Cada vez mais os filmes de terror tentam inovar nos sustos, seja colocando os personagens em um ambiente inóspito e isolado ou fazendo com que algo apareça pelas costas para pregar o famoso susto surpresa, ou então inserindo uma trama que tenta se sustentar em cima do vilão. Tudo isso e mais um pouco é encontrado em Slender Man – Pesadelo Sem Rosto, e tudo apresentado de forma exagerada e bizarra que o faz ser um dos piores filmes de terror dos últimos anos. 

O principal problema foi a criação da atmosfera de terror que envolve todo o vilão e as protagonistas. O diretor (Sylvain White) cria um clima sombrio, sem tensão nem suspense, e quando tenta nos fazer acreditar que nada vai acontecer dando um ar de normalidade ela é quebrada com a música, aí fica fácil saber que virá algum susto de algum lugar. Na floresta que é o habitat natural de Slender Man é o lugar que poderia rolar algo de diferente, mas ele cai na mesmice de outras produções como A Morte do Demônio ou a Bruxa de Blair com correria e mais correria sem rumo pela floresta e sem saber ao certo qual rumo tomar.

Há uma necessidade exagerada em querer assustar, mesmo que não haja motivo algum para isso acontecer, ou tentam criar um suspense com a música (que é a única coisa assustadora no filme) ou com jogadas rápidas de câmera ou as levando ao que se parece ser a provável loucura que a entidade cria na cabeça das garotas. Essa obrigatoriedade em ter que assustar atrapalha bastante o andamento da história, pois ela é deixada de lado como algo secundário só para se focar em jeitos múltiplos de assustar o telespectador. 

O principal atrativo da trama é obviamente Slender Man e até nisso erraram. Todos já sabem quem é o vilão, ele aparece no marketing e sua imagem é bastante disseminada pela internet. Em produções do gênero de terror é comum se esconder quem é o ser que atormenta famílias ou grupo de adolescentes, só que aqui há um exagero. Escondem tanto que quando ele aparece há uma desilusão, pois ele não é nem assustador, nem apavorante. Sempre que surgia não fazia nada, e quando fazia não era mostrado, um corte e ia para outra cena, nem se quer pensaram em o mostrar agindo na outra dimensão (lugar onde possivelmente reside), diferente do que ocorreu na série Stranger Things ou no filme Sobrenatural, a diferença é que nessas duas produções a ambientação de onde estaria escondida a entidade ou monstro foi bem construída e não jogada como acontece aqui. É um vilão diferente que tinha tudo para ser diferente e assustador, mas ficou sem graça e em alguns momentos ridículo. 

O uso da trilha sonora é a única coisa angustiante e que nos lembra que estamos em uma produção de terror, é uma trilha que ajuda a dar os sustos que funcionam, mas depois de um tempo ela se torna parte do filme e você esquece dela, há também um uso desnecessário para a trilha, há cenas em que ela não é necessária, mas mesmo assim está lá fazendo parte como se fosse um objeto de cena. Já o uso dos jump scares são excessivos e nada surpreendentes, funcionam de início, mas depois devido a muita repetição da prática se torna monótona e vergonhosa. 

O roteiro se equívoca em contar a origem do ser que dá nome a produção. Como se sabe, Slender Man tem origem em um meme feito pela internet e essa origem chega a ser pelo menos usada rapidamente no filme como fato determinante para disseminá-lo como um vírus para todos que o assistem. Só que o roteiro nos leva a vários significados de quem é Slender Man, de onde vem e o que faz com as pessoas que o convocam, só que dão tantas alternativas sobre essas curiosidades que em algum momento tudo se torna confuso demais. Vai pela linha de que Slender se prende nas memórias para atormentar as pessoas, de que ele é uma entidade gerada de eletricidade, ou que seria algo vindo do sobrenatural. Misturam ocultismo, demônios e sobrenatural. Várias questões e temas que são levantados, mas que claramente foram jogados ali para dar maior corpo para a história e tentar a tornar mais atrativa, algo difícil de acontecer com tantos fatos sendo evidenciados e nada trabalhados. 

Do elenco Joey King (A Barraca do Beijo) e Annalise Basso (Capitão Fantástico) são as mais conhecidas, mas a única que se salva é Annalise Basso, só que sua personagem é mal aproveitada e nada desenvolvida, assim como todo o resto do elenco. Todos personagens poderiam ser mais interessantes do que realmente são. Havia espaço para crescerem mais, mostrar seus dramas particulares, seus medos, mas fica tudo muito superficial e mal explorado. Algo que o remake de It conseguiu fazer com maestria ao abordar a vida de cada um dos personagens. Em Slender Man parece que só pensaram mesmo em mostrar que algo está atrás delas e que elas estão em perigo, uma atitude errada do roteiro, já que as garotas têm papel importante para a trama. 

Se há algo elogiável na direção são alguns enquadramentos feitos quando Slender Man aparece de sopetão e no jeito que trabalha (em alguns momentos) a loucura das protagonistas. Algo que funciona e está na dose certa, sem exagerar e sem ficar repetindo a todo instante. Sylvain White poderia ter usado esses flashs de ousadia em outros aspectos da narrativa e sair da mesmice e da obviedade que a história se encontrava. 

Um roteiro como o de Slender Man mostra que as vezes ter um vilão forte e assustador não é o suficiente para segurar uma trama. Há vários equívocos que fazem com que o telespectador deixe de se impressionar com o que está vendo, com o tempo tudo vai ficando chato e cansativo. Há um aprendizado em tudo isso que é o de que não adianta criar uma ambientação bacana, sem a inserir decentemente na história e não criar uma relação decente entre as protagonistas e o local em que serão inseridas. Invocação do Mal é um exemplo disso, a atmosfera criada em torno da casa é feita aos poucos com elementos simples que vão perturbando o telespectador. Em Slender Man nada funciona, pois o roteiro é frágil em fazer até o simples que é o de fazer com que a história seja interessante a ponto de prender a atenção de quem assiste.

Slender Man: Pesadelo Sem Rosto (Slender Man, EUA – 2018)

Direção: Sylvain White
Roteiro: David Birke, Victor Surge
Elenco: Joey King, Julia Goldani Telles, Jaz Sinclair, Annalise Basso, Alex Fitzalan
Gênero: Horror, Mistério, Thriller
Duração: 90 min.

Comente!