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CEO da Grove Street Games comenta fracasso do GTA Trilogy: Definitive Edition

Thomas Williamson, CEO da Grove Street Games, admitiu que concordou com as críticas ao GTA Trilogy: Definitive Edition, mas defende que muitos gostaram.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Cinco anos depois, o silêncio finalmente foi quebrado

Em novembro de 2021, a Rockstar Games lançou Grand Theft Auto: The Trilogy – The Definitive Edition, reunindo versões remasterizadas de GTA III, Vice City e San Andreas. O que deveria ser um retorno brilhante a três dos jogos mais amados da história da franquia virou um dos lançamentos mais ridicularizados da década, com bugs generalizados, modelos de personagem distorcidos, iluminação quebrada e um cenário sem neblina que deixou os mapas parecendo minúsculos e sem atmosfera. No PC, o jogo chegou a ficar completamente inacessível por horas, já que o launcher da Rockstar caiu no dia do lançamento.

A Grove Street Games, estúdio texano responsável pelo desastre, manteve silêncio público durante quase cinco anos. Agora, o CEO Thomas Williamson finalmente comentou o episódio em entrevista à WCCFTech.

“Concordei com a maioria das reações das pessoas”

Williamson não tentou minimizar os problemas. “Concordei com a maioria das reações das pessoas. Mas infelizmente, sinto que não concordamos com a forma como o jogo foi lançado e com a resposta a isso do lado do desenvolvimento”, disse. “E acho que isso teria mudado significativamente a narrativa.”

O CEO argumentou que, apesar de todos os problemas técnicos, dados internos de métricas mostravam algo diferente da percepção pública dominante. “No fim das contas, olhando as métricas de bastidores desses jogos, havia muita gente jogando e realmente aproveitando”, afirmou.

O contra-argumento que a própria imprensa especializada não deixou passar

O ceticismo em relação à defesa de Williamson foi imediato entre veículos que cobriram a entrevista. O problema com o argumento das métricas de engajamento é estrutural: a Rockstar retirou os jogos originais de venda das principais lojas digitais assim que os remasters foram lançados, tornando The Definitive Edition a única forma oficial de jogar os títulos clássicos. Alto volume de jogadores era, portanto, praticamente garantido, independentemente da qualidade do produto entregue.

Como apontou o GTA BOOM em análise da entrevista, “jogar um jogo não é a mesma coisa que as pessoas gostarem dele. Aguentar um remaster quebrado porque é a única versão disponível não é o mesmo que apreciá-lo.” A distinção entre tolerância forçada e satisfação genuína é exatamente o ponto que os números de engajamento citados por Williamson não conseguem capturar.

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A briga que ficou pública com a Rockstar

Williamson também relembrou o momento em que sua relação com a Rockstar azedou publicamente. Em novembro de 2024, a publisher removeu o nome da Grove Street Games das telas de abertura do jogo, um gesto que Williamson classificou na época, em post no X, como “uma putaria” da Rockstar. “É uma putaria remover os desenvolvedores principais dos créditos numa atualização, especialmente quando a atualização inclui centenas de correções fornecidas por esses desenvolvedores que ficaram fora do alcance dos jogadores por anos”, escreveu ele à época.

Desde então, a Grove Street Games não trabalha mais com a Rockstar, tendo migrado para portes de ARK: Survival Evolved e, mais recentemente, para o desenvolvimento de sua própria propriedade intelectual original, um jogo multiplayer de kaijus chamado BeastLink, atualmente em desenvolvimento para acesso antecipado no Steam.

O que Williamson acha que deveria ter acontecido

Apesar de toda a controvérsia, o CEO expressou gratidão genuína por ter trabalhado em jogos que considera marcos históricos da indústria. Mas ele foi categórico sobre o caminho que teria produzido um resultado melhor: “Não acho que vai existir uma readaptação perfeita desses jogos que não seja feita pela própria Rockstar. Se a equipe da Rockstar North assumisse e fizesse alguma loucura, seria incrível.”

Por que essa história importa agora, com GTA 6 à porta

O episódio ganha relevância renovada justamente pela proximidade do lançamento de Grand Theft Auto VI, marcado para 19 de novembro. Como o GTA BOOM observou em sua cobertura, The Definitive Edition funciona hoje como o pesadelo de referência que paira sobre qualquer discussão de lançamento dentro da própria Rockstar: a pressão para que o maior jogo já produzido pela empresa chegue tecnicamente impecável existe, em parte, porque todo mundo na indústria ainda se lembra do vexame de 2021, e ninguém quer repetir a experiência numa escala centenas de vezes maior.

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