Sejam bem-vindos à terceira parte do especial do Bastidores sobre o Oscar 2017! Assim como nos volumes anteriores, analisaremos cada candidato das respectivas categorias, desta centrando-se na complicada arte da sonoplastia – um assunto que nem mesmo os votantes da Academia entendem muito bem, mas fizemos o nosso melhor para tornar o assunto claro e compreensível para todos.

Vamos lá com as análises de Lucas Nascimento e Thiago Nolla:

Melhor Edição de Som

O som é uma enorme influência na atenção das pessoas – Walter Murch

Até o Último Homem

Robert Mackenzie e Andy Wright

Querem saber o quão bom é o trabalho de edição de som de Até o Último Homem? A sala questionável da Reserva Cultural em São Paulo estava literalmente sacudindo a cada explosão, o que representa uma verdadeira conquista para a equipe responsável. Brincadeiras à parte, é realmente nas cenas de batalha em que o trabalho representado por Robert Mackenzie e Andy Wright realmente se faz presente, com cada explosão, metralhadora e a inusitada presença de um lança chamas em meio ao conflito. É um som impactante e violento, e que ocasionalmente faz o espectador pular na poltrona e se assustar com a brutalidade da guerra. Vale destacar também que Mel Gibson opta por muitos momentos em velocidade reduzida, o que força a equipe a fornecer um foley desacelerado mais marcante para os tiros e ignições de granada. (LN)

Percurso na Temporada

  • MPSE – Melhor Edição de Som de Diálogo e ADR
  • MPSE – Melhor Edição de Efeitos Sonoros e Foley

A Chegada

Sylvain Bellemare

Uma ficção científica é sempre propícia a receber indicações por seu trabalho de som, e o fato de que A Chegada lida com comunicação não só visual, mas também sonora, tornam esta uma ótima oportunidade para experimentos. O próprio dialeto dos heptapódes é algo distinto e longe do lugar comum, com ruídos graves que parecem uma curiosa mistura entre buzinas de cargueiro, submarinos e… dor de estômago? Assim, estes provocam um efeito intimidador, mas ao mesmo tempo limpo, já que nunca temos uma foley realmente estourado. O fato de a Dra. Louise Banks ter diversos diálogos com uma roupa de proteção garante também um timbre diferente em sua voz, onde cada suspiro e respiração ganham um efeito mais abafado, algo que também ocorre quando a personagem adentra a câmara habitacional dos alienígenas. (LN)

Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

Wylie Stateman e Renée Tondelli

Peter Berg é um cineasta que dedica seu trabalho à tragédias reais, e a Academia costuma lembrar do caprichado trabalho de som de suas obras. Para Horitzonte Profundo, o foco da história é na explosão de uma plataforma de petróleo, o que de cara já exige que os editores de som trabalhem em cima de um design que capture o som desse universo. Todas as explosões, faíscas e incêndios ganham a apropriada reverberização de um elemento que habita um ambiente todo metálico, e Stateman e Tondelli ainda são hábeis em conferir diversas quebras e aumentos no volume; vide a primeira explosão, que vai provocando tremores e desestabelecimentos em diversas locações em sequência – sendo particularmente doloroso a força do som quando um operário é atingido por um vapor pressurizado no chuveiro – ou o épico salto de Mark Wahlberg da plataforma, onde um curto silêncio é abruptamente quebrado pelo impacto de seu corpo no oceano. (LN)

Histórico de Indicações

Wylie Stateman

  • Indicado como Melhor Edição de Som por O Grande Herói, em 2014
  • Indicado como Melhor Edição de Som por Django Livre, em 2013
  • Indicado como Melhor Edição de Som por Bastardos Inglórios, em 2010
  • Indicado como Melhor Edição de Som por O Procurado, em 2009
  • Indicado como Melhor Edição de Som por Memórias de uma Geixa, em 2006
  • Indicado como Melhor Edição de Som (com Gregg Baxter) por Risco Total, em 1994
  • Indicado como Melhor Som (com Michael Minkler, Gregory H. Watkins e Tod A. Maitland) por Nascido em Quatro de Julho, de 1990

