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Crítica | Bob Cuspe: Nós Não Gostamos de Gente – Punk em stop motion!

Das tirinhas para as telonas, e em stop motion ainda por cima! Bob Cuspe: Nós Não Gostamos de Gente, presente na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é exatamente o que se espera de uma adaptação do personagem: PUNK!

Primeiro ,acho válido lembrarmos de Chiclete com Banana, o quadrinho mais irreverente dos anos 80. Foi lá que Argeli colocou muitas das suas ideias abstratas e caricatas, incluindo o anárquico Bob Cuspe, falando umas boas verdades nas páginas, com seu moicano e jaqueta de couro.

Aqui, em sua terceira colaboração em stop motion com o diretor César Cabral, Angeli está em uma espécie de odisseia de redescobrimento dos seus personagens. Falando sobre sua trajetória e decidindo rumos que os personagens pode tomar, entramos em seus quadrinhos e vemos como os mesmos estão reagindo a isso. O mundo está seco de ideias novas e sendo dominado pelo pop.

Remetendo a obras como Mundo Proibido e Adaptação, a experiência aqui é de imersão na conexão entre autor e obra. Angeli sente as repercussões trazidas pelos personagens, enquanto eles estão lá tentando sobreviver à mão pesada do artista em criar mais e mais problemas. A própria invasão pop no mundo é representada por Eltons Johns mutantes e carnívoras, rendendo boas situações com a resistência punk de Bob Cuspe.

Milhem Cortaz é uma acertadíssima para o personagem título, dando até a impressão que essa é a voz que escutamos de Bob em nossas mentes desde a primeira leitura. Cortaz trabalha com uma versão oito ou oitenta do personagem, sempre focando em parecer indiferente para os irmãos Kowalski e toda a ladainha que Angeli está prestes a acabar com seu mundo. Mas quando chega a hora da cusparada, a tonalidade de um jovem adulto fumante à trinta anos vem espontaneamente e casa perfeitamente.

Entre os personagens que também compõe o filme está a esposa do quadrinista, Carol, que completa as lacunas na história quando Angeli está de saco cheio para gravar depoimentos em seu estúdio. Também tem uma participação muito pontual da Laerte, que serve também para preencher algumas informações.

Cabral consegue navegar por esse complexo roteiro de acontecimentos e dar uma ótima estética para os personagens de Angeli, sem mostrar sinal de fadiga ou enrolação. São 90 minutos repletos ação, em uma trama que precisa chegar em algum lugar. Um dos acertos também foi na montagem, em optar por uma construção narrativa que remeta aos road movies tradicionais.

Poderiam ter ido mais longe, com maior participação da Rê Barbosa, ou até uma parcela maior dedicada aos irmãos Kowalski – ambos com a voz de Paulo Miklos. Mas um elemento que faltou para dar aquele laço final foi uma trilha punk, daquelas que ambientariam legal o filme. O que temos é uma promessa, com Titãs à todo volume, mas que não vai pra frente.

Bob Cuspe: Nós Não Gostamos de Gente é um filme adulto, caso você só tenha reparado na parte do stop motion, que talvez bata de frente com a geração pop de hoje. Mas é difícil alguém sair da sessão sem ao menos ter se divertido.

Bob Cuspe: Nós Não Gostamos de Gente (Brasil – 2021)

Direção: Cesar Cabral
Roteiro: Cesar Cabral
Elenco: Milhem Cortaz, Paulo Miklos, André Abujamra, Grace Gianoukas
Gênero: Comédia, Aventura
Duração: 91 min

Acompanhe mais da nossa cobertura da 45ª Mostra Internacional de São Paulo

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Publicado por Herbert Santos

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