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GTA 6 não deve satirizar Trump e a pandemia, revela Rockstar

Rob Nelson explica por que a Rockstar decidiu não satirizar diretamente Donald Trump e a COVID-19 em GTA 6.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

A Rockstar Games construiu sua reputação em cima de uma sátira ácida e propositalmente exagerada da cultura americana, e os 13 anos que separam GTA 5 de GTA 6 deixaram fartura de material para explorar. Mas, segundo reportagens recentes do New York Times e da IGN, dois temas ficaram de fora do escopo direto do próximo jogo: a ascensão política de Donald Trump e a pandemia de COVID-19.

A decisão pode soar estranha para um estúdio conhecido por não poupar ninguém, mas Rob Nelson, cochefe da Rockstar North, explicou que o motivo é essencialmente prático, e não político.

O medo de “datar” o próprio jogo

Ao New York Times, Nelson resumiu o raciocínio da equipe: “corremos o risco de nos situar no tempo de um jeito meio estranho. Então temos que olhar para as coisas e pensar: o que vai ter uma qualidade atemporal, que vai falar facilmente sobre as loucuras e fraquezas humanas relacionáveis e que vai ser lembrado como parte desta época?”

O raciocínio nasce da própria lógica de produção da franquia. Diferente de um programa de humor semanal, capaz de reagir a qualquer escândalo do noticiário em poucos dias, GTA 6 passou a maior parte de uma década em desenvolvimento, o que torna qualquer piada muito específica um risco de envelhecer mal antes mesmo do lançamento.

“Não somos um programa de TV que estreia toda semana”

Em entrevista separada à IGN, Nelson detalhou ainda mais essa lógica editorial. Segundo ele, o ciclo longo de desenvolvimento da Rockstar obriga a equipe a escolher o ângulo de abordagem com cautela, decidindo o que tem chance de envelhecer bem em vez de correr atrás de cada novidade do momento. Para o executivo, temas mais amplos da condição humana seguem sendo um terreno seguro para a sátira, mas questões políticas muito específicas ou memes de internet têm prazo de validade curto.

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Essa postura não significa, porém, que o jogo vá ignorar completamente o clima de desinformação e teorias da conspiração que marcou boa parte da última década. A ideia é abordar esse tipo de fenômeno de forma mais genérica, sem apontar diretamente para nomes ou eventos específicos que remetam de imediato a Trump ou à pandemia.

Referências que já escaparam ao controle

Apesar da cautela declarada, trailers anteriores de GTA 6 já flertaram com memes reconhecíveis do público americano, incluindo o que muitos fãs interpretaram como uma referência ao chamado “Florida Joker”, apelido dado a um homem cujas fotos de identificação viralizaram nas redes sociais por causa do cabelo tingido e das tatuagens no rosto. O caso rendeu até uma cobrança pública de indenização à Rockstar, ainda sem desdobramento judicial formal.

Nelson afirmou que a equipe também tenta evitar o uso de gírias contemporâneas nos diálogos, numa tentativa de blindar o texto do jogo contra o mesmo tipo de envelhecimento precoce que a Rockstar quer evitar nos temas políticos. GTA 6 chega ao mercado em 19 de novembro para PlayStation 5 e Xbox Series X.

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