La La Land: Cantando Estações 

Ai-Ling Lee e Mildred Iatrou Morgan

Sendo um musical, claramente La La Land teria um trabalho de som impecável, mas o grande sacrifício vem mesmo na complicada Mixagem de Som, que falaremos em instantes. Já na área de edição de som, a equipe tem mérito na forma como equilibra o silêncio com o volume da música que lentamente vai aumentando e invadindo uma determinada cena. Por exemplo, quando Mia está em um restaurante e o tema de piano “Mia & Sebastian” começa a ecoar de uma caixa de som, abafado e discreto, ao passo em que vai ficando mais alto e mais limpo à medida em que a personagem toma uma decisão, e assim a música toma conta da ambiência. Sobre o silêncio, é notável como as cenas de audição de Mia tornam qualquer ruído perceptível, seja os dedos de um diretor deslizando pelo plástico de sua fotografia ou as teclas de um smartphone ecoando mais alto do que o comum, em um ótimo trabalho de foley. Para fechar, vale destacar o incômodo momento em que uma discussão entre o casal é interrompida pelo gritante alarme de incêndio do fogão, que impressiona pelo impacto, ou a característica buzina de Sebastian para chamar a atenção de Mia. (LN)

Percurso na Temporada

  • MPSE – Melhor Edição de Som em Filme Musical

Sully: O Herói do Rio Hudson

Alan Robert Murray e Bub Asman

Muitos esperavam que o novo filme de Clint Eastwood teria um desempenho mais marcante no Oscar, mas Sully surpreendentemente acabou lembrado apenas por seu trabalho de edição de som – quando pessoalmente acho que teria feito melhor na categoria de mixagem, mas dizem que a Academia não sabe a diferença entre as duas… Enfim, o grande motivo pelo qual Sully está indicado aqui é obviamente pela sequência do chamado Milagre no Hudson, quando o protagonista aterrissa um avião com defeito no maior rio da cidade de Nova York. Não só o impacto do boeing na água recebe o foley exuberante que merece, mas os sons de alerta na cabine do avião e os radares alarmantes estão na medida certa, garantindo o suspense e desespero da situação. (LN)

Histórico de Indicações

Alan Robert Murray

  • Indicado como Melhor Edição de Som por Sicario – Terra de Ninguém, em 2016
  • Venceu como Melhor Edição de Som (com Bub Asman) por Sniper Americano, em 2015
  • Venceu como Melhor Edição de Som (com Bub Asman) por Cartas para Iwo Jima, em 2007
  • Indicado como Melhor Edição de Som (com Bub Asman) por A Conquista da Honra, em 2007
  • Indicado como Melhor Edição de Som (com Bub Asman) por Cowboys do Espaço, em 2001
  • Indicado como Melhor Edição de Som (com Bub Asman) por Queima de Arquivo, em 1997
  • Indicado como Melhor Edição de Som (com Robert G. Henderson) por Máquina Mortífera 2, em 1990
  • Indicado como Melhor Edição de Som (com Robert G. Henderson) por O Feitiço de Áquila, em 1986

Bub Asman

  • Venceu como Melhor Edição de Som (com Alan Robert Murray) por Sniper Americano, em 2015
  • Venceu como Melhor Edição de Som (com Alan Robert Murray) por Cartas para Iwo Jima, em 2007
  • Indicado como Melhor Edição de Som (com Alan Robert Murray) por A Conquista da Honra, em 2007
  • Indicado como Melhor Edição de Som (com Alan Robert Murray) por Cowboys do Espaço, em 2001
  • Indicado como Melhor Edição de Som (com Alan Robert Murray) por Queima de Arquivo, em 1997

Aposta: Até o Último Homem

Voto do Bastidores: A Chegada

Esnobado: O Homem nas Trevas

Melhor Mixagem de Som

Mixagem é descobrir o que é essencial para aquele momento, e subordinar todo o resto – Randy Thom

13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi

Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Mac Ruth

Por incrível que pareça, a Academia realmente gosta de Michael Bay, sendo capaz de lembrar de um filme do cineasta que fora lançado em Janeiro de 2016. Não que Bay não mereça elogios, já que o trabalho de som de seus filmes é sempre notável, e basta olhar para o time de mixadores de 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi para reparar em nomes famosos e respeitados nesse setor. Assim como Até o Último Homem, o filme de Bay também retrata a guerra e da espaço à pirotecnias, agora centrando-se na guerra moderna no Afeganistão e sua tecnologia mais avançada. Temos diversos tiroteios, explosões e sequências que exigem que as camadas sonoras sejam bem organizadas, assim como a trilha sonora de Lorne Balfe; cuja percussão sombria permeia as cenas mais violentas quase como um eco distante. A variedade de personagens e locações também favorece a mixagem, especialmente quando temos uma montagem paralela centrada nos soldados em ação e a equipe do governo que os monitoriza – a diferença de timbre e a diferença na ambiência de tais locais é um primoroso exemplo de mixagem. Nunca subestimem Michael Bay. (LN)

