Diretor de Clair Obscur: Expedition 33 rejeita expansão após GOTY histórico
Sandfall Interactive mantém time pequeno apesar de GOTY 2025 e 5 mi de vendas. Diretor prioriza limitações criativas.
A Sandfall Interactive, estúdio francês responsável por Clair Obscur: Expedition 33, conquistou o Game of the Year nos The Game Awards 2025 e quebrou recordes históricos, mas rejeita expandir operações imediatamente. O diretor Guillaume Broche afirmou que limitações estimulam a criatividade e que a equipe prefere focar na produção de jogos a gerenciar estruturas maiores.
O RPG lançado em 24 de abril de 2025 para PS5, Xbox Series X/S e PC superou expectativas comerciais e críticas. O jogo vendeu mais de cinco milhões de cópias e se tornou o maior lançamento third-party no Xbox Game Pass em 2025, apesar de um orçamento inferior a US$ 10 milhões.
O triunfo histórico de Clair Obscur: Expedition 33
Sandfall Interactive, fundada em 2020 em Montpellier por Broche e outros ex-funcionários da Ubisoft, desenvolveu o título com uma equipe principal de cerca de 30 a 34 pessoas, complementada por outsourcing em animações e QA. O jogo, inspirado em JRPGs como Final Fantasy e Persona, inovou com combate por turnos que inclui parrys em tempo real, influenciado por Sekiro.
Nos The Game Awards 2025, Clair Obscur: Expedition 33 venceu nove de 13 categorias, incluindo GOTY, Melhor Narrativa, Melhor Direção de Arte e Melhor Trilha Sonora, estabelecendo o recorde de jogo mais premiado na história do evento — superando até Baldur’s Gate 3. A recepção unânime destacou temas de luto e mortalidade, direção de arte Belle Époque sombria e atuações como a de Jennifer English.
O sucesso se estendeu a vendas iniciais de 500 mil cópias em 24 horas e trilha sonora com mais de 333 milhões de streams, liderando charts da Billboard. Recentemente, uma atualização gratuita adicionou níveis, armas e missões secundárias.
Guillaume Broche valoriza limitações criativas
Em entrevista à Edge Magazine, Broche rejeitou transformar o próximo projeto em “grande produção”. “Não, acho que é bom ter limitações quando você é criativo. É a melhor maneira de ser a melhor versão de si mesmo”, declarou o diretor.
Apesar do influxo de recursos — “podemos escalar agora que temos muito mais dinheiro” —, Broche enfatizou que isso não atrai a equipe. “Nem a equipe de gerenciamento nem eu queremos nos afastar das mãos na massa. Amamos fazer jogos mais do que gerenciar”, explicou. Os últimos cinco anos de desenvolvimento foram “os melhores da minha vida”, e ele deseja repetir essa felicidade.
Broche defende adaptar o jogo à equipe, priorizando sinceridade e identidade forte sobre processos rígidos. “Faça um jogo que você quer jogar. Se for humano, com falhas, é perdoável, desde que tenha alma”, resumiu.
O futuro da Sandfall e lições para a indústria
A Sandfall planeja manter o modelo enxuto para o próximo título, sem detalhes revelados, mas com ambições altas após o impacto de Expedition 33. Hideo Kojima elogiou o tamanho da equipe como “ideal”, com 33 membros e um cachorro.
Essa postura contrasta com orçamentos AAA inflados e destaca viabilidade de produções AA. Apesar de controvérsia recente — perda do GOTY nos Indie Game Awards por uso temporário de IA generativa em texturas, corrigido via update —, o foco permanece na paixão criativa.
Jogadores e analistas celebram a vitória nos TGA e aguardam o que vem a seguir, provando que limitações podem gerar obras-primas.