Nesta segunda-feira (24), o diretor Edgar Wright e o ator Ansel Elgort estiveram em São Paulo para uma coletiva de imprensa no hotel Grand Hyatt, onde promovem o lançamento de Em Ritmo de Fuga. Excelente nova produção do cineasta britânico, o filme já teve algumas sessões de pré-estreia pelo Brasil (e com muita procura, importante observar) antes de seu lançamento oficial nesta quinta-feira (27) pela Sony Pictures.

Antes do relato propriamente dito do evento, é fundamental ressaltar como a presença de Wright aqui é significante. Quase nenhum de seus filmes chegou a ser exibido nos cinemas aqui, com toda a trilogia do Cornetto (Todo Mundo quase Morto, Chumbo Grosso e Heróis de Ressaca) chegando diretamente para home video e Scott Pilgrim contra o Mundo tendo aberto em menos de 10 salas em todo o país. Em Ritmo de Fuga é seu primeiro grande lançamento por aqui, então créditos à Sony por trazer não só o filme, mas também seu diretor, um nome que merece muito mais destaque nas listas dos brasileiros.

Muito carismáticos, os dois chegaram na sala de conferências do Hyatt com aplausos e urros, e rendendo palmas com sua pronúncia muito eficiente do título nacional do filme. A primeira pergunta imediatamente fala sobre as manobras do filme, e o jornalista pergunta ao diretor sobre a decisão de mantê-las quase todas práticas. “Diria que 95% é tudo prático, com Ansel no volante e o técnico de dublês dirigindo o carro em uma grua, com só alguns usos de green screen”, replica Wright. O diretor falou também de suas influências para comandar tais sequências, que vão de clássicos como Operação Francesa, Bullitt e Viver e Morrer em Los Angeles.

Música e Montagem

A segunda questão ficou por minha conta, onde perguntei a Wright sobre seu processo de montagem, particularmente se os cortes e transições eram pensados nas filmagens – sendo um grande fã desse setor, sempre tive interesse em saber mais sobre sua visão. “Todas aquelas transições e match cuts são planejadas na fase dos storyboards”, explica Wright. “Não seria possível inventar tudo isso na montagem, dada a complexidade, mas houve um caso de uma transição que me bateu a ideia na hora, com um botão de elevador cortando pra um café, e eu achei muito legal”, fazendo referência a uma das cenas de Em Ritmo de Fuga.

Wright ainda disse que um dos montadores do filme, estava constantemente durante as filmagens, meio que realizando um “pré-corte” de algumas sequências, afinal a música é importantíssima para sincronizar e ritmar algumas das ações. “Mesmo rodando o filme em 35MM, o montador tava lá com um monitorzinho digital preparando algumas das tomadas, o que nos ajuda a nos manter na mesma sintonia”, conclui o diretor. Grande atenção para o trabalho de montagem dos filmes do diretor, visto que poucos entendem do conceito de match cut como Edgar Wright, e ficarei surpreso (e furioso) caso o filme não seja indicado ao Oscar dessa categoria no ano que vem.

Outro ponto muito importante levantado pela imprensa foi, claro, o uso da música no filme. Respondendo às perguntas de alguns jornalistas, Wright compartilha de seu processo nada comum para o longa: “eu ia escrevendo as cenas enquanto ouvia as músicas, a cada cena do roteiro eu deixava anotada a música que queria usar”, diz Wright, que ainda fala como a tracklist do filme era tão importante quanto o roteiro. “A ideia do filme pra mim veio enquanto eu ouvia a música Bellbottoms, que eu coloquei na primeira cena, e como eu ia tentando elaborar uma cena de ação enquanto escutava… Aí eu me toquei que um motorista ouviria durante uma cena de perseguição de carro!” relembra o entusiasmado diretor, que ainda revela que o título do longa veio mesmo quando ele escutava a canção Baby Driver, de Simon & Garfunkel; e que está presente na trilha do longa.

“Ninguém se mexe como Gene Kelly”

Para Ansel Elgort, perguntei sobre seu preparo para compor o físico do personagem de Baby, que durante o filme está sempre se movimentando de forma suave e relaxada, quase como se dançasse a todo momento; e isso inclui as cenas de ação. O jovem respondeu que trabalhou com o coreógrafo Ryan Heffington (famoso pelo clipe Chandelier, da cantora Sia), para criar uma postura específica, mas que não parecesse ensaiada. “O truque é fazer algo como preparar um sanduíche de pasta de amendoim parecer natural, sendo que todo o movimento é calculado e ensaiado”, disse o Elgort. Mais tarde, o ator ainda citaria Gene Kelly como influência para suas cenas de dança, até brincando que talvez um dia ele e Edgar façam um musical para que ele tivesse a chance de brilhar – falando brevemente sobre sua formação em teatro musical.

No geral, todas as perguntas foram de ótimo nível. Edgar Wright certamente pertence a um nicho menor, então todos os membros da imprensa que fizeram perguntas conheciam ao menos um pouco de sua carreira e método de produção, com até mesmo uma ótima pergunta onde Wright é questionado sobre seu complexo processo de brainstorming e roteiro em Todo Mundo Quase Morto, ao qual ele disse que se mantém o mesmo, ainda que sem a colaboração do amigo Simon Pegg.

Esta talvez tenha sido a melhor coletiva da qual já participei. As perguntas foram ótimas e renderam histórias e informações muito envolventes, revelando o alto conhecimento de Edgar Wright e também o carisma e talento do promissor Ansel Elgort, que deve ganhar um boom em sua carreira graças ao sucesso do filme. Quem dera todas as coletivas fossem assim.

Em Ritmo de Fuga estreia no Brasil em 27 de julho!