Histórico de Indicações

Greg P. Russell

  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Stuart Wilson e Scott Millan) por 007 – Operação Skyfall, em 2013
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Mac Ruth) por Transformers: O Lado Escuro da Lua, em 2012
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Jeffrey J. Haboush, William Sarokin e Scott Millan) por Salt, em 2011
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Gary Summers e Geoffrey Patterson) por Transformers: A Vingança dos Derrotados, em 2010
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Kevin O’Connell e Peter J. Davlin) por Transformers, em 2008
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Kevin O’Connell e Fernando Cámara) por Apocalypto, em 2007
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Kevin O’Connell, Rick Kline e John Pritchett) por Memórias de uma Geixa, em 2006
  • Indicado como Melhor Som (com Kevin O’Connell, Jeffrey J. Haboush e Joseph Gesinger) por Homem-Aranha 2, em 2005
  • Indicado como Melhor Som (com Kevin O’Connell e Ed Novick) por Homem-Aranha, em 2003
  • Indicado como Melhor Som (com Kevin O’Connell e Peter J. Devlin) por Pearl Harbor, em 2002
  • Indicado como Melhor Som (com Kevin O’Connell e Lee Orloff) por O Patriota, em 2001
  • Indicado como Melhor Som (com Kevin O’Connell e Pud Cusack) por A Máscara do Zorro, em 1999
  • Indicado como Melhor Som (com Kevin O’Connell e Keith A. Wester) por Armageddon, em 1999
  • Indicado como Melhor Som (com Kevin O’Connell e Art Rochester) por Con Air – A Rota de Fuga, em 1998
  • Indicado como Melhor Som (com Kevin O’Connell e Keith A. Wester) por A Rocha, em 1997
  • Indicado como Melhor Som (com Kevin O’Connell, Donald O. Mitchell e Keith A. Wesner) por Chuva Negra, em 1990

Gary Summers

  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Greg P. Russell, Jeffrey J. Haboush e Mac Ruth) por Transformers: O Lado Escuro da Lua, em 2012
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Christopher Boyes, Andy Nelson e Tony Johnson) por Avatar, em 2010
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Greg P. Russell e Geoffrey Patterson) por Transformers: A Vingança dos Derrotados, em 2010
  • Venceu como Melhor Som (com Gary Rydstrom, Andy Nelson e Ron Judkins) por O Resgate do Soldado Ryan, em 1999
  • Venceu como Melhor Som (com Gary Rydstrom, Tom Johnson e Mark Ulano) por Titanic, em 1998
  • Venceu como Melhor Som (com Gary Rydstrom, Shawn Murphy e Ron Judkins) por Jurassic Park: O Mundo dos Dinossauros, em 1994
  • Venceu como Melhor Som (com Gary Rydstrom, Tom Johnson e Lee Orloff) por O Exterminador do Futuro 2: Julgamento Final, em 1992
  • Indicado como Melhor Som (com Gary Rydstrom, Randy Thom e Glenn Williams) por Backdraft – Cortina de Fogo, em 1992
  • Indicado como Melhor Som (com Ben Burtt, Shawn Murphy e Tony Dawe) por Indiana Jones e a Última Cruzada, em 1990
  • Indicado como Melhor Som (com Ben Burtt, Randy Thom e Tony Dawe) por Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi

Jeffrey J. Haboush

  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Greg P. Russell, Gary Summers e Mac Ruth) por Transformers: O Lado Escuro da Lua, em 2012
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Greg P. Russell, William Sarokin e Scott Millan) por Salt, em 2011
  • Indicado como Melhor Som (com Greg P. Russell, Kevin O’Connell e Joseph Gesinger) por Homem-Aranha 2, em 2005

Mac Ruth

  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Paul Massey e Mark Taylor) por Perdido em Marte, em 2016

