Morre Dolly Parton, rainha do country, aos 80 anos
A cantora enfrentava problemas de saúde desde 2025 e havia perdido o marido, Carl Dean, em março.
Dolly Parton morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos. A notícia foi confirmada pelo perfil oficial da cantora no Instagram, em vídeo publicado pelo sobrinho dela, Bryan Seaver, em nome da família Parton. A família não revelou a causa da morte, apenas informando que ela “morreu em paz hoje, em Nashville”.
Considerada uma das maiores nomes da música country de todos os tempos, Dolly também construiu carreiras paralelas de sucesso no pop, no cinema e na televisão ao longo de sete décadas de atuação.
Uma despedida anunciada pela família
No obituário oficial divulgado pela família, Dolly foi descrita como alguém cuja vida brilhou o suficiente para o mundo inteiro ver, com um legado de amor, compaixão e resiliência construído por meio da música, da escrita de canções e de um compromisso constante em tornar o mundo um lugar melhor.
A morte da cantora aconteceu pouco mais de um ano depois da perda do marido dela, Carl Dean, morto em março de 2025 aos 82 anos. Os problemas de saúde de Dolly já vinham chamando atenção havia meses: em meados de agosto, ela cancelou uma aparição na Dollywood citando desidratação e tontura, dizendo que o médico havia “cortado as asas dela” e proibido viagens naquela semana. No fim de 2025, ela também precisou adiar uma residência de seis shows no Caesars Palace, em Las Vegas, e abriu mão de receber pessoalmente o Governors Award da Academia de Hollywood em novembro.
Da pobreza no Tennessee ao estrelato
Quarta de 12 irmãos, Dolly nasceu em 19 de janeiro de 1946 em uma família de agricultores pobres do Tennessee. A mãe costumava fazer roupas para os filhos com retalhos, experiência que a cantora transformaria décadas depois na canção “Coat of Many Colors”, uma de suas composições mais marcantes.
Ainda criança, Dolly começou a cantar na igreja pentecostal da família e gravou seu primeiro single aos 13 anos. Assim que terminou o colégio, em 1964, mudou-se para Nashville para tentar a vida como compositora, escrevendo canções para outros artistas antes de assinar contrato próprio. A parceria mais decisiva veio em 1967, quando se tornou dupla vocal do cantor Porter Wagoner, relação profissional que discutiam durou até 1974 e que a projetou nacionalmente por meio do programa de TV dele.
“I Will Always Love You” e o recorde de Whitney Houston
A canção mais conhecida de Dolly nasceu justamente da separação com Wagoner. “I Will Always Love You”, escrita como uma despedida, chegou ao topo das paradas country em duas versões diferentes gravadas por ela mesma, em 1974 e 1982. Dolly recusou uma oferta de Elvis Presley para gravar a faixa, decisão que preservou os direitos autorais da canção em suas mãos.
Essa escolha se mostrou decisiva quando Whitney Houston regravou a música em 1992, para a trilha sonora do filme O Guarda-Costas. A versão de Houston passou recorde de 14 semanas no topo das paradas pop americanas, vendeu 4 milhões de cópias e ajudou o álbum da trilha sonora a somar 45 milhões de exemplares vendidos no mundo todo.
Do country ao pop, do cinema à Broadway
A partir do fim dos anos 1970, Dolly expandiu sua carreira para o pop e para as telas. No cinema, estrelou Como Eliminar Seu Chefe (1980), papel que lhe rendeu indicação ao Globo de Ouro, além de Flores de Aço (1989) e da adaptação de The Best Little Whorehouse in Texas, ao lado de Burt Reynolds. Como produtora, em sociedade com o ex-empresário Sandy Gallin, ela também esteve por trás de sucessos como o filme Buffy, a Caça-Vampiros e a franquia de comédia Pai da Noiva.
Nos últimos anos, mesmo com a saúde mais frágil, Dolly seguiu ativa artisticamente. Ela foi induzida ao Rock and Roll Hall of Fame em 2022, relutando inicialmente por não se considerar uma artista de rock, e lançou o álbum Rockstar em 2023 como resposta bem-humorada à honraria. Também participou da criação do musical autobiográfico Dolly: An Original Musical, que estreou em Nashville em 2025 com planos de chegar à Broadway, e do show itinerante Dolly Parton’s Threads: My Songs in Symphony.
Um legado marcado por prêmios e por caridade
Ao longo da carreira, Dolly emplacou 25 músicas no topo das paradas country, boa parte delas de sua própria autoria, o que a colocou entre as primeiras grandes vozes femininas do gênero a escrever a maioria de seus próprios sucessos. Ela acumulou múltiplos prêmios Grammy em diferentes décadas, entrou para o Country Music Hall of Fame em 1999 e para o Songwriters Hall of Fame em 2001, além de ter recebido o National Medal of Arts em 2005 e a honraria do Kennedy Center em 2006.
Fora dos palcos, Dolly manteve um forte trabalho filantrópico por meio da Dollywood Foundation, com foco em alfabetização infantil e no combate à disseminação do HIV. A família pediu que doações em memória da cantora sejam direcionadas à Imagination Library, projeto de incentivo à leitura que ela fundou e que já distribuiu milhões de livros para crianças ao redor do mundo.