Batman: O Cavaleiro das Trevas é um dos filmes favoritos da minha vida. O longa que explodiu a carreira de Christopher Nolan para patamares de estrelato mundial é um marco do cinema de blockbuster nos anos 2000, conquistando admiração praticamente unanime até mesmo de espectadores não habituados com filmes de super-herói.

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Um dos grandes segredos para esse filme ter dado tão certo é a mágica do ritmo de entrega de cenas absolutamente incríveis que injetam toda a força orgânica que uma história bastante longa como essa não canse. Entre reviravoltas fantásticas, desenvolvimento pleno de todos os personagens, além de termos a presença contagiante de Heath Ledger como Coringa, é muito difícil não se apaixonar pelo longa.

Por isso, separei cinco das muitas cenas excelentes que o filme possui, mas lembrando que essas são as cinco melhores na minha opinião. Mande sua seleção para a gente também!

O Roubo

Nolan começa o filme quebrando a banca. Todo o segmento do assalto ao banco muitíssimo influenciado por Fogo Contra Fogo é um ápice de tensão e caos que ajudam a sintetizar o Coringa perfeitamente. Além disso, a apresentação do vilão é digna de aplausos, pois ocorre de forma surpreendente, já estabelecendo o tom que suas ações tomarão ao decorrer do longa.

É um jeito perfeito de elaborar uma justificativa para mostrar como Coringa possui recursos para recrutar capangas e comprar os explosivos, além de deixar a plateia com os nervos a flor da pele.

A Perseguição

A melhor cena de ação do filme? Praticamente, sim. Apesar de ser um filme Batman, O Cavaleiro das Trevas é bastante contido e focado em entregar excelentes momentos narrativos que não necessariamente exigem ação descerebrada. Entretanto, no caso desta sequência da perseguição, Nolan mostra como é um mestre para pensar ação. Primeiro que ela é dividida em diversos núcleos e constantemente se transforma até termos a revelação com Jim Gordon ao fim, já com o Coringa capturado após um enfrentamento muito controlado contra o Batman. Aliás, é justamente por essa parte do encontro do Cruzado Encapuzado com o Palhaço Príncipe do Crime que teremos outro segmento fantástico.

O Interrogatório

Com Jim Gordon promovido a Comissário de Segurança, Batman conquista certos privilégios. Com o Coringa capturado e já ciente que Rachel Dawes, amor de sua vida, está em apuros, Batman descobre que na verdade ele mesmo está preso, rendido nas mãos de um maníaco. Pela desvantagem estratégica, o herói se descontrola e esmurra o vilão ao redor da sala, se descuidando a ponto de permitir brechas e instrumentos para a fuga do personagem.

A cena se torna ainda mais brilhante quando descobrimos como o Coringa manipula Batman, desesperado, a acreditar nas palavras traiçoeiras de um trapaceiro. Aqui, o herói é reduzido a pó e escombros.

Tudo Parte do Plano

O nascimento de Duas-Caras é um dos momentos mais sutis e sombrios do longa, demonstrando novamente como Coringa é um mestre diabólico da manipulação, oferecendo a ilusão da escolha para Harvey Dent em se vingar dele oferecendo uma arma engatilhada enquanto posiciona o dedo em cima do martelo que ocasiona o disparo.

Além dessa sacada genial da ilusão da escolha, temos direito a um monólogo totalmente mentiroso no qual Coringa mostra seu ponto de vista, fazendo Harvey acreditar que ele é apenas “um cachorro louco” que não planeja nada quando na verdade todos seus planos são meticulosos e orquestrados a dedo para quebrar a psique de seus oponentes – coisa que consegue com Harvey de modo permanente e momentâneo com Batman.

Concluindo sua linha de pensamento extremamente lógica sob o disfarce da loucura, temos um insight crítico muito curioso oferecido pelo vilão sobre suas ações nunca fazerem “parte do plano”. É absolutamente genial. Além disso, temos o direito ao encerramento improvisado da explosão que falha em primeiro momento no Hospital Geral de Gotham.

O Louco de Burma

Chegando ao fim da lista, realmente é muito difícil definir qual cena merece figurar nesse posto, já que temos tantos em O Cavaleiro das Trevas que são excepcionais. É como escolher sua comida favorita em um restaurante dos deuses. Porém, como temos tantos, mas tantos momentos o Coringa inesquecível de Heath Ledger, é justo destacar o momento crucial de Bruce Wayne durante o filme.

Alfred sempre foi bastante ativo como conselheiro do protagonista ao longo da trilogia, mas para mim essa cena sintetiza uma lição que Bruce nunca aprenderia por si próprio: compreender a loucura de um ponto de vista caótico como o de Coringa. Escutando a história de Alfred com a entrega perfeita de Michael Caine, temos um momento de dessabor, um temor estranho que corre pela espinha para Bruce que também teme a força que Coringa apresenta. Nolan captura esse semblante de medo quando apresenta o rosto do personagem, provocando a câmera em sua loucura narcisista.

Bravo.

Em suma, é um filme fantástico e certamente há mais momentos dignos para figurar aqui. Para você, qual é a melhor cena do longa?

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