Até o Último Homem

Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace

Aqui temos uma das maiores curiosidades históricas da Academia. Temos entre os indicados o mixador Kevin O’Connell, que traz inacreditáveis 23 indicações ao Oscar da categoria, mas nenhuma vitória. O’Connell retorna à festa novamente ao lado de três representates do vasto departamento, que certamente sofreu para organizar e equalizar todas as diferentes camadas sonoras da carnificina que é a guerra em Até o Último Homem. Todas as explosões e tiroteios comentados na seção de Edição de Som misturam-se em uma paisagem sonora envolvente e assustadora, que jamais perdoa o espectador e sempre nos mantém ligado diretamente à Desmond Doss. Quando a trilha sonora de Rupert Gregson-Williams ecoa, a mixagem é esperta ao deixá-la praticamente ausente nos momentos mais intenso (vide o resgate do capitão vivido por Vince Vaughn) ou mais alta para glorificar os personagens, como observamos durante o heróico clímax da projeção. Será que finalmente chegou a hora de O’Connell? (LN)

Histórico de Indicações

Kevin O’Connell

  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Greg P. Russell e Peter J. Davlin) por Transformers, em 2008
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Greg P. Russell e Fernando Cámara) por Apocalypto, em 2007
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Greg P. Russell, Rick Kline e John Pritchett) por Memórias de uma Geixa, em 2006
  • Indicado como Melhor Som (com Greg P. Russell, Jeffrey J. Haboush e Joseph Gesinger) por Homem-Aranha 2, em 2005
  • Indicado como Melhor Som (com Greg P. Russell e Ed Novick) por Homem-Aranha, em 2003
  • Indicado como Melhor Som (com Greg P. Russell e Peter J. Devlin) por Pearl Harbor, em 2002
  • Indicado como Melhor Som (com Greg P. Russell e Lee Orloff) por O Patriota, em 2001
  • Indicado como Melhor Som (com Greg P. Russell e Pud Cusack) por A Máscara do Zorro, em 1999
  • Indicado como Melhor Som (com Greg P. Russell e Keith A. Wester) por Armageddon, em 1999
  • Indicado como Melhor Som (com Greg P. Russell e Art Rochester) por Con Air – A Rota de Fuga, em 1998
  • Indicado como Melhor Som (com Greg P. Russell e Keith A. Wester) por A Rocha, em 1997
  • Indicado como Melhor Som (com Steve Maslow, Gregg Landaker e Geoffrey Patterson) por Twister, em 1997
  • Indicado como Melhor Som (com Rick Kline, Gregory H. Watkins e William B. Kaplan) por Maré Vermelha, em 1996
  • Indicado como Melhor Som (com Rick Kline e Robert Eber) por Questão de Honra, em 1993
  • Indicado como Melhor Som (com Rick Kline, Charles M. Wilborn e Donald O. Mitchell) por Dias de Trovão, em 1991
  • Indicado como Melhor Som (com Greg P. Russell, Donald O. Mitchell e Keith A. Wesner) por Chuva Negra, em 1990
  • Indicado como Melhor Som (com Rick Kline, Donald O. Mitchell e William B. Kaplan) por Top Gun – Ases Indomáveis, em 1987
  • Indicado como Melhor Som (com Rick Kline, Donald O. Mitchell e David M. Ronne) por Silverado, em 1986
  • Indicado como Melhor Som (com Bill Varney, Steve Maslow e Nelson Stoll) por Duna, em 1985
  • Indicado como Melhor Som (com Rick Kline, Donald O. Mitchell e James R. Alexander) por Laços de Ternura, em 1984

A Chegada

Bernard Gariépy Strobl e Claude La Haye

Assim como a montagem brinca com a linearidade de alguns eventos em A Chegada, sua mixagem de som é muito inteligente na forma com que segue os passos de Joe Walker. É fascinante como, por exemplo, em uma determinada cena vemos Louise trabalhando com a ambiência da base militar à todo vapor, com computadores, teclas e vozes ecoando em um nível alto; até o momento em que o som que não está ali (no caso, páginas de uma revista sendo viradas) invade o ambiente e logo começa a tomar conta dele, elevando seu volume – vejam bem, edição e mixagem sempre trabalham juntos – e garantindo uma confusão mental para a personagem e o espectador. Ainda sobre o equilíbrio de camadas, as cenas em que Louise está na câmara dos heptapódes sempre trazem um periquito piando de fundo, um foley esperto que mantém-se de fundo ao longo de toda a cena, assim como os painéis de oxigênio, a respiração sob a máscara e a silenciosa trilha de Jóhann Jóhannson. Um trabalho primoroso. (LN)

