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Duna – Ranking dos livros! Do Melhor ao pior!

Com a tão esperada nova adaptação de Duna, do renomado diretor Denis Villeneuve prestes a estrear, decidi fazer um ranking dessa que é uma das minhas sagas favoritas dentro da literatura de ficção científica. Além destes seis que estão na lista, que são os oficiais escritos por Frank Herbert, há outros escritos pelo filho do autor, Brian Herbert e Kevin J. Anderson, mas por ora, vamos nos concentrar nos livros do Frank. Antes de mais nada, quero deixar claro que não acho nenhum desses livros ruins, mas alguém tem que fazer o trabalho sujo de colocá-los em ordem para uma lista, portanto mãos à obra!

 

  1. Filhos de Duna (1976)

Filhos de Duna se passa nove anos depois do livro anterior, Messias de Duna. Aqui vemos as consequências do império de Paul Muad’Dib. A irmã de Paul, Alia é a regente enquanto os verdadeiros herdeiros do trono, os gêmeos Leto e Ghanima ainda não tem idade para governar. Enquanto isso, mais uma vez forças externas conspiram contra a família Atreides.

Certo, eu sei que este é o livro favorito de alguns fãs (ou pelo menos segundo favorito ou terceiro favorito) então entendo se você se espantar ou ficar com raiva de ver este no início da lista, na última posição, mas como eu disse, não é uma situação fácil para mim também, pois como já havia dito, gosto bastante de todos esses livros (risos). Este é o livro que fecha a primeira trilogia de Duna, que eu também gosto de chamar de trilogia do Paul Atreides (Apesar de que em relação ao arco de Paul, este serve mais como um epílogo, com o protagonistas  dos livros  anteriores passando o bastão para o seu filho, Leto Atreides).

Personagens muito queridos dos fãs que estavam ausentes na obra anterior, Messias de Duna retornam para Filhos de Duna, como Lady Jessica e Gurney Halleck, temos também a adição de interessantes personagens, como os gêmeos Leto e Ghanima Atreides, a princesa Wensicia Corrino e seu filho, Farad’n.  A maioria dos elementos apresentados neste livro são interessantes, uma das minhas personagens favoritas, Alia, ganha um maior destaque, se encaminhando para um destino um tanto trágico e é nela que enxergo o problema que justifica o posicionamento do livro aqui.

Filhos de Duna apresenta a ideia da possessão pelas entidades contidas dentro das memórias genéticas. É nesse conceito que surge uma pequena discrepância em relação ao que foi apresentado nos livros anteriores em relação a como funciona essa outra memória para Alia e também algo que acontece com o Leto em um ponto  na história. Elementos um tanto exagerados são inseridos em um universo que até então mantinha um certo grau de verossimilhança, claro, com algumas extrapolações, como as habilidades sobre-humanas de alguns personagens e criaturas fantásticas como vermes gigantes, mas a barra é elevada consideravelmente aqui e precisamos de um pouco m,ais de suspensão de descrença. Podemos fazer uma série de racionalizações para encaixar as nova informações a um contexto que faça sentido, mas mesmo assim essas pequenas coisas tiram um pouquinho da força do livro e por isso o coloco em último (admito também que estou fugindo do clichê de colocar Messias em último, grande injustiça com essa obra, desculpa, Filhos de Duna, você é o mártir da vez!).

 

  1. Messias de Duna (1969)

Doze anos se passaram depois do eletrizante final de Duna e agora Paul Atreides senta-se no trono do leão de ouro, exercendo o cargo de imperador de todo o universo conhecido. A guerra santa de Paul, o Jihad do Muad’Dib, realizada para subjugar aqueles que ainda não se submeteram a seu novo governo está em andamento, enquanto que surge uma nova conspiração para matá-lo.

Este é o livro mais curto de toda a série (com pouco mais de 200 páginas, muito mais curto que o livro anterior que tinha quase 700) e para muitos, essa é a obra mais problemática dentro da saga do planeta Deserto. Para começar, muitos não entenderam o porquê do Paul ser tão odiado neste se ele era tão amado no primeiro livro. Frank Herbert passou dezessete anos de sua vida tentando explicar suas intenções para com a saga, de tão importante para ele a sua mensagem ser passada de uma maneira correta e compreensível.

A mensagem é muito simples, “não acreditar que os líderes estejam sempre certos, por mais carismáticos que sejam”, dito isso ele fez Paul ser a pessoa mais carismática possível no primeiro livro, conquistando todo o povo fremen por meio de suas habilidades, físicas, por vezes, principalmente no início, mas sobretudo diplomáticas. Paul prova a eles muitas e muitas vezes que ele é o escolhido que eles tanto almejam (de certa forma não é, mas me demoraria muito no comentário explicando isso agora). Em Messias de Duna, ele mostra um outro lado do personagem, transparecendo as consequências do que foi iniciado por ele em Duna.

