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Boicote da PlayStation fracassa mesmo com discos físicos perto do fim

Boicote contra o fim dos discos físicos da PlayStation não mudou vendas nem engajamento, segundo analista de mercado.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Discos físicos já eram só 3% da receita da PlayStation antes do fim ser anunciado

O boicote batizado de “PlayStation Blackout” tentou pressionar a Sony a reverter o fim da produção de discos físicos, mas enfrentava um obstáculo que nenhuma mobilização nas redes sociais consegue driblar: os números. Segundo relatório corporativo da própria Sony, softwares físicos representaram apenas 3% da receita de games da empresa em 2024, enquanto downloads digitais já respondiam por 78% a 80% das vendas de jogos completos naquele ano fiscal, participação que subiu para 85% no trimestre mais recente.

Foi com base nesse cenário que a Sony anunciou, em julho, o fim da produção de discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. A empresa classificou a mudança como uma adaptação natural às tendências de consumo, e não como uma ruptura abrupta, citando inclusive o fato de que lançamentos grandes como GTA 6 já vêm sendo distribuídos com códigos de download mesmo nas versões em caixa, sinal de que o próprio mercado já havia migrado para o digital antes do anúncio oficial.

Uma semana de protesto sem efeito mensurável

Foi contra essa decisão que um grupo de jogadores organizou o “PlayStation Blackout”, pedindo que usuários desligassem os consoles ou saíssem da PSN entre os dias 23 e 30 de agosto. O movimento já nascia sob críticas por ter uma data de encerramento definida e por coincidir com um período sem lançamentos importantes, o que reduzia sua capacidade de gerar impacto real nas vendas.

O resultado confirmou o ceticismo. Segundo o analista de mercado de games Mat Piscatella, em publicação no Bluesky, o movimento não gerou “nenhuma mudança significativa na contagem de jogadores ou no engajamento” nos dados que sua equipe monitora. Usuários do Reddit que comentaram o levantamento apontaram um motivo recorrente para o fracasso: as redes sociais representam uma fatia muito pequena da base total de jogadores, o que explica por que protestos como esse raramente afetam o comportamento de compra do público em geral.

Consoles vendendo mais do que nunca enfrentam o boicote

O timing também jogou contra os organizadores. A PlayStation vive um de seus melhores momentos de vendas em anos, embalada justamente pelo lançamento de GTA 6, o que praticamente anula qualquer chance de uma reação de mercado à polêmica dos discos. Apenas 27% dos consoles PS5 vendidos são da versão totalmente digital, sem leitor de disco, o que mostra que a maioria dos jogadores ainda opta por hardware com essa opção, mesmo que a produção de mídia física para novos títulos esteja com os dias contados.

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A brecha que pode vir da Xbox

A esperança que resta para quem defende a mídia física não vem da pressão popular, mas de um possível reposicionamento da concorrência. A Microsoft anunciou, no fim de agosto, um programa de conversão de disco para digital que permite transformar jogos físicos em direitos de acesso digital em múltiplas plataformas. A empresa ainda não confirmou se o próximo Xbox terá ou não leitor de disco, mas o movimento é visto como uma resposta à contração na cadeia de fornecimento de componentes óticos, à medida que fabricantes migram para tecnologias mais usadas no mercado.

Se a Microsoft decidir manter o disco como diferencial em sua próxima geração de consoles, o gesto pode reacender a discussão sobre mídia física de um jeito que nenhum boicote conseguiu, ao transformar a escolha da Sony em uma vantagem competitiva real para o rival, e não apenas em uma bandeira de protesto online.

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