Morre Bonnie Tyler, voz de Total Eclipse of the Heart, aos 75 anos
A cantora galesa Bonnie Tyler, voz de Total Eclipse of the Heart e Holding Out for a Hero, morreu aos 75 anos em um hospital em Portugal.
Uma voz que definiu uma década inteira
Bonnie Tyler morreu na noite de quarta-feira, 8 de julho, num hospital em Faro, no sul de Portugal, aos 75 anos. “A família e a equipe de Bonnie estão de coração partido ao anunciar que ela morreu inesperadamente ontem à noite no hospital em Portugal, como resultado da doença para a qual estava sendo tratada”, dizia o comunicado publicado no site oficial da cantora e confirmado nesta quinta-feira. A artista estava internada desde maio, quando passou por uma cirurgia intestinal de emergência e foi colocada em coma induzido. Acordou em junho, mas seguia em estado debilitado sob cuidados intensivos.
Nascida Gaynor Hopkins em 8 de junho de 1951, em Skewen, no País de Gales, Tyler construiu uma carreira de mais de cinco décadas marcada por uma das vozes mais reconhecíveis da música pop.
O acidente que criou a voz mais famosa dos anos 80
A história por trás do timbre rouco de Tyler é conhecida entre fãs havia décadas, mas continua notável. Em 1977, enquanto celebrava o sucesso inicial de “Lost in France”, ela desenvolveu nódulos nas cordas vocais de tanto cantar. Um médico recomendou repouso vocal absoluto por seis semanas, e chegou a alertar que ela poderia ter sofrido danos permanentes. Quando finalmente voltou a cantar, a voz havia mudado de forma irreversível, ganhando a aspereza que se tornaria sua marca registrada. “De repente, parecia o Rod Stewart feminino”, contou a própria Tyler mais tarde. Os produtores adoraram o resultado.
Os hinos que atravessaram gerações
O ápice comercial da carreira de Tyler veio em 1983, com “Total Eclipse of the Heart”, escrita pelo produtor Jim Steinman. A música vendeu cerca de 6 milhões de cópias, tornou-se o quinto single mais vendido do Reino Unido naquele ano e passou quatro semanas no topo das paradas americanas, fazendo dela a primeira artista galesa a alcançar o número um nos Estados Unidos. O álbum que a acompanhava, Faster Than the Speed of Night, vendeu mais de 4 milhões de cópias e também liderou as paradas britânicas.
Um ano depois, “Holding Out for a Hero”, também composta em parceria com Steinman, entrou para a trilha sonora de Footloose (1984) e se tornou um hino que atravessou décadas. Décadas depois, a canção ganhou uma vida completamente nova ao integrar a trilha sonora de Super Mario Bros.: O Filme, um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema em 2023, apresentando a música a uma geração de crianças que jamais havia ouvido falar da cantora galesa. Ao todo, Tyler recebeu três indicações ao Grammy ao longo da carreira.
Uma trajetória que não parou nos anos 80
Tyler jamais se aposentou. Em 2013, representou o Reino Unido na Eurovisão com a canção “Believe in Me”. Lançou seu 18º e último álbum de estúdio, The Best Is Yet to Come, em 2021, e apresentou um single inédito, “Only Love”, num show em Londres em março deste ano, poucos meses antes de sua internação. Em 2023, publicou a autobiografia Straight From the Heart, detalhando cinco décadas de carreira, e recebeu o título de Membro da Ordem do Império Britânico por serviços prestados à música.
As homenagens que chegaram do País de Gales
A notícia da morte gerou uma onda de tributos, especialmente entre figuras públicas galesas. A apresentadora Carol Vorderman, também galesa, descreveu Tyler como alguém que representava a força de uma geração de mulheres: “Ela era aquela roqueira superdescolada, de cabelo selvagem, que não pedia desculpas por ser quem era.” Jo Stevens, secretária de Estado do País de Gales, lamentou a perda de “um de seus maiores ícones, que trouxe alegria para tantas pessoas através de sua música”.
Tyler também dedicou parte da carreira a causas sociais, participando de projetos de combate à dependência química e de apoio a vítimas de tragédias. Em 2020, integrou uma regravação beneficente de “Don’t Answer Me”, do Alan Parsons Project, em campanha de apoio à cidade italiana de Bergamo durante os piores meses da pandemia de Covid-19. Ela deixa o marido, Robert Sullivan, com quem foi casada desde 1973.