Toys for Bob quer reviver Banjo-Kazooie depois de trazer de volta Crash e Spyro
A Toys for Bob, estúdio por trás de Crash Bandicoot 4 e do novo Spyro, reafirmou o desejo de trabalhar em um jogo inédito de Banjo-Kazooie.
O estúdio que virou especialista em ressuscitar plataformas clássicos
A Toys for Bob construiu, nos últimos anos, uma reputação sólida como o estúdio ideal para reviver franquias de plataforma adormecidas. Foi responsável por Crash Bandicoot 4: It’s About Time e está atualmente desenvolvendo Spyro: A Realm Reborn, o primeiro jogo totalmente inédito da série do dragãozinho roxo em 18 anos. Com esse histórico, não é surpresa que os fãs apontem a empresa como candidata natural para o próximo passo óbvio: trazer Banjo-Kazooie de volta à ativa.
Foi exatamente esse assunto que voltou à tona numa conversa recente com o podcast Kinda Funny Games, na qual o diretor criativo associado Lou Studdert e o chefe de estúdio Paul Yan não esconderam o entusiasmo pela ideia.
“Está no topo da lista”, diz a equipe
Studdert foi direto ao descrever a paixão da equipe pela franquia da Rare. “É uma franquia que amamos. Como fãs de plataformas, o Banjo está no topo da lista. Temos alguns fãs enormes dessa franquia no nosso time, estou falando de gente que usa o Jiggy como foto de perfil, esse tipo de coisa. Se a oportunidade surgisse algum dia, seria incrível. Amamos a franquia.”
Paul Yan complementou o raciocínio conectando Banjo-Kazooie diretamente à filosofia de trabalho do estúdio. “Se você olhar o fio condutor dos tipos de jogos que gostamos de fazer, imagino que isso faça parte desse pilar também. Penso nesses personagens como atemporais. Acho que os tipos de jogo que queremos produzir são aqueles que falam a um lugar atemporal no jogador, um lugar sem idade. Chamamos isso de ‘a criança interior’.”
Uma franquia adormecida há quase duas décadas
A série de plataforma da Rare não recebe um jogo novo desde Banjo-Kazooie: Nuts & Bolts, lançado para Xbox 360 em 2008 e recebido de forma mista pela troca radical do gênero, de plataforma clássica para construção de veículos e corrida em mundo aberto. Nos anos seguintes, os únicos sinais de vida da marca vieram através de relançamentos: os jogos originais chegaram ao Nintendo Switch Online, e Banjo e Kazooie foram adicionados como personagens jogáveis em Super Smash Bros. Ultimate em 2019, um dos revelações mais celebradas da história do evento Nintendo Direct.
A Rare, hoje focada quase inteiramente em Sea of Thieves, não demonstrou interesse público em reviver a dupla nos últimos anos. Um reboot de Perfect Dark, outra franquia clássica da Rare, foi cancelado em 2025, reforçando a sensação entre os fãs de que o catálogo de N64 do estúdio britânico segue esquecido pela Microsoft.
O ceticismo dos criadores originais
Em entrevista ao VGC em 2023, por ocasião do 25º aniversário de Banjo-Kazooie, membros originais da equipe da Rare demonstraram pouca esperança de um retorno próximo. O compositor Grant Kirkhope, responsável pela trilha sonora icônica da franquia, chegou a questionar se ainda existe público suficiente para justificar um jogo novo, apesar do sucesso relativo do sucessor espiritual Yooka-Laylee, da Playtonic Games, financiado via Kickstarter com mais de US$ 3 milhões arrecadados e mais de 1 milhão de cópias vendidas.
“Sinto que seria preciso reunir uma equipe com o humor que tínhamos naquela época, e isso é difícil de replicar”, disse Kirkhope. “Ainda não estou convencido de que existe esse potencial multimilionário dentro de Banjo-Kazooie.” Ainda assim, o próprio Kirkhope, hoje freelancer, afirmou estar mais do que disposto a voltar a compor para a franquia caso o projeto se concretize.
O contexto que pode ajudar ou atrapalhar
O momento é peculiar para esse tipo de pedido. Como já detalhamos extensivamente nesta semana, a Xbox está no meio da maior reestruturação de sua história, cortando milhares de empregos e concentrando investimentos em franquias como Halo, Gears of War, Minecraft, Fallout e The Elder Scrolls. Banjo-Kazooie claramente não está entre as prioridades imediatas da nova estratégia de Asha Sharma.
Paradoxalmente, isso pode favorecer a Toys for Bob. Diferente de outros estúdios internos que a Microsoft está cortando ou vendendo, a Toys for Bob já opera como empresa independente desde que se separou do guarda-chuva direto da Activision Blizzard, mantendo uma relação de trabalho positiva com a Xbox através de contratos pontuais. Ter um estúdio externo, já comprovadamente competente em plataformas 3D, disposto a assumir o risco criativo de Banjo-Kazooie representa um investimento consideravelmente menor para a Microsoft do que alocar recursos internos num momento de cortes generalizados.
Por enquanto, nada foi confirmado oficialmente, e a Toys for Bob ainda tem trabalho pela frente para finalizar Spyro: A Realm Reborn. Mas o entusiasmo genuíno da equipe, somado ao histórico de sucesso recente do estúdio, mantém viva a esperança de que Banjo e Kazooie finalmente saiam da hibernação depois de quase vinte anos.