Supergirl tinha versão mais longa com mais Krypton e um vilão mais explicado
Crítico que assistiu ao corte de testes de Supergirl revelou cenas cortadas com backstory do vilão Krem e abertura diferente na destruição de Krypton.
O filme que chegou mais enxuto do que o planejado
Supergirl chegou aos cinemas com uma das reclamações mais consistentes da crítica: o vilão Krem, interpretado por Matthias Schoenaerts, é cruel mas vazio.
Ele aparece no filme como uma força destrutiva sem motivação clara, um pirata espacial que existe para ser odiado sem que o espectador entenda de onde vem aquele nível de brutalidade. O crítico Dan Marcus, do The Film Frontier, assistiu a um corte de testes em fevereiro e revelou nesta semana que havia mais material sobre o personagem que não chegou à versão final.
A diferença entre os dois cortes era de apenas 10 a 15 minutos. Mas o que foi cortado mudava a leitura do antagonista.
O que foi removido do vilão
No corte de testes, Krem tinha uma cena em que revelava ter sofrido abuso na infância, e que aquela criação violenta foi o que o tornou mais forte. A cena também incluía uma ameaça direta a Ruthye: ele pretendia fazê-la sua esposa, o mesmo destino que reservava às outras mulheres que capturava. No filme final, essa camada não existe. Krem é apresentado como um monstro funcional e os motivos ficam implícitos na brutalidade das ações.
A decisão tem lógica interna. O tipo de backstory que justifica a crueldade de um vilão com abuso sofrido na infância é um recurso narrativo desgastado, e a Variety foi uma das vozes mais duras ao criticar exatamente a superficialidade de Krem no corte final. Mas a ausência da cena contribuiu diretamente para a percepção de que o roteiro era fraco, uma crítica que apareceu em múltiplas avaliações.
A abertura diferente e mais cenas em Krypton
O corte de testes também começava de forma diferente. Em vez de Kara acordando em sua nave seguida pela cena de Krem assassinando a família de Ruthye, o filme original abria com a destruição de Krypton. Marcus disse que a abertura original era “melhor”, mas reconheceu que o resultado final não era muito diferente do que viu em fevereiro.
A crítica do Hollywood Reporter tocou exatamente nesse ponto ao dizer que as cenas de flashback em Krypton eram as melhores do filme, com grandiosidade trágica e potencial emocional que fazia o espectador querer mais da história de origem. Saber que havia mais cenas do planeta nativo de Kara no corte inicial e que elas foram cortadas dá uma dimensão diferente para essa crítica.
Por que Gillespie escolheu cortar
O diretor Craig Gillespie explicou a decisão ao Hollywood Reporter sem rodeios. Ele afirmou detestar filmes longos e que Supergirl funcionava melhor quanto mais enxuto e focado na missão das duas protagonistas. O raciocínio era o de que a narrativa tem um tique-taque constante, Krypto vai morrer em 72 horas se Kara não encontrar o antídoto, e qualquer cena que desacelerasse esse ritmo prejudicava o filme como um todo.
É uma posição defensável, especialmente para um road trip espacial que depende de tensão constante. O problema é que a crítica reagiu às cenas que sobraram, especialmente a do Superman, como um dos pontos mais fortes do filme. Duas cenas adicionais com David Corenswet foram inseridas na versão final em substituição ao material cortado, o que sugere que o corte foi menos sobre duração e mais sobre qual tipo de emoção o filme queria priorizar.
O que isso muda para quem já assistiu
Para os que viram Supergirl e saíram com a sensação de que Krem não funcionava como antagonista, a revelação de Marcus oferece contexto. O filme escolheu um vilão propositalmente opaco, e essa foi uma decisão deliberada do diretor, não uma limitação do roteiro.
Se a cena do backstory funcionaria melhor do que a ausência dela é impossível saber sem ver o material. O que Marcus deixou claro é que a diferença entre os dois cortes não era dramática o suficiente para mudar a experiência geral do filme. Com 57% no Rotten Tomatoes, Supergirl segue sendo o primeiro DCU podre da era James Gunn, com ou sem a origem de Krem.