Metro 2039 ganha novo trailer de gameplay marcado pela guerra na Ucrânia
O escritor da franquia foi condenado à revelia por criticar a invasão russa e ajudou a escrever o roteiro.
A 4A Games mostrou um novo trailer de Metro 2039 durante a Opening Night Live da gamescom 2026, detalhando a jogabilidade do game após revelar as primeiras cenas semanas antes. Mais do que uma vitrine técnica, o material reforçou que a nova história da franquia carrega marcas diretas da guerra real que a equipe ucraniana da desenvolvedora viveu nos últimos anos.
O jogo está confirmado para fevereiro de 2027, quase oito anos depois de Metro Exodus, lançado em 2019, e já soma mais de um milhão de listas de desejos na Steam.
O que o novo trailer revelou
O material mostrou a volta da customização de armas em campo, permitindo trocar cano, coronha e mira direto pela mochila do personagem, além de ferramentas de exploração como um maçarico a gás para abrir passagens bloqueadas, lanterna ultravioleta e cargas explosivas para arrombamento. O sistema de blueprints para peças e upgrades de armamento também retorna, com animações de recarga mais detalhadas do que em qualquer Metro anterior.
Pela primeira vez na franquia, o protagonista tem voz, recurso que ajuda a aprofundar a narrativa em uma estrutura descrita pelos desenvolvedores como mais linear do que a de Metro Exodus, mas ainda repleta de exploração. O trailer também trouxe fenômenos paranormais, os enigmáticos Dark Ones e criaturas mutantes como os Nosalis, mantendo o tom de terror psicológico que sempre definiu a série.
Um novo protagonista e um vilão chamado “Führer”
Ao contrário do que fãs esperavam, o jogo não coloca o jogador no lugar de Artyom, protagonista dos três primeiros games. Desta vez, o personagem controlado é O Estranho, um Spartano que vivia em exílio, longe do metrô de Moscou, até ser arrastado de volta para enfrentar um passado violento e um presente ainda mais sombrio.
Do outro lado, o antagonista é Hunter, um Spartano lendário que unificou as facções do metrô sob um regime chamado Novoreich e governa como autoproclamado “Führer”, título que expõe sem meias palavras a inspiração fascista por trás do personagem. Segundo os produtores, Hunter mantém a população sob controle por meio de propaganda, desinformação e medo, prometendo uma vida melhor na superfície que nunca se concretiza.
Uma guerra real por trás da história
A 4A Games nasceu em Kiev e viu boa parte da equipe se realocar para Malta depois da invasão russa da Ucrânia em 2022. Segundo a própria desenvolvedora, a arte se tornou vida para muitos dos profissionais envolvidos no projeto, o que levou a equipe a usar essa experiência real para construir uma história ainda mais sombria do que as anteriores.
O roteiro segue sendo desenvolvido em parceria com Dmitry Glukhovsky, autor do romance que deu origem à franquia. Glukhovsky vive fora da Rússia desde que criticou publicamente a invasão da Ucrânia e foi condenado à revelia por um tribunal de Moscou a oito anos de prisão, sob acusação de espalhar informações falsas sobre as Forças Armadas russas. A desenvolvedora define a produção do jogo como um processo desafiador, mas afirma que pretende manter a autenticidade dessa experiência até o lançamento.
De volta a Moscou, seis anos depois de Metro Exodus
Enquanto Metro Exodus levou a franquia para fora dos túneis, em direção à superfície e a ambientes abertos, Metro 2039 volta o foco para o subsolo claustrofóbico que marcou os primeiros jogos da série. A história se passa seis anos após os eventos de Exodus, com o metrô de Moscou agora unificado sob o domínio de Novoreich.
O game chega para PC, PS5 e Xbox Series X|S em fevereiro de 2027, sem modo multijogador, focado inteiramente na experiência para um único jogador. A franquia, iniciada com Metro 2033 em 2010 e seguida por Metro: Last Light em 2013, sempre se baseou nos livros de Glukhovsky, e a nova fase promete aprofundar ainda mais esse vínculo entre ficção e realidade.