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Catálogo

Crítica | Tudo o que Você Sempre quis Saber Sobre Sexo, mas Tinha Medo de Perguntar

Sexo e Woody Allen

Guilherme Coral
Guilherme Coral Redação
10 de dezembro de 2017 · 3 min de leitura
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Crítica | Tudo o que Você Sempre quis Saber Sobre Sexo, mas Tinha Medo de Perguntar

Baseado no livro homônimo de David Reuben, Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar, já revela pelo título a acidez e a ironia presente no filme e, é claro, no próprio conjunto da obra de Woody Allen. O diretor, ainda no início de sua carreira, já apresentava inúmeras das características que o acompanhariam pelo restante da sua vida e nada melhor para isso do que um longa-metragem sobre sexo, cujo drama atrelado marca não somente sua fotografia, como sua conturbada e polêmica vida pessoal.

O filme em questão nada mais é que um grande amontoado de curtas com a mesma temática, como se fossem capítulos do livro no qual foi baseado, procurando explorar diversos aspectos da sexualidade, que vão do orgasmo feminino até a ejaculação masculina. Esse conjunto de esquetes contam com identidades visuais próprias e são completamente desconexos um do outro — Allen explora essas questões de forma criativa, fazendo uso da comédia do absurdo, do exagero, culminando na risada do espectador, que jamais esperaria algo daquela forma. Infelizmente, essa desunião dos diferentes arcos acaba prejudicando a fluidez narrativa em determinados pontos — tirando o gosto pela história anterior, não há nada que nos prenda à seguinte, dificultando nossa total imersão.

Felizmente, a duração do filme como um todo, assim como a de cada segmento, contribui para o ritmo da narrativa. Embora cada comédia seja pautada no exagero, sentimos como se o roteiro do próprio Woody soubesse exatamente como e quando encerrar cada trecho. O trabalho de direção, bastante ágil, também ajuda, mantendo-nos inquietos do início ao fim da projeção. Allen ainda sabe que a estrutura da obra como um todo dificultaria um clímax apropriadamente dito, apenas aqueles internos a cada capítulo — por isso vemos o ponto alto do longa, que se inspira em Viagem Fantástica, localizado bem no fim — uma dramatização do funcionamento do corpo misturada com um paralelo ao lançamento de um foguete, certamente a sequência mais hilária do conjunto.

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Allen também mantém sua acidez ao realizar ligações com outras obras da cultura popular, indo desde Hamlet até Frankenstein, dinamizando cada trecho ao mesmo tempo que diverte o espectador, que consegue realizar tais paralelos, pois a maioria deles são bastante óbvios. É interessante notar também que o desenrolar do filme igualmente brinca com o conceito de seu título, as respostas das supostas perguntas que temos são todas escrachadas, repletas de uma ironia que basicamente nos diz: “viva tais experiências e não saia perguntando (ou buscando um livro de auto-ajuda)”, questão que é abordada, inclusive, no término do penúltimo arco.

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Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar é uma experiência certamente inesperada e que provoca inúmeras risadas. Sua estrutura, ao mesmo tempo que nos mantém curiosos pelo que está por vir, também traz problemas de ritmo, mas que conseguem ser, em sua maioria, contornados. Woody Allen mostra desde cedo seu talento para roteiro e direção e lança ao mundo sua acidez. Não deixe o título gigantesco te assustar: este é um filme que vale ser assistido.

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Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo e Tinha Medo de Perguntar (Everything You Always Wanted to Know About Sex * But Were Afraid to Ask – EUA, 1972)

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Direção: Woody Allen
Roteiro: 
Woody Allen
Elenco: 
Woody Allen, Gene Wilder, Louise Lasser, John Carradine, Louise Lasser, Anthony Quayle
Duração: 
88 min.

Tags: #John Carradine #Woody Allen
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Guilherme Coral
Escrito por

Guilherme Coral

Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.

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