Percurso na Temporada

  • BAFTA – Melhor Som

La La Land: Cantando Estações

Andy Nelson, Ai-Ling Lee e Steve A. Morrow

Agora sim. Mixagem de som é a categoria perfeita para musicais, especialmente por estarmos lidando com elementos do gênero e uma variedade de camadas e faixas sonoras, algo que La La Land claramente tem de sobra. Logo na memorável cena inicial somos apresentados a uma paisagem sonora riquíssima, à medida em que a câmera passa e acompanhamos as diferentes estações de rádio dos carros, que misturam boletins jornalísticos e os mais diversos estilos musicais, e a mixagem é primorosa a ponto de não transformar isso em uma cacofonia. Todos os números surgem no nível certo em termos de equalização, e foi necessário um cuidado especial para aqueles executados ao vivo (caso do número “Audition”) e os que requerem múltiplos instrumentos, com atenção para “Start a Fire”, que traz a pegada clássica de Jazz com a inserção de um teclado eletrônico em momentos chave. Há ainda algumas mesclagens sonoras particularmente inspiradas, como quando Mia observa Sebastian tocando piano pela primeira vez, e a melodia vai discretamente sendo substituída pelo som desacelerado da buzina de um carro; em um raccord elegante para a troca de cena. (LN)

Percurso na Temporada

  • Cinema Audio Society – Melhor Mixagem de Som em Longa Metragem

Histórico de Indicações

Andy Nelson

  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Christopher Scarabosio e Stuart Wilson) por Star Wars: O Despertar da Força, em 2016
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Gary Rydstrom e Drew Kunin) por Ponte dos Espiões, em 2016
  • Venceu como Melhor Mixagem de Som (com Mark Peterson e Simon Hayes) por Os Miseráveis, em 2013
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Gary Rydstrom, Tom Johnson e Stuart Wilson) por Lincoln, em 2013
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Anna Behlmer e Peter J. Devlin) por Star Trek, em 2010
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Christopher Boyes, Gary Summers e Tony Johnson) por Avatar, em 2010
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Anna Behlmer e Ivan Sharrock) por Diamante de Sangue, em 2007
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Anna Behlmer e Ron Judkins) por Guerra dos Mundos, em 2006
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Anna Behlmer e Jeff Wexler) por O Último Samurai, em 2004
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Anna Behlmer e Tod A. Maitland) por Seabiscuit – Alma de Herói, em 2004
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Anna Behlmer, Roger Savage e Guntis Sics) por Moulin Rogue: Amor em Vermelho, em 2002
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Doug Hemphill e Lee Orloff) por O Informante, em 2000
  • Venceu como Mixagem de Som (com Gary Rydstrom, Gary Summers e Ron Judkins) por O Resgate do Soldado Ryan, em 1999
  • Indicado como Mixagem de Som (com Anna Behlmer e Paul “Salty” Brincat) por Além da Linha Vermelha, em 1999
  • Indicado como Mixagem de Som (com Anna Behlmer e Kirk Francis) por Los Angeles: Cidade Proibida, em 1998
  • Indicado como Mixagem de Som (com Anna Behlmer e Ken Weston) por Evita, em 1997
  • Indicado como Mixagem de Som (com Anna Behlmer, Scott Millan e Brian Simmons) por Coração Valente, em 1996
  • Indicado como Mixagem de Som (com Steve Pederson, Scott Millan e Ron Judkins) por A Lista de Schindler, em 1994
  • Indicado como Mixagem de Som (com Brian Saunders e Peter Handford) por Nas Montanhas dos Gorilas, em 1989

Rogue One: Uma História Star Wars

David Parker, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson

É uma pena que Rogue One não tenha tido um reconhecimento na categoria anterior, visto que edição e design de som sempre foram uma marca registrada da franquia Star Wars. Porém, o longa surge bem representado aqui, afinal o filme de Gareth Edwards traz algumas das batalhas mais pesadas e realistas de toda a saga, e isso trouxe um cuidado especial com o som. Por exemplo, toda a sequência no planeta de Eadu traz uma atmosfera sonora notável ao manter uma camada de chuva forte durante toda a ação, que é complementada pelos diálogos de personagens, a música sempre constante de Michael Giacchino e os efeitos sonoros de naves e blasters. Durante a maioria das cenas de ação temos um cuidado fabuloso com todos os diferentes efeitos sonoros, mas é quando a música vai tomando conta da cena – abaixando os demais foleys e diálogos – que temos algo ainda mais especial, como o dramático clímax que envolve o sacrifício de alguns personagens. (LN)

