Blake Lively pede US$ 8 milhões em honorários advocatícios a Justin Baldoni
Blake Lively pediu à Justiça que Justin Baldoni e a Wayfarer Studios paguem US$ 8 milhões em honorários advocatícios
A conta que ainda não fechou
O acordo entre Blake Lively e Justin Baldoni em maio deste ano encerrou um dos litígios mais acompanhados de Hollywood nos últimos dois anos, mas não fechou todas as pontas. Numa petição protocolada na segunda-feira, 29 de junho, em Nova York, a equipe jurídica de Lively pediu que o juiz federal Lewis J. Liman determine que Baldoni e sua produtora Wayfarer Studios paguem US$ 7.495.526,87 em honorários advocatícios, somados a US$ 539.514,01 em custas e despesas processuais. O total ultrapassa US$ 8 milhões.
O acordo de maio não envolveu transferência de dinheiro entre as partes. O que ficou pendente, por decisão do próprio Liman, foi exatamente esse pedido de reembolso de custos legais, que Lively já havia conquistado o direito de buscar antes mesmo do encerramento do caso.
A origem da disputa
O conflito começou em dezembro de 2024, quando Lively apresentou uma denúncia formal acusando Baldoni, seu colega de elenco e diretor de It Ends With Us, de assédio sexual durante as filmagens e de orquestrar uma campanha de difamação contra ela depois que ela reclamou do comportamento dele. Baldoni negou veementemente as acusações e revidou com um processo de US$ 400 milhões contra Lively, o marido dela, Ryan Reynolds, e a assessora de imprensa do casal, alegando extorsão e difamação.
O processo de Baldoni foi rejeitado pelo juiz Liman em junho de 2025. Em abril deste ano, o próprio juiz também derrubou a maior parte das alegações de Lively, incluindo as acusações de assédio sexual, sob o argumento de que ela atuava como contratada independente no set, não como funcionária formal. As partes chegaram a um acordo duas semanas antes do início do julgamento, que estava marcado para 18 de maio.
Por que Lively pode cobrar honorários mesmo sem ter vencido tudo
A base legal do pedido é a Seção 47.1 do Código Civil da Califórnia, lei criada especificamente para proteger denunciantes de assédio e discriminação contra processos retaliatórios de difamação. A norma determina que, quando uma alegação de difamação apresentada em resposta a uma denúncia de assédio é rejeitada, quem apresentou essa alegação deve arcar com os custos legais da outra parte, independentemente de os fatos do caso terem sido totalmente esclarecidos em julgamento.
Liman já havia confirmado em junho que Lively tinha direito a recuperar os honorários sob essa lei, mas negou o pedido dela por danos punitivos e indenização triplicada. A advogada Esra Hudson e o advogado Michael Gottlieb, que representam a atriz, classificaram a decisão anterior como precedente importante. “O valor dessa decisão está no precedente que ela cria, na responsabilização que ela impõe e na proteção que oferece a quem possa um dia enfrentar retaliação semelhante por dizer a verdade”, afirmaram em comunicado.
Os números por trás da fatura
A petição detalha que o advogado Gottlieb cobrou uma taxa média de US$ 2.187 por hora de Lively, valor que ele descreveu como desconto em relação à sua taxa padrão de US$ 2.795. Apenas o trabalho de defesa contra o contraprocesso de Baldoni somou 224 horas faturadas, totalizando US$ 457 mil só nessa frente específica. A defesa argumenta que o caso teve custos elevados em função da exposição midiática excepcional, citando “milhares de artigos indexados e replicados pela imprensa”, além de um processo de descoberta de provas que envolveu mais de 7 mil documentos produzidos pela própria Lively e dezenas de milhares vindos da Wayfarer e de terceiros.
Do valor total solicitado, US$ 4,5 milhões seriam destinados ao escritório Willkie Farr & Gallagher, de Gottlieb, e aproximadamente US$ 3 milhões ao escritório Manatt, Phelps & Phillips.
A resposta da defesa de Baldoni
Bryan Freedman, advogado de Baldoni e da Wayfarer, já havia minimizado a decisão anterior do juiz que reconheceu o direito de Lively aos honorários. “A senhora Lively recebeu apenas honorários limitados para uma única alegação, dentro de um caso que durou apenas alguns meses, nada mais”, disse Freedman em comunicado anterior, destacando que dez das treze alegações originais de Lively foram derrubadas pelo juiz antes do acordo. A equipe de Baldoni não comentou diretamente o novo pedido de US$ 8 milhões até o fechamento desta matéria, mas terá oportunidade de se manifestar formalmente.
O juiz Liman determinou que Baldoni e a Wayfarer Studios respondam ao pedido até 13 de julho. Depois disso, ele decidirá se concede o valor integral, reduz a quantia ou nega o pedido por completo.
O saldo financeiro real do litígio
Apesar de nenhuma das partes ter recebido dinheiro diretamente no acordo de maio, fontes ouvidas pela Page Six estimaram que as equipes jurídicas de Lively e Baldoni faturaram juntas cerca de US$ 60 milhões ao longo de todo o processo.
Esse número evidencia uma realidade incômoda sobre litígios de alto perfil em Hollywood: independentemente de quem “vence” no tribunal da opinião pública, são os escritórios de advocacia que historicamente saem com os maiores ganhos financeiros concretos. Com o pedido de honorários ainda pendente de decisão, esse total já alto tende a crescer ainda mais nas próximas semanas.