Claro, as pistas já estavam presentes em todas as visões de terror do jihad que o Paul teve no primeiro livro e também em algumas frases da prosa do Herbert, cito uma das que mais permaneceram em minha mente, “Não poderia acontecer nada mais terrível para sua gente do que cair nas mãos de um herói”  e em Messias de Duna, Frank Herbert prova sua contestação. Creio que uma das coisas que mais causa estranhamento seja exatamente esse gap de tempo entre um livro e outro, não vemos diretamente o que levou a esse estado das coisas, lacuna que posteriormente Brian Herbert e Kevin J. Anderson, com seu livro, Paul of Dune preencheram.

Entretanto, também não significa que Paul seja exatamente uma pessoa má, a complexidade do personagem confere força ao livro. Um dos principais temas de Duna é o conflito entre determinismo e livre-arbítrio, Herbert nos confronta algumas vezes com a pergunta “Paul vê o futuro ou cria o futuro?”, que sintetiza esse problema. O principal conflito do personagem é o dele se ver sempre como uma marionete que deve cumprir certos desígnios, mas possui uma vontade que difere desses deveres e procura sempre uma solução para esse problema. Eu gosto do final desse livro, que sem dúvidas possui um certo valor poético. 

Mas sim, o livro serve mais como uma ponte para conectar o primeiro livro ao último da trilogia e possui muito menos valor de entretenimento que o primeiro, sendo uma leitura um tanto mais densa, portanto por mais que eu goste, tenho que reconhecer que Frank Herbert conseguiu entregar obras que conseguem conciliar melhor essas duas coisas, a densidade de suas mensagens com alguma diversão integrada, portanto este fica em quinto lugar.

 

  1. Herdeiras de Duna (1985)

Após os eventos cataclísmicos de Hereges de Duna, as bene gesserit lutam para preservar o seu legado e o do  planeta deserto, enquanto que as honoráveis matres continuam  devastando, conquistando e escravizando diversas partes do velho império. Mais um conflito entre essas duas ordens parece ser inevitável…

Herdeiras de Duna é o último livro da saga escrito diretamente pelo Frank Herbert, como estamos em um território de spoilers pesadíssimos, pois alguns fãs ainda não chegaram a esse ponto, tentarei ser o mais breve possível na minha explanação deste. A obra tem muito elementos novos que enriquecem ainda mais o universo de Frank Herbert, mais camadas são adicionadas no conflito dos Bene Tleilaxu e das Bene Gesserit (não entenda que estou dizendo que eles formaram uma aliança, pois eles se odeiam igualmente) contra as implacáveis Honoráveis Matre.

O defeito do livro mais evidente (que para muitos pode até não ser considerado como um) é que ele termina com um gancho enorme, apresentando conceitos e personagens misteriosos e como sabemos, infelizmente a saga nunca foi fechada pelo autor original, Brian Herbert e Kevin J. Anderson viriam com os livros Hunters of Dune e Sandworms of Dune que servem como um fechamento cronológico para a saga, mas não temos como saber com certeza se esse era realmente o final pretendido pelo autor e o próprio estilo de escrita dos escritores diferem, nos fazendo sentir essa falta. Mas dito isso, eu gosto bastante dessa última trilogia (que no caso acabou sendo uma quadrilogia incluindo os livros de Brian e Kevin).

PS: No final do livro tem um posfácio do Frank Herbert muito cativante escrevendo sobre a sua esposa, Beverly Herbert, falecida havia pouco tempo. Frank iria se juntar a ela não muito tempo depois… Que Deus os tenha.

 

  1. Hereges de Duna (1984)

Mil e quinhentos anos se passaram desde o final de Imperador Deus de Duna e as consequências dos anos de tirania do governante anterior se fazem sentir. Houve uma grande dispersão após a morte do imperador e agora, um milênio e meio depois, esses povos estão retornando aos antigos domínios do império, formando facções que buscam dominar o que ainda resta. Entre eles, estão as honoráveis matre que não parecem ter intenções muito amigáveis…

Este é o quinto livro da saga e inicia uma nova trilogia dentro da série de Duna, dominada principalmente por fortes personagens femininas. As bene gesserit que sempre estiveram à margem, mantendo-se no pano de fundo das tramas políticas, finalmente tomam as rédeas do protagonismo na série (Você poderia argumentar que já tivemos a Lady Jessica, mas enfim…).

Nessa nova aventura somos apresentados a uma miríade de personagens interessantes, as bene gesserit  Darwi Odrade, Taraza, Lucilla e Schwangyu, o bashar, especialista em combate a serviço da irmandade e descendente dos Atreides, Miles Teg, a jovem Sheeana, que consegue se comunicar com os vermes de areia gigantes de Rakis (nome do planeta foi levemente mudado nesse).

Falando nisso, esses pequenos detalhes me fascinam, assim como o nome dos países e lugares em geral mudaram ao longo da história humana, aqui Frank Herbert muda o nome da maioria dos planetas que apareceram anteriormente. Outro detalhe muito interessante é que Sheeana se recusa a chamar o verme de Shai-Hulud (coisa eterna, o eterno), como sempre fizeram os Fremen, ao invés disso, chamando-o de Shaitan (Satan), um comentário do Herbert de como religiões posteriores apropriam divindades antigas como entidades opositoras.  