Histórico de Indicações

David Parker

  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson) por Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, em 2012
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Michael Semanick, Ren Klyce e Mark Weingarten) por A Rede Social, em 2011
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Michael Semanick, Ren Klyce e Mark Weingarten) por O Curioso Caso de Benjamin Button, em 2009
  • Venceu como Melhor Mixagem de Som (com Scott Millan e Kirk Francis) por O Ultimato Bourne, em 2008
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Christopher Boyes, David E. Campbell e Lee Orloff) por Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, em 2004
  • Venceu como Melhor Mixagem de Som (com Walter Murch, Mark Berger e Christopher Newman) por O Paciente Inglês, em 1997
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Alan Splet, Todd Boekelheide e Randy Thom) por Lobos Nunca Choram, em 1984

Christopher Scarabosio

  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Andy Nelson e Stuart Wilson) por Star Wars: O Despertar da Força, em 2016
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Matthew Wood) por Sangue Negro, em 2008

Stuart Wilson

  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com David Parker e Andy Nelson) por Star Wars: O Despertar da Força, em 2016
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Greg P. Russell e Scott Millan) por 007 – Operação Skyfall
  • Indicado como Melhor Mixagem de Som (com Gary Rydstrom, Andy Nelson e Tom Johnson) por Cavalo de Guerra, em 2012

Aposta: La La Land

Voto do Bastidores: La La Land

Esnobado: O Homem nas Trevas

Melhor Trilha Sonora

A trilha é o elo de comunicação entre a tela e a plateia, saindo pra fora e envolvendo todos em uma única experiência – Bernard Herrmann

Jackie

Trilha original composta por Mica Levi

Meus ouvidos jamais tinham ouvido algo tão original quanto a música que Mica Levi compôs para Sob a Pele, o suspense sci-fi estrelado por Scarlett Johannsson há 3 anos atrás. Seu estilo abstrato e perturbador definitivamente tornou Levi um nome cobiçado no gênero de terror, o que torna particularmente genial que ela tenha sido contratada para Jackie, um pesado estudo de personagem que ganha ainda mais camadas e personalidade com a trilha sua trilha sinuosa e memorável. Composta principalmente por pesadas cordas de violinos e violoncelos, a música traz temas simples e minimalistas, mas que ajudam o espectador a entender o estado mental de Jackie Kennedy; o próprio tema da abertura, com a longa arranhada de um violoncelo praticamente antecipa sua decaída psicológica e o estado de isolação. Ainda que ache Jackie uma obra imperfeita, não tenho dúvidas de que sua trilha é um dos pontos altos absolutos. (LN)

La La Land: Cantando Estações

Trilha original composta por Justin Hurwitz

É marmelada dizer que um musical tem a melhor trilha entre os indicados, mas… Fazer o quê? A trilha sonora de Justin Hurwitz para La La Land é a melhor e mais maravilhosa dentre todos os indicados. É uma música que adota orquestra clássica e elementos de jazz para criar algo muito tradicional e romântico, no melhor estilo dos musicais da Velha Hollywood. Desde a maravilhosa seção instrumental de canções como “Another Day of Sun” e “Someone in the Crowd” até a percussão sobrenatural das cordas e flautas de “Planetarium”, a energética faixa de jazz “Summer Montage” e o delicado piano de “Mia & Sebastian’s Theme”, Hurwitz cria melodias simplesmente lindas e que servem perfeitamente à história que Damien Chazelle está contando. Lacrado. (LN)

Percurso na Temporada

  • BAFTA – Melhor Trilha Sonora
  • Globo de Ouro – Melhor Trilha Sonora
  • Critics Choice Awards – Melhor Trilha Sonora

