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Engenheiro da Valve admite: crise de RAM ‘ainda está piorando’

Engenheiro do Steam Machine revela que a crise global de memória RAM, puxada pela IA, ainda deve piorar antes de melhorar.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Por que o Steam Machine ficou tão mais caro do que a Valve planejava

Quando a Valve anunciou o Steam Machine, em novembro de 2025, a expectativa do mercado girava em torno de US$ 700 a US$ 800. O aparelho chegou às prateleiras custando US$ 1.049 na versão de entrada, e segundo um dos próprios engenheiros por trás do projeto, o pior ainda está por vir.

Em entrevista ao jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, o engenheiro Yazan Aldehayyat admitiu que a Valve sabia que enfrentaria problemas de fornecimento, mas não nessa escala. Segundo ele, a extensão real da crise superou qualquer expectativa da equipe durante o desenvolvimento do console.

A culpa é da corrida por memória para IA

Por trás do aumento de preço está a chamada “RAMageddon”, crise global de escassez de memória RAM provocada em boa parte pela demanda crescente de data centers voltados à inteligência artificial. Segundo estimativas do setor, o custo de memória subiu cerca de 170% em pouco tempo, e cada dólar dessa alta foi repassado diretamente ao preço final do Steam Machine.

Isso acontece porque a Valve opera sob um modelo de negócio bem diferente do usado por concorrentes como a Sony, que vende o PS5 no prejuízo e recupera a diferença depois com venda de jogos e assinaturas. Segundo Aldehayyat, é importante que o hardware da Valve seja autossustentável, sem depender de receita de software para compensar o custo de fabricação, o que elimina qualquer margem de segurança diante de um choque de preços como esse.

“Ainda está piorando”, diz o próprio engenheiro

O alerta mais direto de Aldehayyat na entrevista foi sobre o que ainda está por vir. Segundo ele, o que aparece hoje nas prateleiras reflete decisões de fornecimento tomadas de três a seis meses atrás, o que significa que os preços atuais ainda não capturam totalmente o tamanho real da crise em curso.

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Pierre-Loup Griffais, outro engenheiro da Valve ouvido na mesma entrevista, reforçou que a empresa está basicamente fabricando tudo que consegue colocar as mãos, limitada diretamente pela capacidade de memória disponível no mercado. Analistas de consultorias como CCS Insight e IDC não esperam alívio significativo nos preços de memória antes de 2027 ou 2028, já que fabricantes de chips têm pouco incentivo para acelerar a capacidade voltada ao consumidor enquanto o mercado de IA pagar mais por esses mesmos componentes.

Um problema que ultrapassa o Steam Machine

A crise de memória não afeta só a Valve. A Lenovo já havia feito alertas semelhantes recentemente, sugerindo que os preços mais altos podem se tornar a nova normalidade do mercado, em vez de uma alta temporária. Rumores também apontam que o próprio Half-Life 3, um dos lançamentos mais aguardados da história dos jogos, pode ter sofrido atrasos relacionados à mesma escassez de componentes.

Apesar do cenário desafiador, Aldehayyat mantém otimismo sobre o propósito do produto. Segundo ele, se o Steam Machine conseguir realmente resolver o problema de trazer a experiência de PC gamer para a sala de estar, a Valve vai considerar isso um sucesso, independentemente do volume de unidades vendidas no curto prazo.

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