Amem ou odeiem, tanto seu estilo quanto o indivíduo, há de se reconhecer que Bernardo Bertolucci deixou para trás um legado que viverá para sempre em seus grandes e alguns polêmicos filmes. Desde o início de sua carreira como simples assistente e aprendiz de Pier Paolo Pasolini até os anos com suas investidas em produções internacionais, sempre levantando temas de retratação política, ardor sexual e conflitos existenciais, às vezes tudo junto em um só.

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Bertolucci criara uma carreira que seria para sempre até hoje criticada e ao mesmo tempo aclamada por seus grandes feitos. E essa lista é exatamente para relembrar esses grandes feitos e lembrar do grande artista que foi!

Beleza Roubada (1996)

Colocações polêmicas à parte, como todo caso de um filme de Bertollucci, Beleza Roubada é infelizmente um dos seus filmes pouco lembrados assim como outro divisor de águas. Tanto por alguns o verem como uma mero drama erótico e de visão sexualizada sobre sua protagonista, e talvez não enxerguem a boa história de conexão com suas origens e a sombra do passado sempre em seu encalço, e a procura de respostas à perguntas sufocantes internas. Toda a autoral que se pode esperar de Bertolucci e que é carregada aqui por uma ótima Liv Tyler em seu papel de estréia no cinema. Um trabalho menor mas que merece muito mais atenção do que tem.

Assédio (1998)

Outro infelizmente mal lembrado de Bertolucci, e outro que mais uma vez mostrava a sensibilidade do diretor que ia muito além do que puro conto erótico gráfico. E que sabia criar em seus sempre recorrente temas de identidade étnica, política e social, um romance puro e verdadeiro quase lírico mas nunca gratuito em suas emoções tão bem costuradas pela câmera do diretor. Um Bertolucci menor, porém extremamente sensível e belo.

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A Estratégia da Aranha (1970)

Um dos filmes mais metódicos do diretor que, assim como fora com O Conformista, talvez siga uma linguagem um tanto difícil de se aspirar à uma primeira vista, mas promete temas emocionalmente ressonantes e complexos assim como todos do diretor. Alternando sua narrativa entre passado e presente, e intercalando lapsos e memórias como realidade, Bertolucci mais uma vez constrói uma retração da remodelação histórica de seu país e como afeta o passado, presente e futuro de gerações inteiras. Uma das obras mais subestimadas de Bertolucci.

O Céu que nos Protege (1990)

Infelizmente pouco lembrado como um dos momentos mais romancistas do diretor, e fora aqui na sua adaptação da obra de Paul Bowles que Bertolucci criara entre Debra Winger e John Malkovich um dos casais mais complexados e belos do cinema. Flertando novamente com alguns dos temas favoritos do diretor como existencialismo, memórias e a invisível procissão do tempo, auxiliado por um dos mais incríveis trabalhos de fotografia de seu recorrente colega Vittorio Storaro, e que faziam de O Céu que nos Protege uma das obras de maior textura contemplativa de Bertolucci, assim como um dos feitos com tamanho carinho e suavidade pelo diretor.

Antes da Revolução (1964)

Infelizmente ainda apenas visto como um trabalho “amador” de um ponto de vista técnico e feito por um ainda jovem Bertolucci se aventurando em apenas seu segundo filme até então. Mas Antes da Revolução não só já mostrava a afiada lábia e ambição do diretor na retração histórica de seus temas universais de guerra e identidade, morte e existência em uma realidade opressora. Tanto capturando a linguagem neorrealista Italiana como a rebeldia da Nouvelle Vague francesa em sua estrutura caótica, pode não ser um dos grandes feitos do diretor no cinema mas já mostrava sua grandiosidade crescente.

O Último imperador (1987)

O grande épico que trouxe todos os Oscars imagináveis para Bertollucci, mas também um belo filme de sua filmografia que mostrava o diretor, ao mesmo tempo que demostrando sua marca política registrada ao refletir sobre as causas e consequências da revolução comunista dentro da retratação da vida do último imperador da China, Pu Yi. Foi também o diretor mostrando sua ambição em criar o épico dos épicos cuja imensa escala de produção, visual, cenários e reconstituição de época refletem essa tentativa bem sucedida de criar um definitivo épico histórico mas onde cujo o diretor ainda se mantinha firme e forte em sua assinatura de autor.

Os Sonhadores (2003)

Para o bem e para o mal, podemos dizer que Os Sonhadores fora sim o último grande filme a fazer na década passada quanto em vida. E que quase já servia como uma obra póstuma de sua carreira ao realizar um conto erótico em sua superfície mas com fortes entrelinhas autobiográficas de sua vida. Onde o icônico e sensual trio de jovens vividos por Eva Green, Michael Pitt e Louis Garrel vivem em uma realidade de grande opressão  onde encontram no erotismo um escape da política e repercussões sociais de sua época. Um auto retrato tanto de sua vida como carreira e apresentava seu cinema à uma nova geração de admiradores.

Último tango em Paris (1972)

Definitivamente a ovelha negra da lista e um dos grandes motivos de tantos repudiarem Bertolucci até hoje. Mas olhando além de toda a polêmica envolvendo o assédio em cena de Maria Schneider, encontramos no filme de Bertolucci um intenso estudo e reflexão, tanto erótico quanto dramático, sobre luto, relações abusivas e memórias que para sempre definirão nossa natureza e sentimentos em um cenário que nunca poderemos controlar.

1900 (1976)

Talvez o maior divisor de águas do diretor, e talvez seu filme mais pessoal e o épico mais ambicioso. Há quem diga pretenciosamente que assistir 1900 por suas inteiras cinco horas de duração, não é só assistir a história de uma amizade com dois incríveis Robert De Niro e Gérard Depardieu, se deteriorando por anos. Mas também é como assistir à própria história Italiana se construindo em frente do público, com todos os seus conflitos sociais e políticos, as lutas trabalhistas de cunho socialista e a inevitável emergência do fascismo, tudo caracterizado através de seu cast de personagens com complexos. Se consegue acertar em todas as notas que tanto queria, fica ao critério do público, mas é inegável o grande trabalho realizado aqui.

O Conformista (1970)

Talvez o verdadeiro ápice da filmografia de Bertolucci. A trama de mistério e assassinato que segue o complexo personagem Marcello, de um soberbo Jean-Louis Trintignant, serve apenas com um mero palco tanto para o diretor exercitar seu incrível trabalho de mise-en-scène com seus imersos cenários contando histórias inteiras dentro de cada cena, como também usa da integração facista de seu protagonista para fazer um exímio estudo de um personagem prendendo o verdadeiro ser humano em uma realidade que o oprime e o extermina internamente. Dificilmente um filme alcança tanta perfeição técnica e narrativa de uma vez só como Bertolucci realizara aqui!

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