Com a estreia do novo filme de Christopher Nolan finalmente se aproximando, o diretor concedeu uma entrevista bacana para a revista francesa Premiere. Lá, explica como seu épico de Segunda Guerra Mundial, Dunkirk, será diferente de seus filmes anteriores e deve bastante a – surpreendentemente – clássicos do cinema mudo.

Entre sua seleção estava Intolerância, Aurora, Ouro e Maldição, O Batedor de Carteiras, O Resgate do Soldado Ryan e O Salário do Medo, sobre o qual o diretor acrescentou o seguinte:

Sim, O Salário do Medo. A maioria da equipe não entendeu porque eu exibi esse filme para eles. Mas foi o que fazia mais sentido. Suspense puro. Um que fala sobre mecânica, procedimento e dificuldades físicas. Reparem na cena em que o caminhão precisa voltar à plataforma e as rodas não funcionam mais… Era isso que eu queria pra Dunkirk! Eu queria mostrar como colocar um caminhão numa suspensão, o que acontece quando os pneus não passam, quando as rodas não respondem mais. Pura física.

Além das inspirações, Nolan fala sobre como esse é seu filme com menos diálogo até o momento, e como usou isso para criar uma experiência mais próxima de seus personagens – curioso como a declaração parece rebater as críticas quanto ao nível de exposição em sua escrita:

A montagem foi mais complicada porque o diálogo é mínimo. A empatia pelas personagens não tem nada a ver com sua história. Eu não queria usar diálogo para contar a história dos meus personagens. O problema não é quem eles são, quem eles dizem ser ou de onde eles vem. A única questão na qual eu estava interessado era: eles vão sair dessa? Eles vão ser mortos pela próxima bomba enquanto tentam se juntar ao resto? Ou vão ser esmagados por um barco no caminho?

Então, o diretor falou sobre a estrutura complicada do filme e como isso afeta a montagem de Lee Smith:

Para os soldados embarcados no conflito, os eventos se desenrolaram em diferentes temporalidades. Na terra, alguns ficaram uma semana presos na praia. Na água, os eventos duraram no máximo um dia; E se você estivesse voando para Dunquerque, os Spitfires britânicos demorariam uma hora para abastecer. Para comportar essas diferentes versões de história, é preciso misturar a estrutura temporal. Daí a estrutura complicada; mesmo que a história, novamente, seja muito simples.

Por fim, Nolan declarou o seguinte:

Não repita isso pro estúdio: esse vai ser meu filme mais experimental. De longe. Mas eu espero ser sutil nisso.

Dunkirk estreia nos cinemas brasileiros em 20 de Julho.

 – Créditos ao The Film Stage pelos trechos selecionados.