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Catálogo

Crítica | Polar – Um John Wick com mais humor e sexo

Quem curte filmes de ação diferentes irá gostar do resultado final de Polar. Não é um longa fantástico, mas entrega o que o público quer

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
30 de janeiro de 2019 · 7 min de leitura
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Crítica | Polar – Um John Wick com mais humor e sexo

A Netflix tem a fama, entre muitos de seus telespectadores, de realizar adaptações fracas e que não mantem a alma da produção original. Essas críticas recorrentes aconteceram com Death Note, em que o longa é tão ruim que beira ao ridículo. Pois em Polar a empresa se redime de erros passados, e se não concebeu um filme que é espetacular, pelo menos conseguiu realizar uma boa adaptação da hq criada por Víctor Santos, Polar: Came From the Cold.

Polar não irá agradar a todos que o assistirem e essa nem é a pretensão do diretor Jonas Åkerlund (Os Cavaleiros do Apocalipse). A ideia de Jonas é a de conceber uma produção adulta que não se prenda nos clichês nem em uma estrutura narrativa óbvia de vingança em que o protagonista irá se inserir. Tal vingança é bem desenvolvida e não é o que o prende em sua busca, uma decisão interessante de roteiro que foge do que estamos acostumados a ver. Sua vingança é algo mais simbólico, tem a ver com sua luta contra o passado e contra os crimes cruéis que cometeu, é como se fosse uma redenção do personagem, um último confronto antes da aposentadoria. 

Na trama, Duncan Vizla, ou como é conhecido no meio do crime, Kaiser Negro (Mads Mikkelsen), é um homem prestes a se aposentar, mas antes tem uma última missão a realizar.Tal trabalho não é o que ele imaginava que seria e o que se vê após o chamado é um rastro de morte em que o Kaiser Negro leva toda sua fúria e sabedoria contra os vilões.

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O diretor trabalha a história de forma sombria. Sua estrutura narrativa e de roteiro são de um filme comum de ação, em que os personagens são apresentados no primeiro ato e assim vai se desenvolvendo toda a trama nos atos seguintes. A ideia do diretor não é criar algo novo ou original e sim trazer elementos que agradem ao público fã do gênero quanto as situações que são apresentadas no longa.

Além da já mencionada vingança o roteiro trata de outros assuntos que dão maior suporte para a história e seus desdobramentos, como a redenção em que o Kaiser Negro irá lutar para conseguir. Sua aposentadoria não serve apenas para ser um gatilho para tudo o que irá acontecer, serve também para mostrar, mesmo que de forma breve, o passado do personagem. O roteiro falha bastante em não se aprofundar nessa e em outras questões por não serem atraentes para o filme, já que mostrar mais sobre o protagonista iria fazer com que a trama saísse do caminho trilhado. 

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Desde o início nos é mostrado qual seria a abordagem que o diretor iria seguir para o filme, com um tom adulto e violento já dava para imaginar que seria focado em um público mais adulto. O humor apresentado logo naquele início, com tiros e uma mulher sensual se exibindo na piscina, serviu apenas para tirar a carga violenta que a cena mostrou e para apresentar os cinco personagens que mais para a frente seriam os vilões do longa. O humor é feito de um jeito espontâneo e sarcástico, enquanto que as cenas sensuais envolvendo a atriz Ruby O. Fee são apenas para dar algo a mais sobre a personagem. Esse lado sexual do longa é algo que poderia ter sido repensado e até mesmo retirado na hora da montagem final, justamente por não acrescentarem em nada a história. 

Polar é um filme de ação que vai na linha de John Wick e Atômica, pelo menos nas lutas coreografadas e no tom sério do protagonista que mata sem piedade seus adversários, claro que não tem a intensidade nem a agilidade da ação proposta por John Wick, mas que a referência de Polar é o personagem de Keanu Reeves, isso não há dúvidas. As cenas de ação do filme são bem elaboradas, mas que acabam tão logo começam, são tão rápidas que fica aquele gostinho de quero mais. Possivelmente o diretor fez isso para mostrar que o personagem de Mads Mikkelsen é um cara ignorante e que acaba com seus adversários sem enrolação. 

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A violência é feita de forma caricata, tem a brutalidade apresentada em Kill Bill, mas com doses de humor ao estilo Dois Caras Legais. Tal violência é a essência desses personagens que vivem da matança como meio de vida, é algo encrustado em suas vidas. O próprio protagonista tem um passado de mortes que o levam a tal redenção, enquanto os vilões fazem apenas o que o manda-chuva os pede para fazer. A cena de tortura em que o Kaiser Negro sofre é de doer na pele de tão bem feita, tal sofrimento infringido ao personagem chega a ser comparável com o que o que ocorre em Hellraizer, em que as pessoas são torturadas pela eternidade pelos cenobitas. Óbvio que o Kaiser Negro não é torturado de forma tão pesada assim, mas que há uma certa dose de impacto pela cena público, isso é fato. 

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Mads Mikkelsen (Star Wars: Rogue One) está fantástico com seu personagem, o Kaiser Negro, um homem que apenas quer viver sua futura aposentadoria, mas há percalços até chegar ao dia que ficará livre da vida de crime. As situações em que é colocado a partir do momento que aceita a nova tarefa estão ali para dar maior substância ao personagem, já que não é mostrado nada de mais relevante sobre seu passado. Mads Mikkelsen é um ator que não deixar cair em nenhum momento o lado sério do protagonista. Mikkelsen poderia facilmente participar de mais filmes de ação, ao estilo Liam Neeson que se descobriu nesse gênero com Busca Implacável. Mikkelsen é tão bom quanto Liam e não seria nenhum exagero dizer que ele poderia fazer outros filmes de ação. 

Uma nota triste de Polar é em relação aos vilões. São apresentados logo de cara como uma espécie de Esquadrão Classe A, engraçadões, cantando September do grupo Earth, Wind & Fire e eficaz em suas missões. Mas daí em diante desanda até que o grupo fica completamente esquecido pela trama para só aparecer depois, ao caçar o Kaiser Negro. Apesar de caricato, esse grupo do mal funciona muito bem e é o diferencial quando aparece. É possível afirmar que as melhores partes são quando estão em cena, tanto que quando são vencidos pelo Kaiser Negro, o filme perde totalmente o rumo. Já Vanessa Hudgens (High School Musical) está irreconhecível como a vizinha do Kaiser, mas tem uma certa importância para o filme, mesmo que ela praticamente não apareça em cenas de maior destaque. 

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Quem curte filmes de ação diferentes irá gostar do resultado final de Polar. Não é um longa fantástico, mas entrega o que o público quer e com bons personagens e boas cenas de ação e de lutas. O seu maior problema foi realmente não ter se aprofundado mais na trama do protagonista, principalmente falando mais sobre o sua vida, mas isso não atrapalha em nada o entendimento da história. É um bom passatempo para assistir, relaxar e deixar o tempo passar. 

Polar (idem – Alemanha, EUA, 2019)

Direção: Jonas Åkerlund
Roteiro: Jayson Rothwell, Víctor Santos (criador da hq Polar: Came From the Cold)
Elenco: Mads Mikkelsen, Vanessa Hudgens, Katheryn Winnick, Fei Ren, Ruby O. Fee, Matt Lucas, Robert Maillet, Anthony Grant, Josh Cruddas, Lovina Yavari
Gênero: Ação, Crime
Duração: 118 min.

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Tags: #Katheryn Winnick #Mads Mikkelsen #Vanessa Hudgens
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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