Lion: Uma Jornada para Casa

Trilha Original composta por Dustin O’Halloran e Hauschka

Lion pode não ter uma das histórias mais originais do cinema norte-americano, mas certamente nos admira pela composição de sua trilha sonora. Dustin O’Halloran, um músico contemporâneo conhecido pelo excepcional trabalho na versão de Sofia Coppola para Maria Antonieta, brinca com os temas clássicos e épicos, desconstruindo-os e arquitetando-os novamente como lhe convêm. O uso do piano de cauda é previsível, principalmente tratando-se de uma narrativa de superação, mas a presença dos violinos é muito mais marcante e rouba a atenção em todos os momentos que aparecem, por vezes reafirmando a pegada odisseica da qual o longa faz parte, e por outras endossando a angústia pela qual os personagens passam. Hauschka traz seu próprio toque alemão à cena, brincando com a linearidade da música e fazendo bom uso da linguagem mais erudita – ora deixando-a em primeiro, ora em segundo. (TN)

Moonlight: Sob a Luz do Luar

Trilha original composta por Nicholas Britell

Ainda que Moonlight tenha uma trilha incidental repleta de ótimas canções pop e rap, a trilha original de Nicholas Britell é arrasadora. Delicada e discreta, poderia ser resumida a três temas diferentes, que voltam frequentemente de acordo com a jornada de Chiron ao longo de seus três atos. O principal deles é “Little’s Theme”, uma peça de piano delicada com um violino sob a técnica de sul pontincello (que possibilita um som mais áspero, similar ao de uma flauta) que praticamente assombra a peça e instantaneamente nos coloca na pele do pequeno Chiron, mas que também pontua com perfeição passagens de seu crescimento. Porém, minha preferida é “The Middle of the World”, uma junção de violinos, cellos e outras cordas para uma composição magnífica e dramática, beirando o suspense com sua percussão arrepiante. Essa última provoca um efeito inebriante e belo para a cena em que Juan está no mar com Chiron, mas seus resquícios também causam profundo desconforto quando é ofendido por sua mãe. Um trabalho merecedor do prêmio… Se não estivesse concorrendo com La La Land. (LN)

Passageiros

Trilha original composta por Thomas Newman

Olha lá o grande azarão da categoria! Thomas Newman recebe sua 14ª indicação ao prêmio pelo romance sci fi Passageiros, mas infelizmente não será dessa vez que o filho do grande Randy Newman levará uma estatueta para casa. A contribuição de Newman para o irregular trabalho de Morten Tyldum felizmente é um dos aspectos positivos do filme, sendo uma música agradável e envolvente de se ouvir. Traz as clássicas características de todas as suas composições, com muitas flautas e xilofones, e confesso que foi interessante ver esse tipo de melodia tocando com imagens de espaço. Um elemento discreto que me agrada muito é um apito distante que ecoa no tema principal, sugerindo um suspense e isolação muito propício ao status dos protagonistas. Quem sabe no ano que vem, Newman? (LN)

Histórico de Indicações

  • Indicado como Melhor Trilha Sonora por Ponte dos Espiões, em 2016
  • Indicado como Melhor Trilha Sonora por Walt nos Bastidores de Mary Poppins, em 2014
  • Indicado como Melhor Trilha Sonora por 007 – Operação Skyfall, em 2013
  • Indicado como Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original (com Peter Gabriel) por WALL-E
  • Indicado como Melhor Trilha Sonora por O Segredo de Berlim, em 2007
  • Indicado como Melhor Trilha Sonora por Desventuras em Série, em 2005
  • Indicado como Melhor Trilha Sonora por Procurando Nemo, em 2004
  • Indicado como Melhor Trilha Sonora por Estrada para Perdição, em 2003
  • Indicado como Melhor Trilha Sonora por Beleza Americana, em 2000
  • Indicado como Melhor Trilha Sonora por Um Sonho de Liberdade, em 1995
  • Indicado como Melhor Trilha Sonora por Adoráveis Mulheres, em 1995

Aposta: La La Land

Voto do Bastidores: La La Land

Esnobado: Animais Noturnos

Melhor Canção Original

Quando você escreve muitos musicais, você tem uma noção bem clara da direção que devem seguir, do que você precisa e de quando; como trazer o público para a jornada – Alan Menken

Audition (The Fools Who Dream)

Música de Justin Hurwitz, letra de Benj Pasek e Justin Paul, para La La Land: Cantando Estações

