nota-4

Mais um midseason finale inconclusivo que prepara o terreno para o que está por vir? Não posso afirmar isso. Frustrado pelo midseason finale da temporada passada – completamente anticlimático – fui assistir a esse sem grandes expectativas. Sim, é inegável que ele solta várias peças no tabuleiro para serem jogadas no futuro, porém ele também conclui um arco de forma eficiente. 

Começando o episódio com um Negan mais diverso e menos forçado ou afetado, remanescente da semana passada, preparando um almoço para Carl e fazendo sua barba (ficando mais parecido com sua contraparte dos quadrinhos), somos jogados novamente naquela áurea de imprevisibilidade e suspense que a primeira aparição do vilão proporcionou. Cada diálogo e intereção eram acompanhados pela impaciência por parte do público da demora de Rick e Aaron retornarem para Alexandria. 

Enquanto isso, tínhamos as pincelados nas subtramas de Daryl, efetiva ao mostrar o lado vingativo do personagem mas pouco inventiva; Michonne, previsível;  Hilltop, com bons diálogos e uma demonstração do papel que Maggie empenhará daqui para frente; e Rick e Aaron, onde ao final desta um suspense é criado em cima do indivíduo que os perseguia e retorna na cena pós créditos. 

Por fim, onde o episódio mais brilha, de fato, é no desenrolar do núcleo em Alexandria. É a construção da calmaria antes da tempestade com duas baixas que, se não causam conexão emocional por se tratarem de personagens pouco explorados e queridos do público, ao menos chocam sem ser vulgar e servem de mote para a mudança do status quo. Uma delas, aliás, a de Spencer, personagem pelo qual não sentia a mínima empatia, não só por suas atitudes mas por questões de atuação e carisma, é tirada diretamente das páginas dos quadrinhos com o diálogo de Negan sobre ele ter estômago sendo reproduzido fielmente. Fico feliz que a série tenha abraçado sua fonte para recriar alguns momentos icônicos importantes sem timidez, algo não muito recorrente nas temporadas passadas. 

Quanto a Olivia, diria que a decisão de eliminá-la foi coerente, afinal tratava-se de uma personagem com os dias contados, mas previsível. Se Rosita ou Eugene, por exemplo, tivessem sido os escolhidos da vez, eu reagiria de forma mais surpresa. Tudo bem que Eugene, como ficou visível na resolução desse arco no episódio, terá uma função importante daqui para frente mas é algo que seria resolvido facilmente  com toques no roteiro. Quanto a Rosita… pois é, por um segundo pensei que ela seria a próxima vítima. Aguardemos os planos futuros para a personagem. 

Outro destaque fica por conta de Andrew Lincoln e sua reação aos acontecimentos. Nota-se que o trabalho facial do ator é bem expressivo e Andrew tem se aprimorado a cada ano, sabendo usar muito bem os olhos para transmitir uma série de emoções. Seja na hora do olhar de decepção com Carl, de choque com as mortes, de determinação a mudar definitivamente seu status submisso armado com seu clássico revólver ou na alegria de rever um velho amigo, Andrew acerta em cheio, não deixando o exagero tomar conta de sua performance. Vê-lo contracenar com Jeffrey Dean Morgan em seus melhores momentos é sempre um prazer. 

Ao final, só temos certeza de duas coisas. Que o status mudou e um arco se fechou ao mesmo tempo que houve preparação para um maior ainda e que a série poderia ter condensado várias linhas de roteiro de alguns episódios nessa metade de temporada em um número reduzido. A satisfação de algo mais grandioso que está por vir nem sempre compensa a frustração de sua construção. 

“Hearts Still Beating” prova que o coração da série ainda está batendo e reserva uma segunda metade de temporada extremamente promissora para fevereiro de 2017. Até aí tudo bem, já que a primeira metade também reservava e o saldo são de 4 episódios realmente bons em 8. Porém, assim como o coração, a esperança também bate forte e será sempre a última morrer. Mas, por favor, que Scott Gimple nos coloque mais vezes dentro do Reino e, claro, dessa vez para contemplar também as futuras alianças.  Ave, Ezekiel!