scream Queens e esperarmos por uma virada ainda maior do que nos foi apresentado.

Como o conjunto mostrou-se superior a suas partes individuais, confesso que essas duas últimas semanas da série foram um tanto quanto decepcionantes. Não por abandonaram completamente o que vinham trazido, mas por não cumprirem o sentimento de angústia e de pânico que cultivaram no público que acompanha as oscilações entre ironia extrema e melodrama novelesco desde o ano passado. Espero do fundo do coração que as coisas engatem novamente. De verdade.

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