A composição de “Audition (The Fools Who Dream)” se baseia,a princípio, na timidez. Assim como a doce e suave voz de Emma Stone, a qual utiliza com destreza notas agudas, o piano entra de forma bem sutil, acompanhando a música até tornar-se um suporte para a entrada dos violinos, da flauta e da participação quase ínfima – mas necessária – dos violoncelos. E à medida em que a personagem abandona a barreira que a “protege”, a melodia encontra uma voz própria e parece ganhar vida, brincando com floreios e criando histórias dentro de uma poesia cantada, até alcançar seu clímax e voltar ao seu ponto de início. É a canção que enfim oferece a chance que os personagens da história merecem, é o recurso que os vinga e provoca uma gigantesca inspiração à plateia. O hino moderno dos sonhadores. (TN)

Can’t Stop the Feeling

Música e letra de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster, para Trolls

Justin Timberlake parece ter se inspirado diretamente em seus conterrâneos da banda Maroon 5 para dar vida a Can’t Stop the Feeling. A música é atrativa, de certo modo, principalmente por ter se tornado um dos hits do verão e ser capaz de contagiar com seu elétrico ritmo. Mas sua construção tonal deixa a desejar em diversos aspectos, seja na mistura hibridamente comum de elementos pop, como o teclado eletrônico, a guitarra e o uso excessivo de autotune. Obviamente que a capacidade de Timberlake para as notas agudas e para seu famoso falsete é invejável, mas seu uso no coro e nas frases de efeito torna a música tão genérica e derivativa quanto outras – podendo citar aqui “Jealous” e “Sugar”, as quais têm a mesma construção. (TN)

Percurso na Temporada

  • Grammy – Melhor Canção para Artes Visuais

City of Stars

Música de Justin Hurwitz, letra de Benj Pasek e Justin Paul para La La Land: Cantando Estações

Mais uma? Pois é, e os realizadores de La La Land advertem: a canção “City of Stars” é viciante e o espectador corre o alto risco de continuar ouvindo-a mesmo após horas, dias e meses após a conclusão da exibição do filme. E realmente,a grande canção que marca toda a trajetória do casal Mia e Sebastian é indubitavelmente a melhor entre os indicados e uma das apostas certas da noite, selando uma (das muitas) vitórias que o filme de Damien Chazelle promete levar. Além da melodia fabulosa de Justin Hurwitz, a canção define um dos muitos temas do filme, tanto sobre a promessa da cidade de Los Angeles quanto pela relação amorosa entre os protagonistas. (LN)

Percurso na Temporada

  • Globo de Ouro – Melhor Canção Original
  • Critics Choice Awards – Melhor Canção Original

The Empty Chair

Música e letra de J. Ralph e Sting, para Jim: The James Foley Story

O indicado surpresa da categoria, “The Empty Chair” marca a reunião de J. Ralph com o músico Sting, para o documentário da HBO sobre James Foley, um famoso e conceituado repórter de guerra. É uma canção simples e que aposta puramente no vocal de Ralph e no piano de Sting, para uma música melancólica em execução e nobre em sua letra comovente. Porém, é revoltante que a canção tenha sido escolhida no lugar de diversas outras opções melhores, vide a total ausência de Sing Street: Sonho e Música da categoria. (LN)

How Far I’ll Go

Música e letra de Lin-Manuel Miranda, para Moana: Um Mar de Aventuras

Moana talvez seja o filme mais ecleticamente bem estruturado da Disney. Desde a caracterização de seus personagens até a escolha da paleta de cores, a mitologia polinésia é explorada com afinco – e traduzida da melhor forma pela música “How Far I’ll Go”, interpretada pela jovem Auli’i Cravalho. Sua composição utiliza melodias em crescendo típicas das animações do estúdio e criando uma atmosfera epifânica gradativa: a mistura equilibrada entre violão e violino entra em perfeita harmonia com toques mais sutis de bongô e flauta peruana, refletindo o dinamismo de seus personagens – principalmente a que empresta seu nome ao título do filme – e culminando na primeira grande virada da narrativa. (TN)

Aposta: City of Stars

Voto do Bastidores: City of Stars

Esnobado: Praticamente qualquer canção de Sing Street: Música e Sonho

E qual a sua opinião? Agora é um pouco mais claro entender as diferenças entre Edição de Som e Mixagem de Som? Comente! Tire dúvidas e fale também sobre seus preferidos da categoria, e fiquem ligados pois o quarto e último volume do especial será lançado na Quinta-Feira.

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