O Conceito

Dia vs Noite, TWD vs GOT, DC vs Marvel, BvS vs Guerra Civil, Xbox vs Playstation, Flamengo vs Fluminense, Android vs iOS, McDonalds vs Burger King, Nerd vs Nerd, Fanboy vs Fanboy.

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O multiverso nerd é pautado por discussões intermináveis e, geralmente, extremamente redundantes. Mas com toda a certeza a gente adora aquela treta cósmica para provar que um lado é melhor que o outro – mesmo que o único convencido na discussão seja você mesmo. Analisando essa treta tão peculiar, decidimos trazer um pouco desse espírito “saudável” de discussão para o nosso site.

Sejam bem-vindos ao Cine Vinil! Calma, antes de soltar os cães nos comentários, entenda nossa proposta. Os discos de vinil foram um dos itens mais amados para reprodução de arquivos sonoros. Sua grande peculiaridade eram os lados A e B. O lado A era utilizado para gravar os hits comerciais das bandas, músicas mais populares. Enquanto o Lado B era mais voltado para canções experimentais ou mais autorais.

No caso, nos inspiramos pelos lados opostos do mesmo “disco” – de uma mesma obra. O primeiro filme a receber esse formato é Power Rangers que conseguiu dividir a opinião da equipe do site gerando a tempestade perfeita para testarmos o formato. Serão dois artigos: o Lado A, que contém a opinião positiva, e o Lado B, com a versão negativa. Os autores, obviamente, serão distintos, e escolherão 5 pontos específicos da obra para justificar seus argumentos.

Explicado o conceito, nós lhes desejamos aquela ótima discussão para defender o seu lado favorito! Quem ganhou? Lado A ou Lado B? Que a treta perfeita comece!

LADO B

por Pedro Guedes

FALTA DE IMAGINAÇÃO

Ok, é difícil dizer que criatividade é algo a se esperar de um filme dos Power Rangers – e se estou fazendo questão de reclamar disso, é porque a situação está feia. Quando conhecemos o quinteto principal, a impressão é de que estamos vendo um Clube dos Cinco sem o charme de Clube dos Cinco; quando os jovens ganham os poderes e começam a desvendar um novo mundo, acreditamos que se trata de um Poder Sem Limites que não aproveita tão bem o seu potencial quanto o verdadeiro Poder Sem Limites; quando os heróis se transformam em Optimus Zord/Mega Prime e vão enfrentar um monstro gigante de ouro (que mais parece areia), sentimos que estamos vendo um Círculo de Fogo sem a graça de Círculo de Fogo. Em vez de amalgamarem a fim de criar uma personalidade versátil e original, essa fusão de estilos soa dispersa, como se tentasse pegar o que caracterizava filmes muito melhores. Pensem num “Ctrl+C/Ctrl+V” de tudo aquilo que já nos acostumamos a ver em trocentas obras, só que ainda pior.

SENSO DE HUMOR

A segunda cena da projeção já traz uma piadinha envolvendo o pênis de um boi. Preciso dizer mais? Ah, sim: ao ouvir Zordon perguntando se os Rangers “Já se morfaram”, um dos adolescentes responde dizendo “Só no banheiro“. Já chega, não é? Não! O fato de Billy, o Ranger azul, ser autista é usado de forma incorreta, como se a doença do garoto fosse algo que rendesse vários alívios cômicos “engraçados”. E se a solução encontrada para acabar com Rita Repulsa é hilária, logo em seguida vemos uma dancinha de Megazord. Uma. Dancinha. de. Megazord.

MOMENTOS DRAMÁTICOS

Elogiei a química entre os cinco atores principais e admiro a diversidade de um elenco composto por duas mulheres, uma homossexual, um negro e um asiático, mas jamais conseguirei negar que os instantes onde o péssimo roteiro de John Gatins tenta acrescentar dimensão dramática aos personagens me trouxeram vergonha alheia. O arco envolvendo Kimberly tenta dar início a um debate sobre vazamento de dados íntimos, cultura dos nudes e perda de privacidade, mas tropeça ao se julgar “tematicamente ambicioso”; o autismo de Billy, como já foi dito, é utilizado como um instrumento cômico pavoroso; a homossexualidade de Trini, quando abordada, se resume a uma linha de diálogo (bastante óbvia, diga-se de passagem); a relação entre Kwan e sua mãe adoecida é tão superficial que não merece nem ser comentada; e a imaturidade de Jason é patética de tão rasa. E o que dizer daquele trecho aleatório que envolve um funeral ou do instante onde o filme se esforça para fazer o público acreditar que um personagem sofreu um destino trágico? Oh, céus…

VALORES TÉCNICOS DA PRODUÇÃO

Ainda nos primeiros segundos de Power Rangers, o design de produção literalmente copia e cola a Fortaleza da Solidão do Superman de Richard Donner; os zords são terrivelmente genéricos e, na hora da ação, é difícil entender o que cada um deles representa; o diretor Dean Israelite (que realizou Projeto Almanaque, há dois anos) treme constantemente a câmera quando precisa esconder efeitos visuais irregulares; a computação gráfica é grotesca (vejam aquele espaço sideral que surge durante alguns segundos durante o terceiro ato!); a trilha sonora consegue a proeza de não atrair nem quando reproduz o emblemático tema musical de Mighty Morphin Power Rangers; e o que diabos foi aquele Goldar, que mais parece um monstro de areia?! Sei que US$ 100 milhões não é orçamento de Star Wars ou Os Vingadores, mas façam-me o favor.

TOM PSEUDO-REALISTA DEMAIS

Quando Christopher Nolan dirigiu o ótimo Batman Begins e elevou a franquia do Homem-Morcego a um nível ainda mais espetacular no magistral O Cavaleiro das Trevas, provavelmente não imaginava o sucesso de sua abordagem inspiraria tantos outros blockbusters. O que muitos cineastas não parecem perceber, porém, é que nem todas as obras funcionam dentro da roupagem “sombria e realista”; o que prejudicou obras como O Espetacular Homem-AranhaAs Tartarugas NinjaQuarteto Fantástico e até mesmo Hércules (a versão dirigida por Brett Ratner e estrelada por Dwayne Johnson). O caso de Power Rangers é ainda mais grave: ao longo de todos os 124 minutos da projeção, assistimos a um longa cujo cerne é visivelmente tolo, mas que nunca parece compreender ou admitir a tolice inerente à sua essência. O resultado não poderia ser menos problemático e a impressão que fica é de que a produção não queria se levar a sério, mas se levou.

Clique AQUI para ler o LADO A.

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