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Fenômenos nos anos 2010, chegando a ápices de popularidade momentâneas, as chamadas creepypastas trouxeram revolucionaram o mercado de contos tenebrosos e lendas urbanas. A internet flexibilizou a possibilidade de diversas pessoas mostrarem seus talentos como autores de diversos gêneros. No caso, o terror é um cenário bem-sucedido e que sempre convida novas histórias.

Trazendo o fator creepy, essas histórias geralmente traziam reviravoltas inesperadas com finais agonizantes e geralmente injustos. Simplesmente não havia um final feliz por completo. Isso quando se tratava de narrativas, já que grande parte delas realmente se comporta como lendas urbanas atualizadas.

Não demorou muito para que diversos criadores de conteúdo percebessem que essas histórias eram pratos cheios para serem adaptadas em outras mídias. Como muitas eram postadas anonimamente, melhor ainda para o produtor, com preocupações menores sobre direitos autorais.

Exatamente partindo dessa premissa, o SyFy encomendou a série Channel Zero, cancelada recentemente por falta de audiência. A série antológica adaptava famosas creepypastas a cada temporada, contando quatro histórias distintas. A primeira delas, trazia a história da misteriosa maldição de Candle Cove.

Encontrando a identidade

A premissa de Candle Cove é bastante simples. Traz diversos clichês clássicos como vídeos amaldiçoados, crianças malditas, cidades do interior, assombrações e arrependimentos do passado. Acompanhamos a vida do psicólogo perturbado Mike Painter que, mesmo depois de adulto, não conseguiu superar a morte de seu irmão gêmeo quando tinham 12 anos de idade.

Sofrendo com pesadelos que clamam pela sua volta à cidade natal Iron Hill, Painter decide que é hora de enfrentar os fantasmas bastante reais de seu passado problemático. Ao chegar na cidade, não demora nada a descobrir que um antigo programa infantil perturbador, Candle Cove, que via quando criança, voltou ao ar.

Em 1980, quando viu o programa pela 1ª vez, uma série de assassinatos misteriosos atingiu a cidadezinha e que acabaram mudando sua vida para sempre. Agora que retornou juntamente com o programa, ele suspeita que a mesma coisa possa acontecer. E para piorar, muita gente pode acreditar que ele seja o responsável pelas mortes tanto do passado quanto do presente. Para se livrar desse estigma, Painter terá que descobrir diversos segredos nada agradáveis sobre si mesmo.

Escrita pelo showrunner, Nick Antosca, a trama da 1ª temporada de Channel Zero segue de modo bastante simples, utilizando recursos narrativos sempre eficazes para dilatar uma história nada complexa em seis episódios: flashbacks. Acompanhamos a vida do protagonista tanto no presente quanto no passado, com intercalações para que o espectador descubra a solução de alguns mistérios nem tão interessantes ou instigantes assim.

Por um lado, é realmente válido que Antosca prefira mostrar os eventos do que apenas escancará-los através de exposição entre os personagens da série, porém, é uma pena que todo o suspense e suas resoluções sejam medíocres ou simplesmente previsíveis em grande parte.

As relações entre os personagens também não ajudam muito por conta da apatia do protagonista. Interpretado por Paul Schneider em grande parte no automático, Mike Painter é um protagonista sem muita expressão ou características originais que conseguem fisgar o espectador a ponto de torcermos por ele.

Enquanto há um bom ponto narrativo com a cidade se voltando contra ele por conta do comportamento errôneo da comunidade infantil, rapidamente as coisas são superadas por roteirismos muito intensos envolvendo os coadjuvantes como com Jessica e seu marido, o xerife da cidade. Com coadjuvantes cometendo tantos erros, fica fácil para Mike conduzir sua investigação bastante lenta enquanto lida com sua mãe Marla, muito bem interpretada pela grande Fiona Shaw.

Assim como grande parte do mistério envolvendo o programa Candle Cove, a relação com a mãe de Mike é bastante promissora, mas também nunca desenvolvida em seu potencial, mais se assemelhando a pequenos diálogos melodramáticos ao estilo de seriados mais populares de romance.

Entretanto, embora em geral a história seja muito enrolada e lenta, o fator creepy é realmente bem elaborado. Entenda que o creepy difere do terror – nesse sentido, a temporada é um desastre pela falta de pegada atmosférica para sustos e elevação do suspense amedrontador. O creepy simplesmente foca em imagens que trazem algum desconforto ou que são incomodas.

O próprio programa infantil Candle Cove é bastante incômodo, por exemplo. Há diversas outras características mais clássicas como pessoas fantasiadas com máscaras mal feitas, corredores mal iluminados, florestas sombrias e uma criatura totalmente feita de dentes humanos. Certamente não é muito impressionante a ponto de fixar na sua cabeça, mas causa um sentimento mais eficaz que o restante da temporada.

Também é preciso reconhecer que o critério técnico da série é muito bom para um projeto estreante. Apesar de não contar com muito valor de produção em termos de efeitos e maquiagem, temos diversas locações, uma câmera bastante movimentada e planos aéreos muito bonitos. Uma pena apenas que o diretor Craig William Mcneill enquadre muitos dos diálogos de modo extremo, deixando um grande espaço aberto em tela no esquema campo/contracampo.

Na média

Candle Cove não é uma grande história para sustentar a primeira temporada de Channel Zero. Com personagens redundantes e falta de pulso firma na atmosfera amedrontadora, a série acaba ficando apenas na média trazendo uma história que poderia ser contada facilmente em quatro episódios em vez de seis.

Justamente pela dilatação de uma situação desinteressante, seu ritmo é muito prejudicado, mas ainda assim é um bom entretenimento. Só não tenha grandes expectativas para o que irá ver.

Channel Zero: Candle Cove 1ª Temporada (EUA – 2016)

Criador: Nick Antosca
Roteiro: Nick Antosca, Max Landis
Direção: Craig William Mcneill
Elenco: Paul Schneider, Fiona Shaw, Natalie Brown, Shaun Benson, Luca Villacis
Gênero: Drama, Terror
Duração: 45 minutos por episódio.

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