Hollywood vem trabalhando a ritmos industriais com os remakes, refilmagens de filmes clássicos sem mudar quase nada da história original. Essa lista não fala de remakes e sim de novas interpretações de histórias antigas. Filmes feitos com uma nova visão ou baseado em um filme que há muito já havia trabalhado a história ou um livro que existe há muito tempo e já conta com muitas versões para o cinema. Aqui vão alguns nomes que tiveram recentemente adaptações com novas visões.

10. Ben-Hur (2016)

Ben-Hur é um livro de 1880 (Lew Wallace) e ganhou adaptações para o teatro e cinema, sendo a mais célebre a versão de 1959 e conta no elenco com Charlton Heston e Jack Hawkins. Ben-Hur de 1959 é um épico grandioso e recebeu 11 prêmios Oscar, algo que poucas produções conseguiram até hoje. Por essas e outras seria difícil de imaginar que um clássico desses ganharia uma nova versão para os cinemas. Em 2016, uma adaptação baseada no livro de 1880 e dirigida por Timur Bekmambetov foi levada aos cinemas sem muito sucesso de crítica e público. Nele Judah Ben-Hur (Jack Huston) é condenado à escravidão por supostamente ter cometido ato de traição. Sobrevivendo a tudo ele descobre que seu irmão Messala o havia enganado, então ele passa a buscar vingança contra ele.

9. Rei Arthur – A Lenda da Espada (2017)

O conto do Rei Arthur já teve inúmeras adaptações para o cinema e para a TV. Algumas contavam a vida de Lancelot, outras do mago Merlin, mas a maioria foca mesmo em Arthur e sua espada  lendária Excalibur. A última adaptação da lenda do guerreiro foi levada ao cinema em 2004 que contava com Clive Owen no elenco e foi um fracasso de crítica. Esse ano estreou Rei Arthur – A Lenda da Espada que também não foi bem nos cinemas gerando um grande prejuízo para os estúdios Warner. Arthur é um grande personagem da cultura pop e as adaptações focam muito em cenas de batalha, um cavaleiro musculoso e forte e acabam esquecendo do principal: a história. Com toda certeza em dez anos terá outra versão de Arthur nos cinemas. 

8. Anna Karenina (2012)

Baseado na obra do russo Leon Tolstói e com mais de dez adaptações para o cinema, sendo uma das melhores versões a de 1967 de Aleksandr Zarkhi. Anna Karenina é um romance sobre a vida de uma mulher invejada por todos por possuir riqueza, beleza e uma família consolidade. Só que ela não se sente feliz e acha tudo em sua existência muito vazio. Então que ela passa a se relacionar com o Conde Vronsky, quebrando assim as regras da autocracia russa da época. Dirigido por Joe Wright (Desejo e Reparação) a versão de 2012 atualizou uma história clássica, mas seu lançamento passou batido por todos. Anna é uma personagem importante para a literatura e merece um filme a sua altura, algo que esse com certeza não é. 

7.  Os Miseráveis (2012)

Obra do francês Victor Hugo já teve tantas adaptações desnecessárias e tantas versões já foram feitas com visões diferentes que a chance de um novo filme se sair bem era muito pequena. Mas Os Miseráveis de Tom Hooper (A Garota Dinamarquesa) deu uma nova luz para esse clássico da literatura. Tom resolveu criar um musical que contava a histórica de Jean Valjean usando como pano de fundo a revolução francesa. Muitos não gostaram dessa versão por acreditarem que seja mal dirigida. Pode até não ser brilhante, mas ela te envolve e te dá uma sensação de prazer ao assisti-la, algo que muitas produções não conseguem. 

6. A Lenda de Tarzan (2016)

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Como produção, A Lenda de Tarzan, é bem fraca. A escolha de Alexander Skarsgård para reviver nas telas o papel do homem da floresta foi um equívoco. Skarsgård  está para Tarzan assim como Charlie Hunnam está para Arthur.  Ambos pegaram dois personagens icônicos da cultura pop, mas acabaram os afundando. Não adianta pegar um ator que seja galã, musculoso e carismático, mas que não tenha uma atuação decente e que mostre a que veio. Christopher Lambert em Greystoke – A Lenda de Tarzan, O Rei da Selva tem muito mais faro para o papel do homem da floresta que Alexander. Tarzan é uma obra já saturada para o cinema, houveram muitas adaptações para a tela, tanto séries quanto filmes por isso mesmo era difícil que uma nova produção pudesse surpreender.