Mais sobre o lore envolvendo a irmandade é revelado neste livro e conseguimos ter ainda mais empatia por elas, pois de certa forma elas tomam para si o papel de guardiãs da história da humanidade, possuindo essa outra memória que dá a elas um retrato preciso do que outrora ocorreu, enquanto que a história oficial vai sendo corrompida ao longo do tempo. Elas lutam para preservar seu legado e o legado de toda a humanidade  e isso é algo que pode fazer o leitor se identificar rapidamente, pois a vontade de preservar certas coisas impera em todos nós. Outra ótima adição a saga, a partir daqui não tenho muitas reclamações, mas os dois próximos são os verdadeiros “caviares” da série.

 

  1. Duna (1965)

Intrigas políticas e conspirações, um mundo de planos dentro de planos… esse é o ambiente no qual cresce Paul Atreides, que carrega um legado maior do que tudo que ele pode imaginar. Levado a um planeta deserto, Arrakis, também conhecido como Duna, é tão intrigante quanto perigoso. Ele e sua família precisam se adaptar a esse novo lar e se preparar para os tempos difíceis por vir.

Este é o livro que iniciou tudo, o primeiro grande sucesso do escritor Frank Herbert, que havia escrito algumas coisas antes, claro, mas nada que pudesse se comparar ao reconhecimento que ele ganhou por Duna a longo prazo, essa obra-prima agora está ganhando uma nova adaptação pelas mãos de Denis Villeneuve. Mas por que esse livro fez tamanho sucesso e é considerado uma obra prima? Por diversos fatores, a história conecta-se bem com rapazes adolescentes, pois Paul está passando por uma mudança importante na vida dele e muitos jovens podem se identificar com isso.

Os elementos narrativos possuem uma certa semelhança com clássicas histórias de cavalaria, principalmente do Rei Arthur, uma das principais inspirações para o escritor, que também possui um protagonista com características messiânicas. Além de ser um grande livro de aventura, também possui subtextos interessantes, dissertando sobre política, antropologia, religião e ecologia, alguns dos temas favoritos de Herbert. 

Além de ser um livro que saiu na época certa, às vésperas da contracultura (sei que estou estendendo essas vésperas por alguns anos, mas foi de fato onde o sucesso explodiu). A ideia da mélange, uma substância que expande a mente foi muito atrativa para hippies e alguns universitários que na época estavam também “expandindo suas mentes” com o uso de algumas drogas psicotrópicas (para mais detalhes, ler a biografia do Herbert, Dreamer of Dune).

Ele apresenta muitos conceitos, personagens e ordens interessantes que permaneceram com os fãs por muito tempo. O livro não precisa de muita introdução, é sem dúvidas uma das maiores obras dentro do gênero de ficção científica e favorito de muitas pessoas. Sendo uma obra seminal, inspirou muitas outras, incluindo aí Star Wars, a franquia cinematográfica de maior sucesso até hoje (incluindo aí produtos derivados e merchandise relacionada.

 

  1. Imperador Deus de Duna (1981)

   

Três mil e quinhentos anos se passaram desde o final de Filhos de Duna, o imperador agora é Leto II, filho de Paul Atreides, que fundiu-se com um verme de Areia e pode viver todo esse tempo, encaminhando a humanidade em seu caminho dourado, assegurando a sua sobrevivência. Muitos não estão contentes com sua forma de governar e conspiram contra ele.

Este quarto livro da saga é uma pérola dentro do gênero de ficção científica. Serve como uma ponte entre trilogias Esta é a obra mais densa da saga e ao mesmo tempo, a mais madura. A partir dos diálogos de Leto II(que ouso dizer, lembram muito os diálogos socráticos), somos levados a refletir sobre os dois gumes de uma situação, males e benefícios (Duna como um planeta desértico e  Duna como uma floresta e a importância do equilíbrio ambiental). Também somos levados a refletir sobre toda a história da humanidade, a ascensão e queda de impérios. 

O próprio personagem, Leto II é muito fascinante e é a partir dessa entidade que o Frank Herbert despeja pensamentos profundos, filosóficos e alegóricos, acerca do mundo que ele criou. Eu acredito que uma das principais forças de Duna é a insistência em questionar o que está aparecendo na história. Uma relação que eu encontro é que as sequências sempre questionam os acontecimentos dos livros anteriores, expondo suas consequências e o  Imperador Deus de Duna é muito rico nesse aspecto.

PS: E também tem um homem/verme gigante esmagando (literalmente) seus inimigos, o que mais podemos querer?

Então, essa é a minha lista ranking dos livros de Duna, que ficou maior do que eu pensei, o que só demonstra o quanto eu gosto desses livros (sou quase obcecado ao que parece…), mas tive que explicar bem o porquê de eu colocá-los em certas posições, mas se eu tiver dito algo errado ou discordar de mim, pode comentar, não sou dono da verdade afinal XD. Espero que gostem e até a próxima!

PS: Confiram também meu vídeo também sobre o ranking dos livros:

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Publicado por Daniel Tanan

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