5. Sherlock Holmes (2011)

O detetive inglês mais conhecido da literatura já teve várias adaptações para o cinema e TV, mas essa versão com Robert Downey Jr. no papel de Holmes e Judd Law como Watson é muito melhor que muitas versões cinematográficas. Criado pelo escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle, Holmes é um investigador com dedução nata para solucionar problemas sem solução. Dentre os muitos personagens da cultura policial Sherlock é com certeza um dos mais conhecidos e importantes ao lado de Poirot da escritora Agatha Christie. Nessa produção de Guy Ritchie o detetive voltou aos holofotes com grande destaque e mostrou que ele ainda é bem recebido pelo público.

4. Madame Bovary (2011)

Quando a personagem Emma Bovary foi lançada por Gustave Flaubert causou grande escândalo na França e levou seu autor a julgamento. Isso ocorreu no ano de 1857, portanto uma época conservadora e que ainda não estava preparada para receber uma obra como a dele. Na história do livro Emma Bovary é casada com um médico que a ama muito, ela com o tempo vai se sentindo presa e entediada com o relacionamento e acaba praticando o adultério com outro homem, e assim encontrado uma liberdade que sentia ter perdido. Em 2014 foi lançada uma nova obra a respeito dessa personagem tão famosa. Dirigida por Sophie Barthes (Almas á Venda) e com Mia Wasikowska no papel da Madame Bovary, o filme trata de forma sensível e delicada a sua rotina de casamento e adultério. É uma obra a altura dessa personagem não tão bem aceita pela sociedade e que teve poucas adaptações decentes para o cinema, com exceção da versão de Claude Chabrol.

3. Kong: A Ilha da Caveira (2017)

King Kong é um dos monstros mais icônicos do cinema e com suas duas versões, tanto a de 1976 como a continuação de 1986 transformaram o gorila gigante em cinema pipoca e um mito capaz de alavancar multidões para as salas de cinema. Kong é um personagem que sempre teve tudo para fazer sucesso nas telonas. Lançado em 1933 sempre teve praticamente a mesma histórica contada. Uma expedição vai a uma ilha desconhecida, ou com cinegrafistas ou com fins militares ou para realizar estudos e acabam se deparando com o poderoso Kong. Encontram nessa ilha também uma tribo esquecida e que idolatra o rei do lugar. O filme desse ano foi bem na bilheteria e não é um filme ruim, é uma leitura diferente da versão de Peter Jackson (2005), e deve se unir nos cinemas com outra lenda a do monstro Godzilla.

2. Macbeth: Ambição e Guerra (2015)

Nada mais atual que uma história de William Shakespeare, o dramaturgo inglês já teve inúmeros textos levados ao cinema assim como sua própria vida já foi retratada em filmes como AnônimoE uma de suas histórias mais célebres foi levada para o cinema com uma versão brutal dirigida por Justin Kurzel (Assassin’s Creed). Macbeth: Ambição e Guerra adaptou para os cinemas a obra que já havia sido filmada por diretores do cacife de Orson Welles e Akira Kurosawa. Cada adaptação de Macbeth tem uma linguagem e abordagem diferente e com essa versão de 2015 não foi diferente. Ela é bem realista com o texto original de William e mostra um rei guerreiro e que lembra bastante William Wallace de Coração Valente.

1. Fausto (2011)

Livremente inspirado em Fausto de Goethe, obra trouxe uma nova reflexão a respeito do personagem alemão. Em Veneza, Fausto levou o Leão de Ouro e não é para menos. Aleksandr Sokurov fez uma obra sem precedentes. A primeira adaptação de Fausto para as telas é datada de 1904 com um curta em preto e branco por Georges Méliès. Daí em diante se seguiram muitas outras interpretações da obra como as dos diretores F.W. Murnau (1926) e Jan Svankmajer (1994). Essa versão de Sokurov é uma das melhores já feitas, com uma estética perfeita e cores que fazem com que tudo pareça um pesadelo. O livro de Goethe não é dos mais fáceis de se adaptar, ele conseguiu passar para as telas a alma da obra e do personagem interpretado por Johannes Zeiler. Fausto é uma lenda alemã, sua primeira evocação é datada de 1587 e a partir de então muitas obras falaram dele, a mais famosa é a obra literária de Goethe. Nela um homem faz pacto com o demônio para que possa viver por 24 anos e ao término do contrato com Mefistófeles é levado ao inferno.

Escrito por Gabriel Danius.